quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dia 10

O curso vibra. Introduzi novos conceitos. Repassei sobre outros, trazendo-os à tona novamente. É tudo cumulativo, interdependente, simultâneo. Como fazer isso num mundo sequencial? Retomando e relembrando. Exemplificando e explicitando. 

Mostrei o que é evento, comportamento e estrutura. Revelei como os grandes meios de comunicação estão presos - ou melhor, prendem seu público, as pessoas - à lógica do raciocínio evento-evento. São as notícias que mostram eventos descontextualizados no tempo e no espaço, sem relação com outros fenômenos. São entrevistas direcionadas e de duração determinada (por quem?). São distorções de discursos retos e profundos, amplificações de miudezas, omissão de importâncias substanciais. Eis a mídia dominante, que se autointitula de "opinião pública" - maior piada ainda está prestes a ser lançada...

Antes disso mostrei as três características principais de Sistemas Complexos: resiliência, auto-organização e hierarquia. Vejamos pormenorizadamente do que se trata.

Resiliência:


Por mais adversas que sejam as condições, formas de
vida resiliente conseguem se perpetuar. Ou se
recuperar após um certo tipo de devastação.
É o ato de um sistema, uma vez perturbado por um agente externo, - seja físico, orgânico ou psíquico individual ou coletivo - ser capaz de retomar ao seu estado precedente, original, sem alterações profundas. É continuar sua trajetória sem desvios permanentes devido a esse impacto. 

Nas ciências físicas, temos os materiais, cujo comportamento sobre tração, compressão, flexão, torção, fadiga, fluência, entre outros tipos de cargas, podem ser variados, a depender de sua natureza. Se aplicamos uma força numa barra, dobrando-a, e essa, após deixarmos ela livre, voltar ao estado original, dizemos que ela possui uma resiliência dada pela sua capacidade de voltar ao estado original - ou algo próximo - mantendo sua estrutura interna intacta. Daí se vê que resiliência se relaciona com elasticidade. 

No mundo biológico podemos ver o mesmo fenômeno de forma mais elaborada. A vida apresenta seu grau de resiliência conforme é capaz de resistir a agentes invasores (vírus) e sabe conviver com certos organismos (bactérias, por exemplo), sem causar desvios gerais nos seus mecanismos de funcionamento. A lógica permanece intacta, o organismo permanece são em geral. 

No campo psíquico observamos o mesmo fenômeno. Uma pessoa é dita resiliente quando consegue retomar seu estado de humor ou força ou ânimo após sofrer um certo abalo, desde o mais miúdo (escorregar num dia de chuva, ouvir um xingamento no trânsito) até o mais impactante (perda de um parente, uma doença, uma demissão, uma separação). Quanto melhor suportar algo de maior intensidade, maior sua resiliência. 

Auto-organização:


O floco de neve constróis sua estrutura a partir de uma
lógica simples de auto-organização, por vezes baseada
em um algoritmo natural - e automático, portanto -
simples. 
É a capacidade que os sistemas possuem de se ordenarem de modo diverso ao qual vinha sendo reproduzido, criando um ambiente de maior heterogeneidade e - consequentemente, imprevisibilidade. Com isso as possibilidades começam a aumentar. A depender do tipo de variedade e incerteza, poderíamos calcular com certo grau de exatidão, qual o aumento das possibilidades. 

Com esse aumentam cria-se um campo em que podem surgir (não há garantia) novas estruturas que, se consolidando, irão apresentar comportamentos característicos, que se manifestam em eventos. 

A liberdade e experimentação, até um certo grau, são condições indispensáveis para se ter um ambiente que leve a essas novas estruturas. Vemos isso em larga quantidade na natureza, que já atingiu seu estado de perfeição há milhões de anos. Resta a nós, humanos, em jornada evolutiva, desenvolvermos essa capacidade. Nossas organizações refletem o que somos em sociedade e em família. E como indivíduos: negando a transformação. De que? De atitudes, de comportamentos, de regime alimentar, de visão de mundo, entre outras. Para melhor, claro. Transformar significa progredir para se aproximar de uma meta, tornando seu relativo mais resiliente devido à sua capacidade de ter se auto-organizado de forma inteligente. E após essa evolução substancial, deve-se reordenar a hierarquia do sistema.

Hierarquia:
Todo sistema se organiza em hierarquia. A humanidade,
com seu corpo social na infância (ainda), procura seguir
esse princípio. As demolições e reconstruções só revelam
que nossos sistemas hierárquicos estão longe de serem
justos - e portanto serem capazes de gerar paz e evolução
a todos sujeitos que compõem ele.

É a estrutura do Universo (e além). É como as coisas funcionam de modo eficiente. Está presente em tudo, desde os átomos até as galáxias. Desde os seres unicelulares até o ser humano. Desde as ideias mais simples até às teorias mais complexas. Desde as vilas mais primitivas até as megalópoles mais movimentadas e globalizadas.

A hierarquia surge com a especialização. Como a tendência do ser humano é se especializar cada vez mais, de acordo com suas qualidades intrínsecas, deve-se ordenar essas variedade enorme num sistema hierárquico que faça todos trabalharem da melhor forma possível em prol de um Todo. Que Todo? Eis a grande questão, que vos deixarei no vosso colo para que posteriormente possamos trabalhar isso mais à fundo. 

Outro tema retomado - de forma mais exemplificada - foi lineridade e não-linearidade. Basicamente um é o complemento do outro. Mas existem alguns pontos para que possamos deixar mais claro tudo.

As Jornadas de Junho (de 2013) são exemplo de um
fenômeno social, não-linear, cujos desdobramentos
não somos capazes de prever, por mais base
de dados que tenhamos em mãos, por mais instrução que
 tenhamos acumulado, por mais inteligente que sejamos.
Primeiro:
Levando em consideração de que todos fenômenos que ocorrem, se observados em sua integridade, - ou seja, com todas hipóteses desconsideradas - não apresentam um comportamento previsível, isto é, linear, chegamos à conclusão de que a linearidade é uma abstração da mente humana que visa sobretudo simplificar o universo fenomênico circunjacente de tal modo a viabilizar a compreensão de tudo que nos cerca exteriormente. E que possamos assim começar a construir, sistematicamente e minimamente orientados tecnologias e teorias e culturas, para ganharmos domínio sobre as intempéries.

Segundo:
Á medida que descemos de níveis, - passando das supremas ascensões humanas, campo em que o psiquismo leva o corpo físico à exaustão para construir em planos mais elevados, imateriais, em que o espírito anseia viver de forma contínua, para o nível biológico, com sua forma vida vegetal e animal a nível basicamente instintivo, descendo ao campo das ciências fisio-químicas, onde reina os elementos atmosféricos, oceânicos, geológicos e forças e fluxos de diversas espécies (gravitacionais, de contato, magnéticas, elétricas, térmicas, hidráulicas, etc) - vamos tornando as aproximações lineares mais fiéis à realidade não-linear. Vejam que essa descida é igualmente não-linear, ou seja, inexiste uma proporcionalidade à medida que estudamos fenômenos cada vez mais determinísticos. Com isso se explica o porquê de todo nosso arcabouço lógico e matemático, com sua simbologia e métodos, serem muito eficazes para descrever certos fenômenos - mas pobres para definir outros.

Mesmo a nível físico, percebe-se que a não-linearidade permeia os estudos. A única alternativa que resta é decompormos certo fenômeno a intervalos de tempo suficientemente curtos e/ou desacoplar-ignorar fenômenos (hipóteses), para viabilizar simulações.

Posteriormente pretendo descer cada vez mais nesse campo, desenvolvendo demonstrações analíticas que comprovem efetivamente essa visão.

Outro tema foram as fronteiras inexistentes:
Além disso, observando à fundo, iremos nos dar conta de que natura non facit saltus ("A Natureza não dá saltos", Leibnitz), uma afirmativa imponente que foi obtida empiricamente, através de observações infindáveis em todos campos das ciências físicas e biológicas. Ou seja, tudo que existe em nosso mundo real, seja tangível ou intangível, possui uma natureza de continuidade. Inexistem alterações que sejam instantâneas. De tal forma que a mente humana não é capaz de estabelecer fronteiras claras e definitivas entre fenômenos, áreas do saber, sexos, correntes filosóficas, sistemas políticos, noções de público e privado, etc. 

Chegamos a tangenciar camadas limites, que nada mais é do que a restrição imposta por um determinado agente, essencial para que um process ocorra, devido à sua carência. Isso é sentido quando observamos uma reação química de combustão (por exemplo), na qual a carência de combustível (diversos tipos de hidrocarbonetos) ou comburente (oxigênio) em relação ao seu elemento reativo irá restringir o quanto de energia será obtido como produto.

Isso também se vê nas receitas. Para fazer pão italiano é necessária uma quantidade x de farinha de trigo, y de fermento biológico, u de água morna e w de sal. Se temos carência de um destes elementos (x-n, y-n, u-n, w-n, com n<0), não teremos uma receita ideal. Eis que um único elemento faltante ou fora de equilíbrio com o conjunto prejudica o produto final de uma combinação. Seja ela uma receita, uma plantação, uma reação química, uma instituição, um movimento social, uma religião, uma escola, etc.

Resta na próxima aula comentar sobre Racionalidade Limitada e Atrasos Ubíquos.

A partir daí iniciar-se-á o aspecto mais místico-unitário do curso, culminando na  exibição de um dos grandes filmes do século XX, que retratou a gênese de um santo chamado Francisco.

Desmoronamento

Estamos prestes a adentrar numa ditadura neoliberal plena, oficializada, de proporções inimagináveis.

O futuro de todas pessoas está em grande e grave risco.

Não dá para confiar nos grandes meios de comunicação. O Jornal da Cultura já sofre manipulação há 2 ou 3 anos - demissão de Vladimir Safatle e Carlos Novaes revela isso. Roda Viva igualmente - que virou um apêndice das forças neoliberais para divulgar o que lhes interessa.



Globo e Veja, e Estadão (entre outros) nem se fala...manipulação das mais maquiadas, que se escondem no intelectualismo barato para justificar tudo que levara o país a uma convulsão. São décadas de manipulação descarada, apoiada em teorias que se revelam ultrapassadas, em ideais invertidos e distorcidos, em discursos simplórios e superficiais - que infelizmente captam o imaginário de muitos, deixando-os quietos perante as barbaridades cometidas pelos bancos, pelos mega-empresários, pelos que vêem o lucro como meta suprema da vida. Esses são de fato os demônios que personificam o plano do diabo. Diabo é esse instinto nefasto a ser eliminado em cada um de nós. Esse senso de distração - tão alimentado pelas redes sociais e meios de comunicação convencionais. Diabo é a desigualdade além da conta...

Uma diferença de renda de 4:1 seria mais do que saudável para o desenvolvimento e democracia.
Democracia e Capitalismo são excludentes a partir de certo ponto. Nós passamos desse ponto há algumas décadas. Alguém há de perceber isso a fundo...

Por que tamanha teimosia em adiar o enterro do que já está morto (capitalismo-neoliberalismo)???

Será que ainda estamos dispostos a regurgitar o que foi nos enfiado na cabeça? Aqueles discursos simplórios de que qualquer alternativa ao modo convencional de pensar e "sentir" é "do mal"? Experiências que não devem ser repetidas - de outra forma. Será que iremos acordar a tempo? Não sei...


O neoliberalismo faliu e há forças que desejam que essa falência seja repassada para a sociedade produtiva e os ecossistemas. Mas mesmo assim um abalo profundo virá antes que possamos nos dar conta - neste século ainda...

Vivemos em desequilíbrio com todos níveis de existência. Queremos nos garantir até o colapso global e simultâneo, porque estamos no aconchego das mínimas garantias - por enquanto. Mas não se iludam: as reformas irão corroer, cedo ou tarde, nós e nossas famílias. E junto, nossos planos de vida e de felicidade.

Quem consente com o mal se torna devedor.
Quem combate o mal, mesmo se destruindo em prol da consciência, se eleva.
Que caminho iremos seguir?

Queda e Salvação.

P.S.: assistam aos vídeos antes que sejam retirados (inexplicavelmente) deste espaço.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Como Seria a Transição para o Outro Lado.

Há mais ou menos um mês fui ao parque fazer exercícios. Eu não havia comido meu pão com manteiga matinal - apenas duas bananas com aveia e mel. Sem sal. "Um dia apenas", pensei. Não deve fazer mal. 

Ao chegar iniciei as atividades. Estava um dia morno. Sol saindo. Poucas nuvens. Bem agradável. As árvores ao redor. As crianças brincando e alguns velhos aproveitando seus dias agradáveis dos anos finais em liberdade simples em meio à natureza. Nada de mais, tudo de bom. E eu, jovem (ainda), aproveitando esse intervalo de tempo para me manter minimamente são. 

Os exercícios que faço servem única e exclusivamente para uma coisa: fortalecer certas regiões do corpo para aliviar o peso sobre minha coluna. Mais uns minutos para tonificar um pouco. Fora os alongamentos, para evitar engessar movimentos e dar flexibilidade física. Gasto uns 30~40 minutos. Tempo precioso nos dias atuais, em que a tecnologia, se não nos seduz, nos consome a cada momento. É preciso se desconectar - o que faço ao sair nas ruas para ir ao mercado, à feira, ao conversar com pessoas, e à noite, quando assisto a filmes e produzo ideias e textos.

Mas voltando aos exercícios...

Estava trabalhando duro nas atividades. E quando me aproximava do fim senti um certo desconforto. Nesse momento já sentia o que iria acontecer. E mais: já sentia (mas não tinha certeza) de que, por mais que eu tomasse alguma atitude, o que fosse acontecer aconteceria, inexoravelmente.

Quando observo isso me dou conta de que sistemas funcionam dessa forma. A partir do momento em que algo (organismo humano) está debilitado de um nutriente fundamental (sal, NaCl), e falta-lhe água (H2O), inicia-se um apagão geral. Nada que se faça pode impedir, exceto tempo, alimentação e ingestão de muita água ou suco. Aliado descanso. Pode-se no máximo preparar-se para o que está por vir. Deve ser assim que se dará o colapso do nosso sistema econômico e organização sócio-política - só que em grande escala, de forma mais complexa.

Eu me sentei num banco e comecei a respirar profundamente. Já não ouvia bem os sons ao redor. Transpirava cada vez mais. Escorria suor frio pelo corpo. Pelas costas, pela testa, pelas pernas, pelos braços, pelo peito, pelo pescoço, pelos pés,...É uma sensação bem desagradável. Uma espécie de ânsia de vômito, na qual sabe-se que este nunca se realiza porque trata-se de algo de outra natureza (causa), porém com alguns sintomas superficiais semelhantes. 

Continuei respirando. Me apoiei bem no banco, na esperança de me recobrar. Mas logo me toquei: havia exigido demasiado do organismo (povo), sem dar nada a ele (direitos, pontos de sustentação, mecanismos de desenvolvimento). O processo se desencadeava automaticamente. Agora era o automatismo sábio - e cruel - da natureza a guiar-me, com toda sua crueldade e eficácia. Quem permitiu isso foi minha falta de uso da racionalidade (comer o pão de manhã), por excesso de confiança.

Os sentidos desapareciam. Um por um. A visão se amarelava. Os sons ficavam cada vez mais difusos, sem lógica. Apenas barulho, em intensidades que não correspondiam ao que de fato estava sendo emitido. Mais amarelo. Piscava. O suor era intenso. Parecia estar perdendo litros de água por minuto. O corpo não mais se sustentava, nem sequer sentado. O desespero chega ao máximo, sem que eu possa falar, ou me mover. Nem sequer soltar um ruído. 

Nada de cheiros. Nada de nada. Perdera a vista. Ficara sem ouvir nada, exceto os sons da mente. Sons que começavam a parecer diferentes daqueles captados pelos sentidos - seria uma transição. Interessante mas desesperador! Oh crueldade da natureza sábia e automática! Oh idiotice da mente racional! Oh...

Desmaio: um ensaio da transição vida orgânica, material,
 e vida livre, espiritual
Prestes a perder tudo, comecei a ouvir coisas agradáveis e ver nitidamente coisas interessantes - das quais agora não me lembro. É como se eu estivesse a viver num plano mais alto. Uma vida muito mais agradável. Os "sentidos", durante esse estado de falência orgânica - mas não espiritual! - pareciam estar captando tudo de agradável ao redor. Era muito bom...muito muito bom mesmo! Por um momento parece que se passaram horas de uma existência agradável. Nem sequer memória do que acontecera há pouco. Algo difícil de explicar. Estava me deleitando na paz e tranquilidade de um ambiente que não sabia descrever. Era real? Parecia real. Tudo tão tangível. O desmaio...tudo...toda minha vida antes, meus 32 anos...devem ter sido esquecidas. Tão agradável a sensação.

E fui flutuando...

Num dado momento comecei a sair daquele mundo. Como se estivesse escorrendo por um ralo. E assim que comecei a sair de lá - onde quer que seja - a sensação de cansaço e tontura e suor voltaram. Sentia o suor frio, a vista e audição ruins (mas retomando) e os movimentos frouxos, aos poucos se desenvolvendo. Pessoas ao redor. Oh...pensei. Fora tudo um momento breve. Uma senhora perguntou se eu estava bem. Disse que sim. Ela disse que seu sobrinho tinha o mesmo problema (desmaios). Fiquei impressionado ao retornar. Fui me recuperando. Mas demorei mais de 4 horas para voltar a 100%.

Na casa do meu pai bebi muito, muito suco. Depois comi - mas com dificuldade. A comida facilmente secava minha boca. A tontura perdurou por horas. O corpo precisava de repouso. 

Assim deve ser a sensação de passar para outro plano de existência. A vida desmaterializada, temporariamente, até voltarmos novamente. Desespero na transição - tranquilidade quando plenamente terminado o processo. Pelo menos para quem vê que a existência nesse mundo é muito árdua no estágio atual. É de fato algo muito peculiar. Uma experiência diferente que dificilmente conseguimos captar e descrever com precisão. Mas a sensação marca a pessoa. 

Esse foi o 3º desmaio em minha vida - por esforço extremo ou me levantar de repente após horas deitado. Perde-se os sentidos e capacidade de atuar. A mente não é oxigenada. Resta o universo desconhecido, do espírito.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Dias 8 e 9

Decidi passar algumas partes (de modelagem por equações diferenciais). Como o público não viu o conteúdo, preferi omitir uma parte. Assim poderei priorizar a parte final da matéria, que traz conceitos mais intuitivos a respeito de sistemas complexos. 

Nas próximas semanas irei mostrar exatamente o que é evento, comportamento e estrutura em sistemas. Direi o que é uma ação baseada em eventos e baseada em comportamento, diferenciando ambas. Irei mostrar erros comuns cometidos por leigos e (particularmente) especialistas ao analisar sistemas e propor soluções. Na parte final irei listar uma hierarquia de pontos de alavancagem para alterar sistemas - baseado na lista de Donella. Irei desde as ações mais fáceis e de menor efeito até aquelas mais difíceis (porém, de certa forma, simples) com efeitos profundos. O ponto máximo (maior alavancagem) será coroado com a exibição de um trecho de filme que exemplifica muito bem o que significa transformar profundamente um sistema.

Percebi que o curso, se for ofertado novamente, precisa de uma carga horária ligeiramente maior. Ou um público que já tenha conhecimento de alguns conceitos e uma base matemática de curso superior. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Jessé: uma maior aproximação da verdade

O bem e o mal está dentro de cada um de nós. Eu afirmo isso porque percebo isso. Jessé de Souza afirma igualmente isso. A entrevista abaixo provavelmente pode desaparecer "acidentalmente" - nesse caso recomendo que vá direto ao link ou outro link e busquem - como já percebi que ocorreram com alguns links de uns vídeos que coloquei. 


Jessé faz um diagnóstico profundo do golpe em curso em nosso país, explicitando o que não é colocado em pauta nas rodas sociais, nos ambientes de trabalho, nas mesas das famílias, nas conversas íntimas.

Ele explica de forma clara como o discurso é distorcido da forma mais perversa.

O mal usa a insatisfação - seja individual ou coletiva - para canalizar uma energia que clama por melhoria (infelizmente apenas local) para servir a seus interesses. Cria-se uma narrativa cujo início já é falso. Mas ninguém se dá conta disso. Uma vez que a insatisfação começa a entrar em destaque, muitos seguem e aproveitam o momento.

Existem aqueles que viram a oportunidade de externalizar seu ódio às pessoas e etnias que começaram a se tornar mais autônomas, menos dependentes da "bondade" de seus patrões. Esses viram a oportunidade de fazer isso "elegantemente" quando encontraram a isca - oferecida pela mídia, que se relaciona descaradamente com o sistema financeiro: a corrupção. De um único partido. De uma única ideologia. De um único sujeito. De um único momento. Visão fragmentada, pasteurizada, de forma a satisfazer o consumidor raivoso e preocupado em manter seus bens e seu modo de vida pautado por uma expansão na horizontalidade profana, negante de qualquer fragmento de verticalidade cósmica. 

Existem os ingênuos, "cultos", que não saíram às ruas mas achavam bom o que estava ocorrendo. Acreditavam - ou ainda acreditam - na lógica de remover "privilégios" para o país se modernizar. Creem nisso com tanto afinco que não se incomodam com horrores que famílias, povos, meio-ambiente possa passar - contanto que não afete sua pequena vida pautada por uma rotina incessante de trabalho alienado e consumo conspícuo. 

Finalmente temos uma pequena parcela de pessoas com certo grau de consciência, que percebem um pouco mais à fundo do que se trata realmente. Elas começam a sentir o transformismo que rege o fenômeno humano, e jamais se julgam estar com todas respostas. O vídeo acima se dirige a essas pessoas.

O vídeo abaixo revela o verdadeiro porquê da PEC 241 / 55 - também chamada da pec do fim do mundo.



A dívida pública ocorre em larga medida porque as mega-corporações, conjuntamente com o sistema financeiro, sonegam impostos. O Estado, sem recursos justamente por essa evasão fantástica, deve pedir emprestado aos ricos (esses mesmo que sonegam, e corrompem, pois ambas estão profundamente relacionadas), que emprestam a juros exorbitantes, aumentando ainda mais a dívida do setor público, que se torna refém de uma lógica perversa que força todas (ou quase) instituições democráticas a seguirem o caminho mais "sensato", que é degradar e calar o povo. Degradar duas condições, extrair mais, enganar mais e calar as manifestações e questionamentos por meios ilegalmente legais e legalmente ilegais (repressão, mídia altamente parcial, com pesquisas tendenciosas e programas alienantes).

A humanidade não irá progredir enquanto as pessoas não enxergarem a seriedade dos acontecimentos.

Estamos indo rumo a um caos justamente pela nossa inabilidade em compreender à fundo o que ocorre. Não lemos o fenômeno humano, com suas ramificações e intenções. Apenas vemos efeitos superficiais e nos distraímos. Grandes catástrofes se forjam no seio das forças da vida, que querem o progresso.

Grandes, inumeráveis, agudas e...transformadoras.

domingo, 14 de maio de 2017

V's Virtuosos

Vivi Voando em Verdadeiros Vendavais.
Versei Verdades em Voluptuosos Vales.
Vociferei contra a Vildade.
Vociferei como Vento que Varre.
Varrendo e Vencendo.

Valorizei caminhos Vencidos.
Verbalizei Valores Vulcânicos.
Vivenciei Verdades Variadas.
Variei a Voz Velada.

Verei a Verdade Suprema?
Vértice dominante,
Vulcão abrasador,
Vórtice devorante.


Voarei o Vôo Vertical?
Veloz e Visual,
Virtuoso e Visceral,
Vetorizado e Vaporizante.

Vencendo pelo Verbo, 
Varremos o Veneno.

Vivendo o conceito,
Voamos para o Alto.

Vôo Vertical.
Vôo Veloz.
Vôo...


Vamos Vencer a Voz que Vem de fora, Velando-a.
Vamos Vociferar a Voz que Vem de dentro, Valorizando-a.
Voz que Vara as Vestes de Ventríloquo. 
Voz do silêncio...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Dias 6 e 7

Duas presenças (D-6). Uma presença (D-7). No entanto, o momento não deixa de ser agradável. Qualidade é uma dimensão que jamais será atingida pela quantidade. Aquela engloba esta.

Os métodos bem intencionados, mas ainda assim do mundo, constroem a quantidade antes de semear a qualidade. O fim será o mesmo do método do Alto (1º qualidade, e após, por forças naturais, permear na quantidade a substância): elevação do plano de vida. Mas de forma muito mais difícil, dolorosa. É o preço que se paga por aceleração de um processo inexorável:o de evolução.

Indiferente à quantidade - e justamente por isso - irei replicar o curso no 2 º semestre. Já tenho o material pronto. Existe a possibilidade de inserir mais textos para serem comentados; aprofundar em mais conceitos; esmiuçar de forma melhor alguns modelos; rodar simulações. Há muito a se revelar. O assunto é, de certa forma, inesgotável. Basta ser apontado para o infinito. Infinito que o sustenta e lhe dá forças e - acima de tudo - orientação

Foi possível ontem fazer um apanhado geral de vários conceitos. Assuntos relacionados àqueles que muitos alunos estão vendo em seus cursos superiores, tais como Termodinâmica, Análise dimensional, Física de movimento, entre outros. Destaques para questões ecológicas e político-sociais: como o sistema econômico, com sua lógica, permeou o imaginário humano - especialmente de quem detém poder e é escravo dele, por mais livre que se julgue - e controla a política e submete a sociedade e todas outras formas de vida (vegetal e animal) e não-vida (atmosfera, águas, solo, energias,...) a um processo de extração impiedosa de quantidades que podem se monetarizar, de forma a incrementar os lucros. A questão das três inteligências (instinto, razão, intuição) entra aí de forma profunda. 

A passagem do homem de 2º nível - intelecto à serviço dos instintos - ao de 3º nível - intuição englobando a razão, que domina os instintos - é a transformação mais profunda pela qual a humanidade irá passar, inexoravelmente. Pelo bem (tomada de consciência) ou pelo mal (imposição das forças da vida aos desejos insaciáveis do homem). De qualquer forma, será uma ascensão ímpar, da qual já houveram "amostras" - antecipações biológicas.

No próximo encontro será aberto espaço para iniciar o trabalho final (tema, diretrizes, estrutura, motivos, possibilidades, dúvidas,...). 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia 5

O público voltou a 6 (mais um ouvinte). O curso é comentado em alguns círculos. Eu não divulgo. Apenas sigo o curso dos acontecimentos, dando as aulas e comentando. Porque experiências passadas revelaram que propaganda tem pouco poder de atração a longo prazo. Silêncio e dedicação, por outro lado, se atraírem, retém e transformam. 

Existe um turbilhão de conceitos que passam pela minha mente à medida que vou falando durante as aulas. Preciso controlar essa tensão, retendo-a, de modo a não descarregar grandes correntes no discurso, o que pode causar mais confusão do que compreensão. Dura é a tarefa, pois à medida que discorro o tema começam a surgir ramificações transversais que abraçam temas diversos e, paralelamente, ramificações para o alto, que dão uma visão mais vasta sobre o assunto. Controlar isso é difícil e exige paciência - as ideias fervem e a intensidade reflete parte desse dinamismo interior.

Disponibilizei vários vídeos e artigos, relacionados direta ou indiretamente, aos temas tratados. Isso há de ajudar a turma na elaboração do trabalho.

Eu deveria ver mais à fundo alguns temas antes de tratá-los. Ao mesmo tempo, mesmo sendo possível, não há tempo de explicar pormenorizadamente alguns resultados. Esbocei o diagrama (modelo) de um sistema de dois estoques: o primeiro era um renovável limitado por um não-renovável (a); e o segundo um renovável limitado por um renovável (b). Apresentei os estoques, seus fluxos (e tipos de fluxos) e lógicas de realimentação (o porquê de serem positivas ou negativas, e de suas conexões). Eis a estrutura do sistema.

Após explicar detalhadamente a estrutura do sistema, elemento por elemento (análise) e depois fornecer um panorama geral (síntese), pude mostrar alguns gráficos que revelam o comportamento do mesmo dados certos parâmetros. Estes são números que caracterizam lógicas de realimentação (ex: metas), fluxos (ex: taxas), entre outros. E condições iniciais (estoques e fluxos no tempo zero). Assim pode-se começar a permear a mente dos alunos com termos comuns à engenharia, mas que são muito mais abrangentes, indo além do universo dos fenômenos físicos.

Irei continuar esses conceitos e exemplos na aula seguinte, e logo colocar o pé em modelagem e simulação.