sábado, 15 de julho de 2017

Os Miseráveis: Queda e Salvação

Aqueles que nasceram neste século estão sentindo, inconscientemente, o que a Sétima Arte tem de menos nobre - uso a palavra no melhor sentido do temo. Ao menos no campo das grandes produções, outrora pautadas por diretrizes mais elevadas, preocupadas em transmitir aspectos profundos da vida, revelando obras literárias monumentais, ideias e pensamentos transformadores, sentimentos indescritíveis, em forma de película. Imagens e sons. Música, gestos e atitudes. Harmonicamente ordenados, caoticamente criados. Com um fim: despertar o Ser.

Quem é Jean Valjean?
Quem é o (inspetor) Javert? 

Reduzir tais nomes a personagens fictícios, individualizados, com objetivos fixos, predeterminados, é diminuir uma das obras mais sublimes da literatura mundial. Atesta uma pobreza de observação. Uma ausência de sentimento. Uma nulificação da abstração que se encarna em palavras, personagens, atitudes e destinos complexos - que no entanto possuem diretrizes simples e cristalinas. 

Jean Valjean. Nome simples, do povo. Conjunto sonoro, harmônico. Vida sofrida, vida perdida...à princípio. Nisso é o que acredita Javert, inspetor com ideia já formada das pessoas, das instituições, do mundo...Para este homem (tipo biológico) tudo já está predeterminado. A natureza (humana ou não) não muda. É inalterável. E - cima de tudo - deve ser controlada e castigada conforme normas rígidas e (aparentemente) eficazes.


Os Miseráveis. Todos nós, aqui,
neste mundo, no estágio atual.
Mas em busca da Superação.
Valjean...produto do mundo com seus métodos intransigentes. Seu paradigma engessante. Sua saciedade infindável. Valjean...alma fantástica encoberta por ilusões que o meio lhe imprimiu. Incessantemente, intensamente, insensivelmente. E assim ele, afogado por 19 anos de trabalho duro, desumano, desgastante, endurece sua alma e nulifica sua fé ao ponto de quase morrer por descrença no homem...19 anos de misérias insuportáveis por haver quebrado um vidro e pego um pão. 19 anos de sofrimento por haver matado...sua fome.

Eis que um bispo cruza seu caminho. Dois seres, duas atuações. Um age conforme a vida lhe ensinou. Outro age conforme a inspiração lhe revelou. O resultado, inesperado, inextrincável, se sente nos olhares entre as duas lógicas: uma insistente na superação, outra agonizante na perdição - mas prestes a despertar para um mundo mais vasto! É a transformação da substância em um homem, tido como um inerme (em suas capacidades) e uma ameaça (às instituições) perante os conceitos da sociedade e do poder. Estava nosso protagonista suficientemente dilacerado exteriormente, inesgotavelmente macerado interiormente, a tal ponto de somente crer numa atuação sincera, profunda e íntima num momento inesperado. Assim se dá a mecânica dos milagres. Palavras ou teorias rebuscadas em nada lhe serviriam. Nem mesmo uma atitude pensada, calculada. Era necessário uma atitude sincera e consciente. O bispo lhe deu isso. E nunca mais Valjean - o eternamente condenado - foi o mesmo. Exceto para o inspetor Javert, encarnação perfeita do braço mais brutal do poder deste mundo: a polícia.

Durante 2 horas de projeção - rápidas como um relâmpago - acompanhamos a saga de um homem orientado e outro obcecado. O primeiro encontrou o ideal de atuação, seguindo a lei Divina. O outro se perdeu no excesso das leis humanas. E assim inicia-se uma perseguição de décadas. Sem fim previsto. Sem finalidade convincente...


Victor Hugo. Viu o telefinalismo.
E passou seu sentimento através de
uma narrativa monumental, com
personagens vivos, fora de série.
Cada cena, cada gesto, cada olhar, são reveladores. E alguns destes, inspiradores! A música capta o sentimento da alma do eterno condenado pelo mundo. Do eterno ser que sofre e ama. Chora e constrói. Um eterno batalhador pela libertação de vícios. Pela redenção. Ampara os que sofrem. Contesta os que geram sofrimento gratuito. E assim constrói sua personalidade, pouca a pouco, com suor e sangue e cansaço - mas cada vez mais convicto.

Javert é um ser que colocou toda sua crença no mundo, com todos seus métodos, leis e lógicas. Tem um conceito de ordem, é verdade. De harmonia. De sociedade ideal. Infelizmente, conceito restrito no tempo, excludente das multiplicidades desejosas de ascenderem, nem que apenas um pouco. Conceito ignorante dos efeitos de longo prazo, que se propagam como ondas com o passar dos tempos, e explodem como eventos dolorosos, sem explicação, para o mundo. Mundo tão "poderoso" e "inteligente"...O contato incessante com o outro, o "delinquente", vai sendo registrado pelo consciente do inspetor, que ignora o drama da superação. Não captou que Valjean,o homem que ele tanto busca e deseja punir, morreu após se encontrar com aquele bispo humilde...

O desenrolar dos anos tece uma obra que se torna épica. Uma obra do universo interior, com suas superações e dores, em meio a um trabalho incessante pela Salvação. A experiência interior mística intensa e eletrizante transborda na atuação ética e nos projetos edificantes. Isso é o que sentimos diante da jornada de Jean Valjean. Uma jornada bela...intensa...sincera....infinita...

Billie August consegui traduzir uma monumental obra da literatura para película. Deu vida às palavras, dando mais um passo orientado na encarnação do conceito mais elevado: o da Ascensão. E assim se aproximando (e nos aproximando) um pouco mais do infinito e do eterno, além de nossas dimensões, de nosso conceito, de nossa vivência cotidiana...E assim nos aproximamos da única e verdadeira meta: Deus.






terça-feira, 4 de julho de 2017

Duas Somas

A soma de duas quantidades dará como resultado um número predeterminado, pautado por uma férrea lógica. Isso vale para o mundo racional-analítico. Um mundo em que o método para decifrar a realidade consiste no processo de destacar as partes e/ou decompô-las em unidades compreensíveis ao intelecto. O interesse são os elementos. Neste mundo a soma é determinística. Não pode ser nada além dela mesma. Inexistem possibilidades de potencializar essa soma - ou diminui-la. É um mundo no qual a realidade deve ser adaptada ao intelecto humano - estar na sua medida. Portanto, um mundo sem conexões nem propósitos representados. 

Por outro lado, a soma de duas qualidades é indefinida à princípio. Elas possivelmente não irão dar um resultado predeterminado, e sim uma outra qualidade, que pode ser superior ou inferior. Qualidade que pode se refletir no número, claro. Porque podemos mensurar algo não-mensurável - d à princípio. Isso vale para o mundo real, pautado pela complexidade. Nele o interesse são as interconexões e - acima de tudo - o propósito. Os elementos ainda são considerados, trabalhados e valorizados. Recebem um tratamento decente, eu diria. Mas deixam de ser o eixo diretor, no qual todos conceitos, metodologias, dados, representações e melhorias orbitam. Passa-se de um mundo restrito, de resultados certos, sem alternativas, a um mundo de múltiplas possibilidades. repleto de liberdade. Liberdade bem usada se guiada pela criatividade ascensional. 

No mundo real o que domina é a qualidade.
A ciência de sistemas busca compreender
a complexidade que gera inúmeras possibilidades
sem criar nada concretamente. Eis que começamos
a perceber que o abstrato dá resultados mais
concretos do que este por si só.
Essa trindade (elementos-interconexões-propósito), que é a espinha-dorsal do pensamento sistêmico, é profundamente filosófica, apontando para o sagrado - se sentirmos do que realmente se trata. 

No volume O Sistema - Gênese e Estrutura do Universo, Ubaldi relaciona esses três atributos de sistemas aos três tipos biológicos humanos: o homem fera, o homem astuto, e o super-homem. Os dois primeiros são involuídos em relação ao último, que é evoluído em relação ao segundo; e este em relação ao primeiro. Podemos afirmar que o grau de consciência do 1º tipo é baixo, levando ao egoísmo individual violento; a do 2º tipo está na média dos nossos tempos, medido pela sua inteligência e astúcia; e a do 3º tipo é unitária, levando-o a com compreender a finalidade da vida.

Assim, podemos considerar o Universo de três modos diferentes- conforme nosso grau de consciência. Segundo Ubaldi:

"O pensamento humano pode considerar o universo de três modos diferentes:

1) Como desordenado – constituído de elementos separados, desconexos e incoerentes, que se ignoram mutuamente e não se constituem nem funcionam organicamente como uma unidade. Essa é a concepção do involuído e exprime o seu tipo, desconhecedor das profundas realidades da vida, instintivamente separatista, isolado de tudo, na concha de seu egoísmo.

2) Como ordenado – onde os fenômenos são concebidos como ligados por leis naturais, que os regulam. Esta ideia vê, assim, princípios diretivos e, portanto, uma ordem no universo, que é, pois, concebido como uma rede de relações, onde cada elemento está concatenado aos outros em seu funcionamento. Os fenômenos são coligados por derivação causal, unidos em um transformismo lógico que completa a causa no efeito. Essa concepção corresponde a um estado mais evoluído do indivíduo, que expressa o seu tipo biológico, alcança-do pela observação e raciocínio.

3) Como unitário – concepção de um universo redutível a uma causa única central e absoluta, uma realidade fundamental, origem de tudo. Aparece, assim, o conceito de uma realidade espiritual interior dirigindo a forma exterior, que constitui apenas a sua expressão ou manifestação. Não se trata somente de uma ordem, mas da centralidade dessa ordem. Revela-se, então, o conceito de organicidade do universo, em que todos os elementos componentes estão coligados em uma mesma funcionalidade orgânica. O universo é concebido, neste caso, como uma unidade coletiva, onde todas as individuações ocupam, cada uma, a devida posição, executando funções adequadas, todas coordenadas por uma lei, constituída pelo pensamento e pela vontade de Deus, que a dirige com um poder central, como senhor de tudo. O universo aparece, então, como um sistema. Essa concepção corresponde a um estado ainda mais evoluído do indivíduo, exprimindo o seu tipo, que chegou por intuição à visão de Deus e do Sistema. Aqui não se compreende apenas o conceito de ordem, como no caso precedente, mas também o conceito da centralidade dessa ordem, pelo que tudo existe em função da causa primeira, sempre o centro de tudo: Deus. Esta é a concepção do evoluído, cujo olhar espiritualizado chegou a ver além das aparências da forma. É um estado de vidência cósmica, atingido pelo espírito maduro, ao qual se revela a íntima e recôndita realidade das coisas em toda a sua magnificência."

(grifos meus)

Ou seja, podemos conceber o Universo (nossas vidas individuais e coletivas, da família a humanidade) como desordenado, ordenado ou unitário. E conforme essa concepção iremos ter uma atitude e agir em função delas, gerando o nosso destino, que tão mais valorizado (pelo Alto) será quanto mais consciente estivermos do Todo.

Fica muito clara a relação entre toda ciência de sistemas e a Obra de Pietro Ubaldi. Basta fazer uma leitura espiritual, íntima, dos conceitos. Levando em consideração os sentimentos preenchidos de boas intenções - as melhores!

O propósito forja as interconexões.
As interconexões alimentam os elementos.
Os elementos atingem o objetivo.
A complexidade é produto do livre-arbítrio. Podemos senti-lo presente em todos níveis de existência, mesmo no mundo atômico, com seu férreo determinismo. Apesar de fraquíssimo, o mundo mineral tem seu grau de consciência - a seu modo - que é baixíssimo. Á medida que subimos, passando para as formas orgânicas (vida) e desta refinamos, chegando às células nervosas e órgãos elaborados, como nosso cérebro e sistema nervoso (psiquismo), atinge-se um grau muito maior de liberdade. Aí o livre-arbítrio é mais evidente. Mas o processo continua num ritmo não-linear, em planos mais elevados. 

Nossa constituição física já chegou ao seu auge, não restando mais nada a refinar no plano material. Cabe agora o desenvolvimento das faculdades psíquicas, que abrirão as portas para o universo do espírito, cuja liberdade é infinitamente maior do que a nossa mente racional pode conceber.

Vejamos mais sobre esse 3º modo de conceber:

"Este terceiro aspecto nos mostra um universo que, embora ainda seja em parte desorganizado atualmente, está reorganizando-se; um universo que, embora em alguns pontos e momentos ainda seja hoje caótico, vive um processo de reordenação (evolução). No campo humano, esse trabalho é executado pelo homem, pelo espírito do homem, como centelha divina saída do primeiro e único motor, a única que pode ser encarregada de dar vida, movimento e desenvolvimento à matéria, por si mesma inerte e incapaz de tudo." [P. Ubaldi]

Existe uma hierarquia de comando. O princípio mais consciente, mais livre, comanda aqueles imediatamente abaixo dele, menos conscientes, mais escravos de seu estado. Isso se revela de modo magistral na vida. Mesmo numa escala de tempo que ultrapasse os limites de nossa paciência, quando percebemos que quem de fato forja o seu destino por vezes é o mais menosprezado e tido como o mais abstrato, começamos a despertar para a realidade: o abstrato age em silêncio potente e constrói (inexplicavelmente para nós) as mais altas formas de vida, organização, sistemas, ideias, por vezes em explosões vindas após uma longa incubação. Eis que o mais concreto é de fato aquilo que a mentalidade hodierna tem por abstrato - e vice-versa. A diferença está nas dimensões: o consciente supera a prisão do espaço-tempo realizando trabalhos de ascensão homéricos para subir. Ama, busca compreender, se transforma e - se possível - relata da forma mais poética e científica possível, atraindo aqueles que mais tem sede de ascensão. 

Para quem atingiu maior consciência, sua liberdade engloba melhor as circunstâncias do mundo - da qual o grosso da humanidade é refém. Somos guiados pelos de cima, que possuem liberdade para fazer valer o determinismo da Salvação, conduzindo-nos sem sabermos. Assim exercemos nossa liberdade: dentro de um determinismo maior. E assim vamos nos reordenando, milênios após milênios, até atingirmos o infinito e o eterno, rasgando a constituição ilusória do espaço-tempo e proclamando a liberdade plena, em que o espírito pode subir cada vez mais - e melhor.

É glorioso...



quarta-feira, 28 de junho de 2017

O Fim de UM Mundo (mundinho presente) NÃO É o Fim DO Mundo (mundo futuro)

Às vezes posso estar passando a ideia de que nos próximos anos nosso planeta vai ser exterminado devido à nossas atitudes coletivas grotescas - que ainda imperam. Não. O Fim de um Mundo não é o mesmo que o Fim do Mundo. 

O que está se destruindo é a mentalidade intelectiva que despertou plenamente para atuar incessantemente, em torno do século XV, no Renascimento. Essa mentalidade que despontou e começou a atuar, trazendo as mais diversas transformações, que se relacionam entre si no tempo, criando circunstâncias para outras surgirem, permitiu um desenvolvimento ímpar nos mais diversos campos. A partir daí surge o conceito de Estado moderno, de Mercados; as Ciências físicas avançam, gerando teorias no campo da gravitação, da cinemática, da transmissão de calor, dos gases, dos fluídos, dos equilíbrios dos corpos, da química, da evolução orgânica, da genética, da sociologia, da psique humana, e por aí adiante. Surge uma nova doutrina (Espiritismo), que pela primeira vez atesta a existência da vida pós-morte - a continuidade da existência. Uma primeira aproximação entre Ciência e Religião se dá. O Universo intangível do Espírito começa a ser aproximado do Universo tangível da Ciência. Fenômenos "sobrenaturais" são avaliados à luz da razão, ganhando mais respeito de certas pessoas e grupos. 

Paralelamente, a História traz as Revoluções políticas (Revolução Francesa e Russa) e econômicas (Revolução Industrial). Conceitos novos são introduzidos e proclamados - mas não praticados! Começa-se a concepção de novas formas de viver. Bertrand Russell, Paul Lafargue, William Wilberforce, Carl Jung, Victor Hugo, H.G. Wells, Benedito Spinoza, Blaise Pascal...são diversos, em todos os campos, que trouxeram à mesa uma nova perspectiva da vida. Como conceber "trabalho", "emprego", "tempo livre", "cristianismo", "monismo", "telefinalismo", "justiça social", "amor",..com histórias universais, atitudes arrebatadoras, gestos poderosos, obras formidáveis, melodias inesquecíveis, discursos eloquentes. 

O século XX trouxe à luz o que tínhamos de pior - e melhor! Duas guerras demolidoras. Desmoronamento de impérios, formas de vida; tecnologias inovadoras; salto quântico da ciência; experiências políticas inéditas; massificação de serviços essenciais como saúde, educação e segurança; composição de uma lei que reconhece direitos mínimos (ONU); a ascensão da Sétima Arte (Cinema); o Estado do Bem-Estar e sua dissolução - ao invés de reformulação -, por motivos polêmicos; a ascensão do financismo; a informatização crescente da sociedade; nossa dependência; os cultos se plasmando em outros, de forma variada (culto ao consumo, ao corpo, à saúde total, à ascensão social, à fama, às aparências,...); tudo isso e muito mais. Pela primeira vez adquire-e a capacidade de destruir a espécie (era atômica) e afetar profundamente os ecossistemas (crise ambiental). E com isso mexe-se com tudo.

Vários apocalipses houveram em nossa História de ego luciférico desperto. A destruição de Jerusalém em 70 d.C. As Cruzadas. Os Holocaustos - muitos dos quais causados pelas potências imperialistas, que plantaram o terreno para que isso ocorresse. Hoje a população da Síria está vivendo verdadeira destruição. 400 mil mortos e mais de 5 milhões de refugiados. Essa situação se cria a a partir da interferência de agentes distantes. 

O Estado Islâmico (ISIS) não surge do nada. Não surge porque muçulmano é do mal; árabe é assim. Ele começa a surgir a partir da invasão do Iraque pelos EUA e seus seguidores (ingleses e cia), que desestabilizaram a região, alterando a geopolítica local, causando mortes e instabilidades. Colocando um governo "democrático", que nada mais é do que um parlamento fantoche que cumpre diretrizes de governos dominados pela lógica financeira e petrolíferas. Uma democracia de fachada, submissa aos interesses do capital - não do povo, da cultura, da natureza. Eis o motivo das invasões e guerras: domínio, seja ele militar, econômico ou ideológico.


E então? O que está ocorrendo no mundo? Um processo de transformação de proporções e consequências nunca vividas pelos habitantes desta orbe (Terra). Vários ciclos estão sendo finalizados nesse período. Ciclos de sistema político falido (democracia parlamentar representativa), de sistema econômico falimentar (capitalismo financeiro), de ideias caducas (consumo é meta final, sociabilização à todo custo, corpo sempre em forma), de relação com as entidades evolutivamente abaixo (atmosfera, oceano, águas, solo, minerais, vegetais, animais) e acima (conceitos elevados, santos, místicos, gênios, heróis, anjos) de nosso consciente. Dentro de nossa própria psique, essa relação entre consciente-subconsciente e consciente-superconsciente começa a ficar mais evidente, mais transparente, e com isso gerando reações de incômodo. Vê-se qual é o único caminho. O caminho a ser enfrentado corajosamente, com criatividade ímpar. Com otimismo propulsor e orientado e pessimismo estabilizante e integrador. 

Precisamos superar o modo de conceber a vida, as relações. Criar novas relações mentais em nossas mentes. Praticar isso, num grau mínimo, em nosso cotidiano. Recusar o que não mais sentimos ter valor, em nosso íntimo, sem medo de sermos mal vistos. Buscarmos as ferramentas do mundo (estudo , retórica, atitudes, escrita, criação de cursos, formas de falar, de escolher produtos, serviços, amigos, maridos e esposas) para sustentarmos esse ímpeto de ascensão que brota vulcanizante, sem aviso, de nossos poros espirituais. 

Quero deixar isso claro. Porque a destruição da forma só é vista de forma pessimista por aqueles que de fato não creem em algo que vá além dessa forma. Quem sabe que a consciência é indestrutível não se deixa levar pelo desespero. 

Até as ideias podem caducar, mas jamais o ideal. Ele é o motor propulsor que reside em nosso interior. Resquícios do Sistema no Anti-Sistema. 

Rumo à Transformação planetária !

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O Advogado de Deus

É preciso ter coragem. Coragem consciente. Coragem insistente. Coragem que se transforma, se refazendo de várias formas a cada conquista e - sobretudo - derrota. Refazer não é se desviar, e sim reformular, baseado na memória crescente das experiências. Memória que se combina com outras, e acaba exigindo sempre uma nova interpretação - e consequentemente novos meios de ação. Por isso eu percebi: a História é viva, porque os eventos e movimentos passados sempre se modificam com o passar do tempo. À medida que se incrementa tempo, com seus períodos de estabilidade e revoluções, ao grande livro da História, passa-se a ter uma visão mais profunda do mesmo acontecimento passado (o que aquilo significou? como foi de fato? porque as pessoas foram levadas a fazer aquilo? como foi possível?...).

Existem diversas coisas a serem defendidas neste mundo. Mas acima de todas, há UMA ENTIDADE que sustenta todas c: Deus

Por simples lógica, Deus não precisa de defesa. Pois Ele está acima de tudo - do Bem e do Mal. No entanto, em nosso universo físico, produto da Queda [1], nos encontramos numa situação de transformação ininterrupta. Um vir-a-ser que destrói e reconstrói usando as forças da vida, que animam as criaturas em busca da perfeição perdida - ainda que relativa. Nesse Universo reina a dualidade, característica do Anti-Sistema (AS) [2]. E isso faz com que haja a necessidade de, mesmo que exista um Ser mais conectado ao Sistema (S) do que ao AS, esse Ser deva atuar usando elementos do AS - incluindo parte de sua lógica - para conseguir inserir elementos do S de forma progressiva e efetiva nas mentes e corações - daqueles que buscam sinceramente mas não sabem nem o como nem o porquê de realizar essa busca. Busca dolorosa. Busca ingrata. Busca solitária. Busca infinita dentro de um mundo finito...

"Pietro Ubaldi era (é) o Advogado de Deus." 
Frase dita por minha esposa - que está lendo o volume "O Sistema". 

De fato, uma excelente colocação! Primeiro porque ele se formou em Direito pela Universidade de Roma. Era portanto seu métier. Segundo porque toda sua Vida - que de tão sincera e intensa acabou sendo derramada em sua Obra - foi uma defesa ininterrupta, criativa, ousada e infindável do conceito de Deus e todas suas consequências, penetrando na arena da Ciência, da Arte, da Filosofia e da Religião; da Política e da Economia; das Famílias e dos Indivíduos; destes e seus Destinos; da Sociedade e seu Destino coletivo; do Livre-arbítrio e do Determinismo; do Átomo ao Anjo. 

O Advogado de Deus - usando um
finito para elevar-se ao infinito.
Em Ubaldi, Vida e Obra se fundem numa Unidade harmônica e compacta, sintetizando a luta infindável pela ascensão num mundo que impede qualquer tentativa de superação. É impressionantemente assustador - para quem se prende firme a este mundo e goza nele. E assustadoramente impressionante -  para quem anseia por algo a mais, apesar de viver aqui. Mas a sensação é a mesma, quer você se regozije, quer você sofra aqui: impressionar-assustar.

É preciso que se entenda do que se trata - sem o qual será difícil seguir em frente com certo interesse. Não poderei fazer isso sem usar fragmentos de minha própria vida como referência, de forma a mostrar o quão impactante está sendo essa nova visão. Visão mais vasta e poderosa do que qualquer outra. 

O Obra é regida por um transformismo profundo, que encanta por aquele que já sofreu bastante e cuja alma já atingiu suficiente grau de maturação evolutiva, estando com os poros intangíveis abertos para receber certos tipos de vibrações intangíveis. 

"É horrível repetir-se, permanecendo estagnado em determinado campo. Somente quem se renova, vive. A constante especialização no particular poderá ser materialmente útil, mas é paralisia do espírito." [3]

É exatamente o que eu venho percebendo ao longo da vida. A questão é: até que pontos essa especialização no particular pode ser materialmente útil? Sabemos que mesmo no reino da matéria existem limitações - e que superá-las no momento adequado é sinal de bom-senso, ou mesmo salvação, a depender do ponto em que nos encontremos. 

"Por isso, no presente trabalho, o protagonista, mesmo não sendo sempre vitorioso, apresenta-nos o modelo ideal de um homem que busca, num trágico esforço, elevar-se, em clara oposição ao tipo normal, que, possuindo qualidades bem diversas, está ligado estaticamente à Terra e deseja ele próprio, somente por força do número, tornar-se o modelo da vida." [3]

(grifos meus)

É de fato uma luta entre o número que faz barulho e até prova superficialmente, e o ponto que se silencia na superfície mas escava profundamente. Essa é a Grande Batalha entre o ideal encarnado e o mundo. 

A própria concepção de Estado, transmitida por pela "Voz", dá uma ideia de quão longe estamos de chegar a um estado orgânico:

"O novo Estado tem que possuir o monopólio da força, pois, embora ela seja uma necessidade de vossa vida involuída, a privação do seu emprego por parte do indivíduo já constituirá um progresso, porquanto o seu desuso enfraquecerá os instintos antissociais. Esse Estado, que não pode ser agnóstico, deve ter resolvido os maiores problemas do conhecimento, pois precisa ter uma concepção ampla da vida, para fazer o indivíduo compreendê-la e colocá-la em prática; deve saber compreender o homem, seus instintos e seu destino, penetrando o mistério de sua personalidade, a fim de poder colocá-lo em seu lugar e obter dele o máximo rendimento. No princípio, o centro realizará um mero enquadramento de massas, porém no futuro ocorrerá a fusão de almas. Nesse Estado, Deus é imprescindível, assim como o conhecimento de sua ordem divina, cujo funcionamento a ciência deve demonstrar, para que, nessa ordem, o Estado encontre suas bases racionais. Concepção imensa de uma fé social e científica, da qual participarão em paz todas as religiões. Este é o Estado da nova civilização do Terceiro Milênio."     
A Grande Sìntese - Cap. 98

(grifos meus)

O que ocorre é muito sutil. O Estado, corpo supra-humano nascido há menos de 8 séculos - está em evolução e muito longe de atingir sua forma ideal, que permita a evolução coletiva, combinando produção orientada e distribuição moderada. É aí que reside a arte de auxiliar o ser humano em sua jornada, nem tolhendo suas potencialidades criativas, nem garantindo liberdades degenerativas. O Estado do futuro - séculos e milênios à frente... - será um corpo que garanta aos indivíduos meios para manifestarem e desenvolverem suas potencialidades latentes, à seu ritmo, do melhor modo, com estímulos proporcionais às suas capacidades. 

Qual a função das classes sociais nesse caminhar que culminará nesse destino?

"A tarefa das classes não é eliminar uma à outra, mas sim compartilhar os frutos da mesma civilização, encaminhando-se para a compreensão recíproca. A tarefa da classe dirigente não é dominar, mas sim educar a plebe tumultuada – velho instrumento de vinganças, chamariz dos astutos e muitas vezes vítima das repressões, mas sempre massa ignara, amorfa e cega – para transformá-la num povo que saiba como conquistar uma consciência coletiva mais elevada."

Sobre o cálculo de responsabilidades, mais conceitos fuzilantes:

"A vida contém e pode produzir valores eternos. Sua finalidade é enriquecer-se deles cada vez mais. A vida tem um objetivo, e vós, depois de haverdes aprendido a produzir e entesourar nas formas caducas da Terra, tereis de aprender então a produzir e entesourar na substância, na eternidade. Para educar, é indispensável repetir, a fim de que certos conceitos superiores sejam assimilados e gravados no íntimo turbilhão do psiquismo."

Eis a necessidade da constante repetição. Sob formas variadas. Em tempos diversos. Por forças diversas, que mesmo agindo em escalas, camadas e domínios diferentes, obedecem à Lei de Deus.

Não temos gravados em nossa alma uma síntese da vida suficientemente forte para guiar-nos nesse mar de dualismos infernais que nos seduzem, perturbam e desgastam cotidianamente. Esse dualismo que dentro de nós está e deve ser combatido primeiramente nesse campo, minimamente, antes do início de qualquer trabalho externo - também necessário, mas consequência do Trabalho-Mor. 

Quando li o capítulo final (Despedida), pela 1ª vez, me desmontei na minha pequenez. De fato...eu nem ninguém que escreve, que pensa, que faz,...ninguém realmente atinge o vértice das concepções se fica no plano do mundo. Poderá fazer coisas impressionantes e admiráveis. Mas nada incrível, que faça chorar e abale o espírito, incendiando cada momento de sua vida. Cada aspecto. De qualquer um.

Quando cheguei ao fim eu concluí com a mais férrea certeza de minha vida:

"não foi uma entidade deste mundo que emitiu esses conceitos...essas palavras..."

Um advogado muito singular, que para cumprir sua função deve estar sintonizado com o infinito, e passar a ideal para palavras e conceitos assimiláveis pela nossa restrita mentalidade hodierna.

E mesmo assim serão necessários milênios e milênios para absorvermos tudo, em sua integridade.

Milênios e milênios...


Referências:
[1] Queda e Salvação
[2] O Sistema: Gênese e Estrutura do Universo
[3] História de um Homem

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Reta Final

Temos ainda 3 aulas. 3 dias. 3 momentos. 3 oportunidades. 14, 21 e 28 de junho - data de apresentação do Trabalho Final. Após isso o curso terá cumprido sua função.

Duas alunas vieram ontem - mais meu colega ouvinte. Mas sentia-se que a sala era sondada pelos alunos dos cursos técnicos. Com certeza trata-se de curiosidade superficial. A fascinação pelas coisas deslocadas do horário normal - pelos eventos quase desertos, pelas coisas diferentes, feitas de maneira diferente, com objetivos diversos; feitas livremente, num espaço onde indivíduos se juntam por livre adesão - é muito grande. Mexe com o imaginário.

Nesta aula finalmente chegamos aos Pontos de Alavancagem. Baseado em todos conceitos e ideias apresentadas nas últimas aulas, iniciamos uma escalada ascensional dessa pirâmide, que parte das atitudes e ações de superfície, - mais triviais - subindo gradativamente, pouco a pouco, exemplo por exemplo, história por história, até chegarmos ao vértice virtuoso e voraz que vivifica a vida e varre a vileza como o vento. Ascensão conceitual.

À medida que se sobe na pirâmide as coisas se tornam mais interessantes. As ações e posturas são mais efetivas, significando que a mudança de algo no sistema - ou nele próprio - será mais poderosa, se propagando ao longo do tempo, e se difundindo, reproduzindo e elaborando nas mentes e corações dos seres.

A hierarquia de alavancagem de Meadows, do menos efetivo ao mais poderoso, é:

1. Números
2. Reservas
3. Estrutura de Estoques e Fluxos
4. Atrasos
5. Realimentação Negativa
6. Realimentação Positiva
7. Fluxos de Informação
8. Regras
9. Objetivos
10. Auto-Organização
11. Paradigmas
12. Transcendendo Paradigmas

É importante destacar que ações se superfície, com efeito imediato, - mas fraco e insustentável - não são completamente descartáveis. A questão é não basearmos todas nossas atitudes nelas, o que nos leva a cair num ciclo vicioso estagnante e sem sentido. Eis como a mente humana funciona, em larga medida.

Outro ponto a destacar é o seguinte: podemos fazer alterações a nível mais profundo (ex: mudança de regras) e no entanto com isso causar uma piora no rendimento geral do sistema - um exemplo disso é o que está ocorrendo em nosso país nos últimos meses. Alteração profunda de vários parágrafos e seções da Constituição de 1988 envolvendo Direitos Trabalhistas, A Previdência Social, os "gastos" (investimentos) em Saúde e Educação, a Terceirização - entre outras "reformas" de caráter escuso.

Por esses dois motivos é preciso tomar cuidado ao observarmos e compreendermos como, por quê, quando e de que modo podemos (e devemos) alterar sistemas.

Enquanto passava pelos pontos, fui puxando exemplos que me vinham à cabeça. Tive a oportunidade de comentar o momento político atual, e os paradigmas ao qual a corrente de pensamento que muitos economistas seguem - estes geralmente são convidados pelos grandes meios de comunicação para darem suas opiniões acerca da economia, pois são "sérios"..Passei novamente pela importância das reservas, explicando que ela foi uma das causas mais importantes (talvez a mais) para o surgimento das civilizações. Citei algumas referências - filmes que assisti, documentários, cafés filosóficos,... - para enriquecer e fazer as pessoas buscarem algo a mais.

O próximo passo é continuar essa subida. Na aula que vem chegaremos ao vértice (item 12), que irei exemplificar através da exibição de uma formidável cena de um grande filme - que mostra a transformação...o despertar...de um dos maiores revolucionários de nosso mundo: Francisco de Assis.



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dia 10

O curso vibra. Introduzi novos conceitos. Repassei sobre outros, trazendo-os à tona novamente. É tudo cumulativo, interdependente, simultâneo. Como fazer isso num mundo sequencial? Retomando e relembrando. Exemplificando e explicitando. 

Mostrei o que é evento, comportamento e estrutura. Revelei como os grandes meios de comunicação estão presos - ou melhor, prendem seu público, as pessoas - à lógica do raciocínio evento-evento. São as notícias que mostram eventos descontextualizados no tempo e no espaço, sem relação com outros fenômenos. São entrevistas direcionadas e de duração determinada (por quem?). São distorções de discursos retos e profundos, amplificações de miudezas, omissão de importâncias substanciais. Eis a mídia dominante, que se autointitula de "opinião pública" - maior piada ainda está prestes a ser lançada...

Antes disso mostrei as três características principais de Sistemas Complexos: resiliência, auto-organização e hierarquia. Vejamos pormenorizadamente do que se trata.

Resiliência:


Por mais adversas que sejam as condições, formas de
vida resiliente conseguem se perpetuar. Ou se
recuperar após um certo tipo de devastação.
É o ato de um sistema, uma vez perturbado por um agente externo, - seja físico, orgânico ou psíquico individual ou coletivo - ser capaz de retomar ao seu estado precedente, original, sem alterações profundas. É continuar sua trajetória sem desvios permanentes devido a esse impacto. 

Nas ciências físicas, temos os materiais, cujo comportamento sobre tração, compressão, flexão, torção, fadiga, fluência, entre outros tipos de cargas, podem ser variados, a depender de sua natureza. Se aplicamos uma força numa barra, dobrando-a, e essa, após deixarmos ela livre, voltar ao estado original, dizemos que ela possui uma resiliência dada pela sua capacidade de voltar ao estado original - ou algo próximo - mantendo sua estrutura interna intacta. Daí se vê que resiliência se relaciona com elasticidade. 

No mundo biológico podemos ver o mesmo fenômeno de forma mais elaborada. A vida apresenta seu grau de resiliência conforme é capaz de resistir a agentes invasores (vírus) e sabe conviver com certos organismos (bactérias, por exemplo), sem causar desvios gerais nos seus mecanismos de funcionamento. A lógica permanece intacta, o organismo permanece são em geral. 

No campo psíquico observamos o mesmo fenômeno. Uma pessoa é dita resiliente quando consegue retomar seu estado de humor ou força ou ânimo após sofrer um certo abalo, desde o mais miúdo (escorregar num dia de chuva, ouvir um xingamento no trânsito) até o mais impactante (perda de um parente, uma doença, uma demissão, uma separação). Quanto melhor suportar algo de maior intensidade, maior sua resiliência. 

Auto-organização:


O floco de neve constróis sua estrutura a partir de uma
lógica simples de auto-organização, por vezes baseada
em um algoritmo natural - e automático, portanto -
simples. 
É a capacidade que os sistemas possuem de se ordenarem de modo diverso ao qual vinha sendo reproduzido, criando um ambiente de maior heterogeneidade e - consequentemente, imprevisibilidade. Com isso as possibilidades começam a aumentar. A depender do tipo de variedade e incerteza, poderíamos calcular com certo grau de exatidão, qual o aumento das possibilidades. 

Com esse aumentam cria-se um campo em que podem surgir (não há garantia) novas estruturas que, se consolidando, irão apresentar comportamentos característicos, que se manifestam em eventos. 

A liberdade e experimentação, até um certo grau, são condições indispensáveis para se ter um ambiente que leve a essas novas estruturas. Vemos isso em larga quantidade na natureza, que já atingiu seu estado de perfeição há milhões de anos. Resta a nós, humanos, em jornada evolutiva, desenvolvermos essa capacidade. Nossas organizações refletem o que somos em sociedade e em família. E como indivíduos: negando a transformação. De que? De atitudes, de comportamentos, de regime alimentar, de visão de mundo, entre outras. Para melhor, claro. Transformar significa progredir para se aproximar de uma meta, tornando seu relativo mais resiliente devido à sua capacidade de ter se auto-organizado de forma inteligente. E após essa evolução substancial, deve-se reordenar a hierarquia do sistema.

Hierarquia:
Todo sistema se organiza em hierarquia. A humanidade,
com seu corpo social na infância (ainda), procura seguir
esse princípio. As demolições e reconstruções só revelam
que nossos sistemas hierárquicos estão longe de serem
justos - e portanto serem capazes de gerar paz e evolução
a todos sujeitos que compõem ele.

É a estrutura do Universo (e além). É como as coisas funcionam de modo eficiente. Está presente em tudo, desde os átomos até as galáxias. Desde os seres unicelulares até o ser humano. Desde as ideias mais simples até às teorias mais complexas. Desde as vilas mais primitivas até as megalópoles mais movimentadas e globalizadas.

A hierarquia surge com a especialização. Como a tendência do ser humano é se especializar cada vez mais, de acordo com suas qualidades intrínsecas, deve-se ordenar essas variedade enorme num sistema hierárquico que faça todos trabalharem da melhor forma possível em prol de um Todo. Que Todo? Eis a grande questão, que vos deixarei no vosso colo para que posteriormente possamos trabalhar isso mais à fundo. 

Outro tema retomado - de forma mais exemplificada - foi lineridade e não-linearidade. Basicamente um é o complemento do outro. Mas existem alguns pontos para que possamos deixar mais claro tudo.

As Jornadas de Junho (de 2013) são exemplo de um
fenômeno social, não-linear, cujos desdobramentos
não somos capazes de prever, por mais base
de dados que tenhamos em mãos, por mais instrução que
 tenhamos acumulado, por mais inteligente que sejamos.
Primeiro:
Levando em consideração de que todos fenômenos que ocorrem, se observados em sua integridade, - ou seja, com todas hipóteses desconsideradas - não apresentam um comportamento previsível, isto é, linear, chegamos à conclusão de que a linearidade é uma abstração da mente humana que visa sobretudo simplificar o universo fenomênico circunjacente de tal modo a viabilizar a compreensão de tudo que nos cerca exteriormente. E que possamos assim começar a construir, sistematicamente e minimamente orientados tecnologias e teorias e culturas, para ganharmos domínio sobre as intempéries.

Segundo:
Á medida que descemos de níveis, - passando das supremas ascensões humanas, campo em que o psiquismo leva o corpo físico à exaustão para construir em planos mais elevados, imateriais, em que o espírito anseia viver de forma contínua, para o nível biológico, com sua forma vida vegetal e animal a nível basicamente instintivo, descendo ao campo das ciências fisio-químicas, onde reina os elementos atmosféricos, oceânicos, geológicos e forças e fluxos de diversas espécies (gravitacionais, de contato, magnéticas, elétricas, térmicas, hidráulicas, etc) - vamos tornando as aproximações lineares mais fiéis à realidade não-linear. Vejam que essa descida é igualmente não-linear, ou seja, inexiste uma proporcionalidade à medida que estudamos fenômenos cada vez mais determinísticos. Com isso se explica o porquê de todo nosso arcabouço lógico e matemático, com sua simbologia e métodos, serem muito eficazes para descrever certos fenômenos - mas pobres para definir outros.

Mesmo a nível físico, percebe-se que a não-linearidade permeia os estudos. A única alternativa que resta é decompormos certo fenômeno a intervalos de tempo suficientemente curtos e/ou desacoplar-ignorar fenômenos (hipóteses), para viabilizar simulações.

Posteriormente pretendo descer cada vez mais nesse campo, desenvolvendo demonstrações analíticas que comprovem efetivamente essa visão.

Outro tema foram as fronteiras inexistentes:
Além disso, observando à fundo, iremos nos dar conta de que natura non facit saltus ("A Natureza não dá saltos", Leibnitz), uma afirmativa imponente que foi obtida empiricamente, através de observações infindáveis em todos campos das ciências físicas e biológicas. Ou seja, tudo que existe em nosso mundo real, seja tangível ou intangível, possui uma natureza de continuidade. Inexistem alterações que sejam instantâneas. De tal forma que a mente humana não é capaz de estabelecer fronteiras claras e definitivas entre fenômenos, áreas do saber, sexos, correntes filosóficas, sistemas políticos, noções de público e privado, etc. 

Chegamos a tangenciar camadas limites, que nada mais é do que a restrição imposta por um determinado agente, essencial para que um process ocorra, devido à sua carência. Isso é sentido quando observamos uma reação química de combustão (por exemplo), na qual a carência de combustível (diversos tipos de hidrocarbonetos) ou comburente (oxigênio) em relação ao seu elemento reativo irá restringir o quanto de energia será obtido como produto.

Isso também se vê nas receitas. Para fazer pão italiano é necessária uma quantidade x de farinha de trigo, y de fermento biológico, u de água morna e w de sal. Se temos carência de um destes elementos (x-n, y-n, u-n, w-n, com n<0), não teremos uma receita ideal. Eis que um único elemento faltante ou fora de equilíbrio com o conjunto prejudica o produto final de uma combinação. Seja ela uma receita, uma plantação, uma reação química, uma instituição, um movimento social, uma religião, uma escola, etc.

Resta na próxima aula comentar sobre Racionalidade Limitada e Atrasos Ubíquos.

A partir daí iniciar-se-á o aspecto mais místico-unitário do curso, culminando na  exibição de um dos grandes filmes do século XX, que retratou a gênese de um santo chamado Francisco.

Desmoronamento

Estamos prestes a adentrar numa ditadura neoliberal plena, oficializada, de proporções inimagináveis.

O futuro de todas pessoas está em grande e grave risco.

Não dá para confiar nos grandes meios de comunicação. O Jornal da Cultura já sofre manipulação há 2 ou 3 anos - demissão de Vladimir Safatle e Carlos Novaes revela isso. Roda Viva igualmente - que virou um apêndice das forças neoliberais para divulgar o que lhes interessa.



Globo e Veja, e Estadão (entre outros) nem se fala...manipulação das mais maquiadas, que se escondem no intelectualismo barato para justificar tudo que levara o país a uma convulsão. São décadas de manipulação descarada, apoiada em teorias que se revelam ultrapassadas, em ideais invertidos e distorcidos, em discursos simplórios e superficiais - que infelizmente captam o imaginário de muitos, deixando-os quietos perante as barbaridades cometidas pelos bancos, pelos mega-empresários, pelos que vêem o lucro como meta suprema da vida. Esses são de fato os demônios que personificam o plano do diabo. Diabo é esse instinto nefasto a ser eliminado em cada um de nós. Esse senso de distração - tão alimentado pelas redes sociais e meios de comunicação convencionais. Diabo é a desigualdade além da conta...

Uma diferença de renda de 4:1 seria mais do que saudável para o desenvolvimento e democracia.
Democracia e Capitalismo são excludentes a partir de certo ponto. Nós passamos desse ponto há algumas décadas. Alguém há de perceber isso a fundo...

Por que tamanha teimosia em adiar o enterro do que já está morto (capitalismo-neoliberalismo)???

Será que ainda estamos dispostos a regurgitar o que foi nos enfiado na cabeça? Aqueles discursos simplórios de que qualquer alternativa ao modo convencional de pensar e "sentir" é "do mal"? Experiências que não devem ser repetidas - de outra forma. Será que iremos acordar a tempo? Não sei...


O neoliberalismo faliu e há forças que desejam que essa falência seja repassada para a sociedade produtiva e os ecossistemas. Mas mesmo assim um abalo profundo virá antes que possamos nos dar conta - neste século ainda...

Vivemos em desequilíbrio com todos níveis de existência. Queremos nos garantir até o colapso global e simultâneo, porque estamos no aconchego das mínimas garantias - por enquanto. Mas não se iludam: as reformas irão corroer, cedo ou tarde, nós e nossas famílias. E junto, nossos planos de vida e de felicidade.

Quem consente com o mal se torna devedor.
Quem combate o mal, mesmo se destruindo em prol da consciência, se eleva.
Que caminho iremos seguir?

Queda e Salvação.

P.S.: assistam aos vídeos antes que sejam retirados (inexplicavelmente) deste espaço.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Como Seria a Transição para o Outro Lado.

Há mais ou menos um mês fui ao parque fazer exercícios. Eu não havia comido meu pão com manteiga matinal - apenas duas bananas com aveia e mel. Sem sal. "Um dia apenas", pensei. Não deve fazer mal. 

Ao chegar iniciei as atividades. Estava um dia morno. Sol saindo. Poucas nuvens. Bem agradável. As árvores ao redor. As crianças brincando e alguns velhos aproveitando seus dias agradáveis dos anos finais em liberdade simples em meio à natureza. Nada de mais, tudo de bom. E eu, jovem (ainda), aproveitando esse intervalo de tempo para me manter minimamente são. 

Os exercícios que faço servem única e exclusivamente para uma coisa: fortalecer certas regiões do corpo para aliviar o peso sobre minha coluna. Mais uns minutos para tonificar um pouco. Fora os alongamentos, para evitar engessar movimentos e dar flexibilidade física. Gasto uns 30~40 minutos. Tempo precioso nos dias atuais, em que a tecnologia, se não nos seduz, nos consome a cada momento. É preciso se desconectar - o que faço ao sair nas ruas para ir ao mercado, à feira, ao conversar com pessoas, e à noite, quando assisto a filmes e produzo ideias e textos.

Mas voltando aos exercícios...

Estava trabalhando duro nas atividades. E quando me aproximava do fim senti um certo desconforto. Nesse momento já sentia o que iria acontecer. E mais: já sentia (mas não tinha certeza) de que, por mais que eu tomasse alguma atitude, o que fosse acontecer aconteceria, inexoravelmente.

Quando observo isso me dou conta de que sistemas funcionam dessa forma. A partir do momento em que algo (organismo humano) está debilitado de um nutriente fundamental (sal, NaCl), e falta-lhe água (H2O), inicia-se um apagão geral. Nada que se faça pode impedir, exceto tempo, alimentação e ingestão de muita água ou suco. Aliado descanso. Pode-se no máximo preparar-se para o que está por vir. Deve ser assim que se dará o colapso do nosso sistema econômico e organização sócio-política - só que em grande escala, de forma mais complexa.

Eu me sentei num banco e comecei a respirar profundamente. Já não ouvia bem os sons ao redor. Transpirava cada vez mais. Escorria suor frio pelo corpo. Pelas costas, pela testa, pelas pernas, pelos braços, pelo peito, pelo pescoço, pelos pés,...É uma sensação bem desagradável. Uma espécie de ânsia de vômito, na qual sabe-se que este nunca se realiza porque trata-se de algo de outra natureza (causa), porém com alguns sintomas superficiais semelhantes. 

Continuei respirando. Me apoiei bem no banco, na esperança de me recobrar. Mas logo me toquei: havia exigido demasiado do organismo (povo), sem dar nada a ele (direitos, pontos de sustentação, mecanismos de desenvolvimento). O processo se desencadeava automaticamente. Agora era o automatismo sábio - e cruel - da natureza a guiar-me, com toda sua crueldade e eficácia. Quem permitiu isso foi minha falta de uso da racionalidade (comer o pão de manhã), por excesso de confiança.

Os sentidos desapareciam. Um por um. A visão se amarelava. Os sons ficavam cada vez mais difusos, sem lógica. Apenas barulho, em intensidades que não correspondiam ao que de fato estava sendo emitido. Mais amarelo. Piscava. O suor era intenso. Parecia estar perdendo litros de água por minuto. O corpo não mais se sustentava, nem sequer sentado. O desespero chega ao máximo, sem que eu possa falar, ou me mover. Nem sequer soltar um ruído. 

Nada de cheiros. Nada de nada. Perdera a vista. Ficara sem ouvir nada, exceto os sons da mente. Sons que começavam a parecer diferentes daqueles captados pelos sentidos - seria uma transição. Interessante mas desesperador! Oh crueldade da natureza sábia e automática! Oh idiotice da mente racional! Oh...

Desmaio: um ensaio da transição vida orgânica, material,
 e vida livre, espiritual
Prestes a perder tudo, comecei a ouvir coisas agradáveis e ver nitidamente coisas interessantes - das quais agora não me lembro. É como se eu estivesse a viver num plano mais alto. Uma vida muito mais agradável. Os "sentidos", durante esse estado de falência orgânica - mas não espiritual! - pareciam estar captando tudo de agradável ao redor. Era muito bom...muito muito bom mesmo! Por um momento parece que se passaram horas de uma existência agradável. Nem sequer memória do que acontecera há pouco. Algo difícil de explicar. Estava me deleitando na paz e tranquilidade de um ambiente que não sabia descrever. Era real? Parecia real. Tudo tão tangível. O desmaio...tudo...toda minha vida antes, meus 32 anos...devem ter sido esquecidas. Tão agradável a sensação.

E fui flutuando...

Num dado momento comecei a sair daquele mundo. Como se estivesse escorrendo por um ralo. E assim que comecei a sair de lá - onde quer que seja - a sensação de cansaço e tontura e suor voltaram. Sentia o suor frio, a vista e audição ruins (mas retomando) e os movimentos frouxos, aos poucos se desenvolvendo. Pessoas ao redor. Oh...pensei. Fora tudo um momento breve. Uma senhora perguntou se eu estava bem. Disse que sim. Ela disse que seu sobrinho tinha o mesmo problema (desmaios). Fiquei impressionado ao retornar. Fui me recuperando. Mas demorei mais de 4 horas para voltar a 100%.

Na casa do meu pai bebi muito, muito suco. Depois comi - mas com dificuldade. A comida facilmente secava minha boca. A tontura perdurou por horas. O corpo precisava de repouso. 

Assim deve ser a sensação de passar para outro plano de existência. A vida desmaterializada, temporariamente, até voltarmos novamente. Desespero na transição - tranquilidade quando plenamente terminado o processo. Pelo menos para quem vê que a existência nesse mundo é muito árdua no estágio atual. É de fato algo muito peculiar. Uma experiência diferente que dificilmente conseguimos captar e descrever com precisão. Mas a sensação marca a pessoa. 

Esse foi o 3º desmaio em minha vida - por esforço extremo ou me levantar de repente após horas deitado. Perde-se os sentidos e capacidade de atuar. A mente não é oxigenada. Resta o universo desconhecido, do espírito.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Dias 8 e 9

Decidi passar algumas partes (de modelagem por equações diferenciais). Como o público não viu o conteúdo, preferi omitir uma parte. Assim poderei priorizar a parte final da matéria, que traz conceitos mais intuitivos a respeito de sistemas complexos. 

Nas próximas semanas irei mostrar exatamente o que é evento, comportamento e estrutura em sistemas. Direi o que é uma ação baseada em eventos e baseada em comportamento, diferenciando ambas. Irei mostrar erros comuns cometidos por leigos e (particularmente) especialistas ao analisar sistemas e propor soluções. Na parte final irei listar uma hierarquia de pontos de alavancagem para alterar sistemas - baseado na lista de Donella. Irei desde as ações mais fáceis e de menor efeito até aquelas mais difíceis (porém, de certa forma, simples) com efeitos profundos. O ponto máximo (maior alavancagem) será coroado com a exibição de um trecho de filme que exemplifica muito bem o que significa transformar profundamente um sistema.

Percebi que o curso, se for ofertado novamente, precisa de uma carga horária ligeiramente maior. Ou um público que já tenha conhecimento de alguns conceitos e uma base matemática de curso superior. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Jessé: uma maior aproximação da verdade

O bem e o mal está dentro de cada um de nós. Eu afirmo isso porque percebo isso. Jessé de Souza afirma igualmente isso. A entrevista abaixo provavelmente pode desaparecer "acidentalmente" - nesse caso recomendo que vá direto ao link ou outro link e busquem - como já percebi que ocorreram com alguns links de uns vídeos que coloquei. 


Jessé faz um diagnóstico profundo do golpe em curso em nosso país, explicitando o que não é colocado em pauta nas rodas sociais, nos ambientes de trabalho, nas mesas das famílias, nas conversas íntimas.

Ele explica de forma clara como o discurso é distorcido da forma mais perversa.

O mal usa a insatisfação - seja individual ou coletiva - para canalizar uma energia que clama por melhoria (infelizmente apenas local) para servir a seus interesses. Cria-se uma narrativa cujo início já é falso. Mas ninguém se dá conta disso. Uma vez que a insatisfação começa a entrar em destaque, muitos seguem e aproveitam o momento.

Existem aqueles que viram a oportunidade de externalizar seu ódio às pessoas e etnias que começaram a se tornar mais autônomas, menos dependentes da "bondade" de seus patrões. Esses viram a oportunidade de fazer isso "elegantemente" quando encontraram a isca - oferecida pela mídia, que se relaciona descaradamente com o sistema financeiro: a corrupção. De um único partido. De uma única ideologia. De um único sujeito. De um único momento. Visão fragmentada, pasteurizada, de forma a satisfazer o consumidor raivoso e preocupado em manter seus bens e seu modo de vida pautado por uma expansão na horizontalidade profana, negante de qualquer fragmento de verticalidade cósmica. 

Existem os ingênuos, "cultos", que não saíram às ruas mas achavam bom o que estava ocorrendo. Acreditavam - ou ainda acreditam - na lógica de remover "privilégios" para o país se modernizar. Creem nisso com tanto afinco que não se incomodam com horrores que famílias, povos, meio-ambiente possa passar - contanto que não afete sua pequena vida pautada por uma rotina incessante de trabalho alienado e consumo conspícuo. 

Finalmente temos uma pequena parcela de pessoas com certo grau de consciência, que percebem um pouco mais à fundo do que se trata realmente. Elas começam a sentir o transformismo que rege o fenômeno humano, e jamais se julgam estar com todas respostas. O vídeo acima se dirige a essas pessoas.

O vídeo abaixo revela o verdadeiro porquê da PEC 241 / 55 - também chamada da pec do fim do mundo.



A dívida pública ocorre em larga medida porque as mega-corporações, conjuntamente com o sistema financeiro, sonegam impostos. O Estado, sem recursos justamente por essa evasão fantástica, deve pedir emprestado aos ricos (esses mesmo que sonegam, e corrompem, pois ambas estão profundamente relacionadas), que emprestam a juros exorbitantes, aumentando ainda mais a dívida do setor público, que se torna refém de uma lógica perversa que força todas (ou quase) instituições democráticas a seguirem o caminho mais "sensato", que é degradar e calar o povo. Degradar duas condições, extrair mais, enganar mais e calar as manifestações e questionamentos por meios ilegalmente legais e legalmente ilegais (repressão, mídia altamente parcial, com pesquisas tendenciosas e programas alienantes).

A humanidade não irá progredir enquanto as pessoas não enxergarem a seriedade dos acontecimentos.

Estamos indo rumo a um caos justamente pela nossa inabilidade em compreender à fundo o que ocorre. Não lemos o fenômeno humano, com suas ramificações e intenções. Apenas vemos efeitos superficiais e nos distraímos. Grandes catástrofes se forjam no seio das forças da vida, que querem o progresso.

Grandes, inumeráveis, agudas e...transformadoras.

domingo, 14 de maio de 2017

V's Virtuosos

Vivi Voando em Verdadeiros Vendavais.
Versei Verdades em Voluptuosos Vales.
Vociferei contra a Vildade.
Vociferei como Vento que Varre.
Varrendo e Vencendo.

Valorizei caminhos Vencidos.
Verbalizei Valores Vulcânicos.
Vivenciei Verdades Variadas.
Variei a Voz Velada.

Verei a Verdade Suprema?
Vértice dominante,
Vulcão abrasador,
Vórtice devorante.


Voarei o Vôo Vertical?
Veloz e Visual,
Virtuoso e Visceral,
Vetorizado e Vaporizante.

Vencendo pelo Verbo, 
Varremos o Veneno.

Vivendo o conceito,
Voamos para o Alto.

Vôo Vertical.
Vôo Veloz.
Vôo...


Vamos Vencer a Voz que Vem de fora, Velando-a.
Vamos Vociferar a Voz que Vem de dentro, Valorizando-a.
Voz que Vara as Vestes de Ventríloquo. 
Voz do silêncio...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Dias 6 e 7

Duas presenças (D-6). Uma presença (D-7). No entanto, o momento não deixa de ser agradável. Qualidade é uma dimensão que jamais será atingida pela quantidade. Aquela engloba esta.

Os métodos bem intencionados, mas ainda assim do mundo, constroem a quantidade antes de semear a qualidade. O fim será o mesmo do método do Alto (1º qualidade, e após, por forças naturais, permear na quantidade a substância): elevação do plano de vida. Mas de forma muito mais difícil, dolorosa. É o preço que se paga por aceleração de um processo inexorável:o de evolução.

Indiferente à quantidade - e justamente por isso - irei replicar o curso no 2 º semestre. Já tenho o material pronto. Existe a possibilidade de inserir mais textos para serem comentados; aprofundar em mais conceitos; esmiuçar de forma melhor alguns modelos; rodar simulações. Há muito a se revelar. O assunto é, de certa forma, inesgotável. Basta ser apontado para o infinito. Infinito que o sustenta e lhe dá forças e - acima de tudo - orientação

Foi possível ontem fazer um apanhado geral de vários conceitos. Assuntos relacionados àqueles que muitos alunos estão vendo em seus cursos superiores, tais como Termodinâmica, Análise dimensional, Física de movimento, entre outros. Destaques para questões ecológicas e político-sociais: como o sistema econômico, com sua lógica, permeou o imaginário humano - especialmente de quem detém poder e é escravo dele, por mais livre que se julgue - e controla a política e submete a sociedade e todas outras formas de vida (vegetal e animal) e não-vida (atmosfera, águas, solo, energias,...) a um processo de extração impiedosa de quantidades que podem se monetarizar, de forma a incrementar os lucros. A questão das três inteligências (instinto, razão, intuição) entra aí de forma profunda. 

A passagem do homem de 2º nível - intelecto à serviço dos instintos - ao de 3º nível - intuição englobando a razão, que domina os instintos - é a transformação mais profunda pela qual a humanidade irá passar, inexoravelmente. Pelo bem (tomada de consciência) ou pelo mal (imposição das forças da vida aos desejos insaciáveis do homem). De qualquer forma, será uma ascensão ímpar, da qual já houveram "amostras" - antecipações biológicas.

No próximo encontro será aberto espaço para iniciar o trabalho final (tema, diretrizes, estrutura, motivos, possibilidades, dúvidas,...). 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia 5

O público voltou a 6 (mais um ouvinte). O curso é comentado em alguns círculos. Eu não divulgo. Apenas sigo o curso dos acontecimentos, dando as aulas e comentando. Porque experiências passadas revelaram que propaganda tem pouco poder de atração a longo prazo. Silêncio e dedicação, por outro lado, se atraírem, retém e transformam. 

Existe um turbilhão de conceitos que passam pela minha mente à medida que vou falando durante as aulas. Preciso controlar essa tensão, retendo-a, de modo a não descarregar grandes correntes no discurso, o que pode causar mais confusão do que compreensão. Dura é a tarefa, pois à medida que discorro o tema começam a surgir ramificações transversais que abraçam temas diversos e, paralelamente, ramificações para o alto, que dão uma visão mais vasta sobre o assunto. Controlar isso é difícil e exige paciência - as ideias fervem e a intensidade reflete parte desse dinamismo interior.

Disponibilizei vários vídeos e artigos, relacionados direta ou indiretamente, aos temas tratados. Isso há de ajudar a turma na elaboração do trabalho.

Eu deveria ver mais à fundo alguns temas antes de tratá-los. Ao mesmo tempo, mesmo sendo possível, não há tempo de explicar pormenorizadamente alguns resultados. Esbocei o diagrama (modelo) de um sistema de dois estoques: o primeiro era um renovável limitado por um não-renovável (a); e o segundo um renovável limitado por um renovável (b). Apresentei os estoques, seus fluxos (e tipos de fluxos) e lógicas de realimentação (o porquê de serem positivas ou negativas, e de suas conexões). Eis a estrutura do sistema.

Após explicar detalhadamente a estrutura do sistema, elemento por elemento (análise) e depois fornecer um panorama geral (síntese), pude mostrar alguns gráficos que revelam o comportamento do mesmo dados certos parâmetros. Estes são números que caracterizam lógicas de realimentação (ex: metas), fluxos (ex: taxas), entre outros. E condições iniciais (estoques e fluxos no tempo zero). Assim pode-se começar a permear a mente dos alunos com termos comuns à engenharia, mas que são muito mais abrangentes, indo além do universo dos fenômenos físicos.

Irei continuar esses conceitos e exemplos na aula seguinte, e logo colocar o pé em modelagem e simulação.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Gênese da Sabedoria: A Autoridade Libertadora desatando os nós da Liberdade Autoritária

"Deus há de ser infinitamente justo e sábio. Procuremos, portanto, em tudo, a Sua justiça e a Sua sabedoria e curvemo-nos diante do que ultrapasse o nosso entendimento."
Gênese, Cap. III. O bem e o mal.

Existem questões que nossa inteligência nem sequer percebe ainda. Isso é perceptível no momento em que começamos a lidar com questões (aparentemente) insolúveis, mesmo dentre pessoas com um grau de instrução acima da média - bem acima. 

Tudo parte da concepção. Nos volumes A Grande SínteseDeus e Universo e O Sistema é feita a explicação dos três momentos da trindade à luz da razão: Pai, Espírito (Santo) e Filho. Observemos esses momentos, que sintetizam o ato de criação.

O Espírito simboliza o pensamento. É a concepção, imaterial e abstrata, mas influente no mais alto grau. Ela influencia a multiplicidade do finito mas está além das dimensões deste. Ela é a gênese da criação absoluta (provinda de Deus) e das pseudo-criações de nossa e de outras humanidades - e formas de vida. 

O Pai representa a vontade. É o movimento. O dinamismo que inicia o movimento. É energia que traduz os altos conceitos do pensamento em dinamismo da substância. É o Verbo. 

O Filho é a realização no mundo concreto. É a matéria. Tangível, capturável pelos sentidos, presa nas dimensões do espaço e tempo. É a criação, a criatura. 

Trata-se nada mais do que um processo decorrente da queda (involução), cujo processo é uma degradação de algo situado num plano superior, imaterial (ideal) que se materializa, se tornando antes vontade (ideia, atitude) e finalmente realização concreta (ação). Espírito-Energia-Matéria. E não poderia ser diferente: algo novo só pode partir do mais - um plano superior. Jamais do menos - plano inferior. Porque este é englobado por aquele, ao passo que o inverso não se aplica. Como se vê, o mais abraça o menos, compreendendo-o, porque além de não negá-lo oferece algo a mais. No entanto o menos é altamente refratário a essa oferta, pois sua concepção é limitada pela sua própria natureza, vendo esse auxílio como um ataque frontal aos seus valores. Eis como se explica o fenômeno de cisão entre Sistema (criação originária, perfeita, no infinito, além das dimensões do espaço-tempo) e Anti-Sistema (emborcamento que gerou o Universo físico, tangível, preso às dimensões espaciais e temporais).

Com esses esclarecimentos podemos começar a compreender o porquê de muitas pessoas não aceitarem - ou terem um grande dificuldade em fazê-lo - visões de mundo situada fora da curva da normalidade (a regra), com suas explicações imperfeitas mas válidas e potentes, que estejam além de suas verdades relativas e progressivas. Estas se tornam exceção. Torna-se difícil à sua natureza momentânea seguir e abraçar um conceito que esteja além de suas faculdades de assimilação. O que ocorre então?

O transformismo que rege o universo deve ser sentido.
Após senti-lo, podemos viver de acordo com a Lei de Deus.
Alguns podem sistematizá-la. O relativo tende a ser reabsorvido
pelo Absoluto. Entrando em sintonia com ele,
encontraremos a tão almejada Paz.
Pude, com minha experiência de vida, constatar que o aceitamento se dá conforme o grau de respeito que existe entre aquele que afirma as belezas e a misérias do mundo e aquele que não compreende as misérias e procura uma personalidade, um partido, uma forma mental, etc, para justificá-la. O menos aceita o mais somente a título de formalidade. O grau de consciência (ainda) comprimido sente que está diante de uma verdade maior, mais próxima da Verdade, que explica as contradições de sua mente, e aponta para soluções, mas é incapaz de construir um fluxo de troca de ideias que leve ao desenvolvimento de conceitos e teorias. De modo que o contato dura pouquíssimo tempo. Isso se capta não pelas palavras, mas pelas atitudes, pelo semblante e - sobretudo - pelo olhar.

Sempre que um ser se depara com outro que lhe dilata os horizontes, convidando-o a mergulhar em profundidade para perceber que o futuro já está contido em germe no presente, na forma de vontade latente, existe um incômodo, um choque, uma sensação que só pode durar pouco porque a maturação interior ainda não foi suficiente. Ainda não é possível assimilar conceitos mais profundos - e potentes. É como se o menos fosse obrigado a destruir sua personalidade para aceitar tamanho sistema de ideias - que ele mesmo não pode negar. Colocou-se em contato os dois Eus: o exterior e o interior, que, por serem muito distanciados nos seres de grau de consciência média, acabam entrando em choque, gerando uma reação suportável por apenas alguns instantes.

O ser que revela essas visões deve saber que essa comunicação não pode ocorrer nos círculos sociais. Pode-se no máximo, com muita cautela e cálculo, introduzir conceitos, mas com uma certa vestimenta concreta que torne o assunto de maior valor para a média da humanidade. 

Nessas observações não se trata de condenar ou descarregar mágoas. Nem de classificar. Trata-se apenas de ser honesto para consigo mesmo e para as pouquíssimas almas que já atingiram um grau de maturação graças às dores intensas e profundas da vida. Trata-se de constatar uma teoria que a cada vivência no cotidiano se revela cada vez mais coerente e sólida. Busquei nos últimos anos de minha vida encontrar alguma corrente de pensamento ou personalidade ou ideia, seja da religião ou da ciência, que revelasse a contradição dessas teorias - visualizadas pela inspiração dos místicos da atitude, dos gênios da sistematização, e dos heróis da ação - ao longo de nossa história. Mas apenas encontrei novas confirmações, o que me levou a aumentar minha segurança e potencializar minhas (poucas) afirmações a respeito dos problemas que afligem toda humanidade, desde as questões de amplitude coletiva até aquelas de nível atômico. Tão grande é a segurança que decidi me lançar numa trajetória a ponto de intensificar essas afirmações através de um curso, oficializando a minha fala, e convidando, através de cada afirmação certa e incisiva, às críticas. 

A formalização é um passo inicial. Não se sabe o que virá depois. Eu não fiz questão de divulgar o que estou fazendo. Apenas ofereci de boa vontade, com a intenção clara e honesta de criar um ambiente no qual possamos todos expor as dúvidas e sentimentos mais profundos para chegar a melhores entendimentos de nossa realidade. E dar pistas do porquê de nossas dores, do fenômeno da evolução e da finalidade da vida - no fundo todas essas questões se relacionam.

Estamos longe de compreender plenamente o conceito
de liberdade. Nossas abordagens tendem a torná-la
autoritária. Devíamos tentar compreender melhor as
autoridades libertadoras
Com a oferta sem propaganda nem a obrigação de, uma vez matriculado, participar, filtra-se o ambiente: apenas aparece as almas desejosas de assimilar esses conceitos. Almas sem preconceitos e dispostas a mutilarem o exterior para manifestarem aspectos latentes mais potentes e portanto libertadores. No fundo trata-se fazer um mergulho ousado, utilizando ferramentas já disponíveis e um arcabouço teórico rico, para revelar o sentido das coisas. Para relacionar. Para mostrar o transformismo que rege não apenas a cultura (consciente) como a natureza (subconsciente). Para quebrar o dualismo instinto versus razão para apresentar um monismo composto de uma trindade dinâmica que se refaz a todo momento, realizando trocas e progredindo com a evolução - que em nosso Universo se dá com o desenrolar do tempo, dimensão à qual estamos presos por nossa involução; involução adquirida pela nossa revolta, que gerou um embrocamento do princípio da substância*. Um monismo que se afirma com o conceito de sub-consciente, consciente e super-consciente. Instinto -> Razão - > Intuição.

Passa-se de um dualismo cheio de atritos - ao qual Freud achou a "solução" dizendo que somos seres que agem guiados pelos instintos, e só; ou ao qual Maquiavel reduziu a uma forma de governar para manter as aparências com o intuito de obter-se o máximo de vantagem, de tal modo que possamos satisfazer nossa natureza "inalterável" - a um monismo, que traz consigo seu conceito evolutivo, e revela que instinto, razão e intuição estão presentes no homem, simultaneamente, e evoluem com o passar do tempo - maturação. Movimento é a ideia central.

Nada em nosso Universo é absoluto. Logo, tudo é relativo. Mas não apenas relativo, mas progressivo. De tal modo que isso se aplica às verdades: elas são relativas a um grupo, uma cultura, uma pessoa, uma área do saber, uma ideologia, uma época. E progridem no tempo, vindo a se chocar e se refazer em função do choque (circunstâncias). Com isso há fusão e chega-se a conceitos mais vastos e potentes, possibilitando a evolução.

Mas a evolução é um fenômeno universal e vasto. Podemos afirmar que descobrimos uma evolução orgânica, exterior, preso à ciência do paradigma racional-analítico, que mensura e é objetiva. Mas ainda, em larga medida, desconhecemos a evolução interior, que é guiada pelo espírito, que plasma a matéria, a energia e a vida, elaborando-as melhor a cada nova reencarnação, e com isso possibilitando que os meios de atuação exprimam de forma cada vez mais intensa a luz que explode dos recônditos do coração, forçando as células nervosas e seu órgão diretor - o cérebro - a acompanhar essa febre por crescer. Essa "patologia" atinge tal ponto em algumas personalidades, que o corpo começa a manifestar patologias muito semelhantes àquelas dos simples enfermos. Resultado: o mundo e suas instituições classificam o Ser evoluído como um doente e inepto. Um fraco. Eis a tragédia de nossa espécie, que deverá ser sanada por bem (consciência coletiva despertada) ou mal (aplicação da Lei de Deus através das forças da vida). Eu acredito estar trabalhando em prol da cura pelo bem...despertando e convidando a batalhas titânicas no campo das ideias e dos sentimentos mais sublimes. Tudo guiado pela sinceridade séria e seriedade sincera

Agora podemos começar a compreender o porquê da mente hodierna rejeitar certas atitudes em prol da melhoria do mundo, classificando-as como autoritárias de antemão. O julgamento é feito do ponto de vista do indivíduo. Colhe-se informações a favor dos próprios argumentos, rejeita-se ou minimiza-se as explicações que derrubem os argumentos. Ou procura-se usá-las para comprovar os próprios. Tudo é um jogo de egos.

Eis que chegamos ao momento histórico atual, que traz à tona manifestações sociais de proporções crescentes num país cujo povo está acostumado a não enfrentar questões públicas através de organização ativa, intensa e efetiva.

Diz-se que a greve é um direito. E portanto as pessoas devem ser livres para aderir a ela ou não. E esse é - aparentemente - um argumento inquestionável, que desmorona qualquer atitude ou explicação de autoridade por parte de um movimento social ou sindicato. Mas eis que a história recente nos revela os seguintes fatos: sempre que é dada essa liberdade, o indivíduo começa a agir como tal, restringindo seus interesses a nível mínimo, se esquecendo que existe uma coletividade cujos interesses estão sendo enfraquecidas com essa atomização. Coletividade da qual ele, querendo ou não, faz parte.

O desdobramento pode ser explicado em parte por alguns ramos da teoria social, que usam modelos de indivíduos com patamares intrínsecos de tolerância-limite que, uma vez atingidos, levam-os a seguirem concretamente um "campo magnético de pensamento". Esse campo, ao que me parece, existe, e é a arma usada pela atual forma mental neoliberal de se propagar e se impor sobre as instituições democráticas e morais humanas. Como isso ocorre? Vejamos mais pormenorizadamente.

Quando existe uma greve - seja local, nacional ou (teoricamente**) global - há a opção aceita pelo grosso da humanidade: dá-se a liberdade de participar ou não. Mas o que ocorre neste caso, na prática? Aqueles que desejam se manifestar, se ausentando em ato de não-concordância com as políticas da corporação, do governo, da lógica econômica, são coagidos a não fazê-lo, pois existem pessoas que tenderão a entrar e não aderir. Inicia-se uma cadeia na qual a heterogeneidade dos elementos vivos e humanos enfraquece a convicção individual: os que possuem uma tolerância-limite baixa sucumbem logo de início, não aderindo em virtude de seus interesses próprios (manutenção do cargo, emprego, imagem social, etc). Logo em seguida, aqueles ligados (socialmente ou por corrente de pensamento) tendem a segui-lo; e na sequência aqueles próximos desses; e assim sucessivamente, de tal modo que apenas restarão elementos sindicais ou engajados integralmente no movimento social participando do protesto/greve/desobediência civil, nulificando a atitude.

A evolução se dá pela evolução, que ocorre
através do tempo - em nosso Universo relativo.
A história é cíclica em um aspecto - particular.
No entanto, há mais: seus ciclos são abertos.
E mais: eles oscilam, ora para mais, ora para menos.
No entanto, nota-se que, no geral, o expandir vence
o contrair. Reflitam sobre isso...
Mas então virá aquele que defende a liberdade até o último grau e dirá: "Mas a liberdade deve sempre se impor a autoridade!". E eis que, na própria afirmação, constata-se que a liberdade tão defendida pela mente hodierna é autoritária. "impor a liberdade de ir e vir". Porque percebe-se por observação que aqueles que defendem essa liberdade começam a agir de modo agressivo (mentalmente a princípio) diante do uso da autoridade de alguns grupos, buscando teorias, exemplos e fatos que possam fazer esse uso de autoridade ser destruído. Diz-se combater um mal mas no fundo amplifica-se apenas outro mal, esquecendo-se dos aspectos positivos da autoridade que emana de baixo.

A questão começa a ficar cada vez mais clara. Autoridade existe e é basicamente de dois tipos: aquela que vem de cima pra baixo, imposta por leis, emendas constitucionais, ordens de diretores de canais de TV e jornais, compras de parlamentares por banqueiros e empresários; e aquela que é exercida de baixo para cima, na forma de movimentos sociais, ocupações, greves, desobediência civil e críticas. Sabe-se qual das autoridades é mais nociva (porque mais poderosa, ao menos aparentemente). No entanto é justamente essa que não é alvo de questionamentos e críticas abertas. O que ocorre então é que o indivíduo, temeroso de perder suas poucas regalias, se sente carregado de tensão que deve ser descarregada de alguma forma. Se o consumo conspícuo, o sexo desenfreado e o falatório incessante não bastam, recorre-se à crítica dos grupos mais fracos que exercem autoridade - ao invés de combater aqueles mais fortes, que são os maiores responsáveis pelas tragédias humanas e ambientais.

Nos vemos diante de uma problema complexo de difícil solução para a mente atual. Um problema que exige muito mais dilatação de consciência do que criação de tecnologias fantasmagóricas e métodos elegantes.

O fato é que o "campo de pensamento" dominante, análogo ao magnético, gera um força que induz os elementos (indivíduos) a, se livres, serem arrastado por ela, até chegar a um sorvedouro, foco em que os elementos são usados para fins escusos: produzir cada vez mais num mundo finito. Desenvolver em sentido emborcado. Criar exageros que levam a carências. Eliminar partes indesejáveis e injetá-las nos locais mais fáceis, seja o meio ambiente (solo, águas, atmosfera) ou comunidades locais. Egoísmo no grau máximo, potencializado através do poderio econômico e midiático ímpar atingido pela corrente mental que visa transformar o ser humano num gestor-consumidor destituído de sentimentos e senso de discernimento da última realidade da existência.

Como acabar com essa liberdade autoritária? Deve-se recorrer a uma autoridade libertadora, que aparentemente sempre partiu do povo, seja na forma de movimento sindical, seja de movimento social, seja de movimentos religiosos (Teologia da Libertação), que se aliam às comunidades.

Eis que, a partir do momento em que se realiza um cerco, impedindo as atividades laborais, protege-se aqueles muitos insatisfeitos que gostariam de aderir, mas num regime de liberdade autoritária se vêem coagidos por forças intangíveis a furarem o cerco. Ajuda-se muitos, prejudica-se poucos. Pois o ser humano é muito guiado pelo medo e esperança, de tal modo que sem um corpo que ofereça um amparo (sindicato, movimento social, líder forte), ele não irá aderir, temendo sua extinção como indivíduo.

Poderíamos afirmar que a coação dos movimentos é injustificada num mundo em que não existisse um jogo de forças subterrâneo, guiado por interesses particulares. Ou seja, ausência do campo "magnético" de pensamento, que induzisse as pessoas a agirem de modo diverso ao que creem. Esse é o campo criado pelo Neoliberalismo. E como ele é de difícil assimilação pelo indivíduo comum (pouco intuitivo, razoavelmente racional), é considerado inexistente. Uma fantasia de esquerdistas, de vândalos, de autoritários. E assim atua-se em função do que a consciência reconhece - que é o que ela pode assimilar atualmente...insuficiente para causar uma mudança profunda no sistema econômico vigente, com todos seus desdobramentos.

A História nos ensina, revelando que existem momentos em que, pela maturação do ser e imposição das circunstâncias, atinge-se um estado de exceção no qual as leis de desfazem e os paradigmas são abalados a nível radical. A Justiça passa por cima da lei (humana), que se recusa a se adaptar ao transformismo evolutivo que rege a vida, desde o nível físico até o espiritual, passando por todas faixas intermediárias (energética, biológica, psíquica, mental).

O próprio argumento dos "pacifistas" geralmente é que devemos compreender o oposto para crescer. Compreender o porquê dessa autoridade estaria incluso na lição. Deseja-se compreender apenas o que se está disposto a compreender.

Esses conceitos brotaram da alma e se confirmaram com um evento especial no mês de Novembro de 2014. O autor presenciou de modo profundo como o mundo faz uso do que existe de mais instintivo no ser humano para minar qualquer tentativa de colocar em pauta questões encobertas pelas instituições - no caso privadas. Esses fatos comprovam os conceitos aqui elaborados até seu último desdobramento. E não sendo possível conviver num meio com tamanho grau de inconsciência, imposta pela alta cúpula, o ser, por sua própria natureza, se viu expulso (sem justificativa) do meio de forma rápida, para não influenciar outros. Fora eliminado. Dadas as condições do momento, seria dificílimo encontrar um reposicionamento na vida. Fora destruído pelas forças que se diziam a favor "da livre adesão", que pregavam liberdade de discurso e todos derivados. Estava no grau zero na vida profissional e afetiva. Nada mais lhe restava. Suas habilidades em lidar com o mundo eram nulas. Sua sociabilidade (fraca) era inversamente proporcional à sua sensibilidade social (aguçada). E com isso decreta-se o fim.

Mas o autor continuou, no meio do desespero, a escrever neste espaço e a buscar recolocação. Não saiu de eixo e não se arrependeu do seu destino - por mais desesperador que pudesse ser. E essa sintonização lhe trouxe uma certa paz.

Com o desenrolar dos meses a ajuda do Alto começou a se revelar. Na verdade esta sabe de tudo e age muito antes, pois se vê livre da prisão espaço-temporal de nosso mundo corrompido - inclusive por aqueles que se dizem absolutamente contra a corrupção. Os furos começaram a se alinhar de modo ímpar. Circunstâncias sem explicação foram se formando à medida que o ser demonstrava estar em paz com sua consciência. Estava se operando o que as religiões denominam MILAGRE.

Fora aberto um edital para um concurso público, em sua cidade, para sua área de formação. E com um salário que, se admitido, superaria aquele salário anterior. Maior coincidência era quase inconcebível. Mais: fora-lhe dado as condições para o estudo pleno (tempo livre). E a vontade aliada à calma lhe permitiu estudar sem problemas. Seguindo calmamente um roteiro interior, o resultado apareceu, exatamente um ano após a expulsão de um reino de pseudo-liberdade. A partir desse momento a vida do autor começou uma ascensão indescritível, que é um segundo ciclo em sua vida particular. Ciclo afetivo-profissional. A Salvação se realizara.

Com isso o autor, ao contrário do que se esperava, se sentiu em dívida com o Alto. Seu desejo de cumprir sua função é mais intenso do que nunca. Ele tem a responsabilidade de explicar os conceitos mais profundos que viveu neste espaço, sem rodeios e com o mínimo de concretizações possíveis - para evitar possíveis divergências dos leitores e estudiosos.

Temos muito ainda avançar nos conceitos de liberdade e autoridade.

O caminho é multimilenar e exige disposição. Somente quem possui o estofo necessário pode seguir esse caminho sem cair nas tentações (ilusões) que o mundo oferece.

Essa foi uma primeira aproximação de um conceito a ser melhor compreendido por uma humanidade vindoura. As afirmações são fortes e abrangentes. O intuito é causar abalos internos que estimulem o ser a repensar sua vida e conceitos - e apontar dúvidas e questionamentos ao autor.

Assim se dá a evolução. Com Trabalho interior - que sempre será uma greve ao trabalho exterior, dependente do interior.

Queda e Salvação.




Vídeo que revela o que ocorre à nível social-trabalhista na nação.

OBS: Trata-se de resultados de constatações e estudos sérios. Não de opinião.

* O Sistema: Gênese e Estrutura do Universo. UBALDI, Pietro.
** a mente hodierna ainda não foi capaz de atingir um nível de organização efetivo a nível global, que aponta que a máxima marxiana de "trabalhadores do mundo uni-vos", nunca foi implementada de fato.