sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Lei de Deus

Vida é sofrimento. Sofrimento belo. Beleza sofrida. Vida é um processo interrupto e ininterrupto. Saltos e quedas. Períodos de estabilidade e tempestade. Dores e alegrias. Gritos, espasmos e incubações. É dinâmica.

Existe lógica em tudo. Mas descobrimos - individualmente e coletivamente - aos poucos o sentido da História. Tanto a nossa quanto a coletiva. São revelações sucessivas, que ocorrem à medida que vamos compreendendo o porquê das coisas e o mecanismo de funcionamento (o como) da vida. Desde a natureza infra-humana até o além. O porquê e o como: eis as chaves para o início da libertação dos ciclos de sofrimentos. Não falo nada de novo. Apenas reproduzo verdades milenares. Reproduzo sentindo que se trata de algo realmente sublime e prático.

Eu acho desagradável falar de mim, mas sou eu quem melhor me conheço. E quando falo de mim na verdade falo de você, leitor(a), de meu vizinho, de seu amigo, seu professor, dos estadistas, dos pesquisadores, dos artistas, dos excluídos, dos iludidos,...de tudo e de todos. Por que? Porque não falo sobre meu eu humano, minha pessoa com seu corpo e vícios e posses e títulos e histórico. Falo sobre as profundidades que sondam meu espírito - ou tento pelo menos. Tento captar a essência de cada momento.

Vida é transformação, superação.
Aniquilamento da forma velha,
Criação de forma nova. 
A vida é constatação, assimilação, maturação interior e eclosão exterior. São quatro fases de um ciclo que se repete indefinidamente. Esse ciclo é único em seu aspecto mais abstrato, e vai se multiplicando em uma miríade de ciclos à medida que vamos descendo ao campo prático, da vida real, concreta, necessária a tudo e todos.

1. Constatação
2. Assimilação
3. Maturação
4. Eclosão

Não existe melhor nem pior. Prática é vida. É necessária para a manutenção do mundo e para a assimilação de teorias consolidadas. É real. Teoria é abstração necessária para preparar terreno para novas práticas. É ideal.

Ideal sem Real é esmagamento no mundo.
Real sem Ideal é estagnação infernizante.

Ideal com Real pode ser bom se o Ideal guia o Real.

Real guiando Ideal é involução destrutiva.
Real ignorando Ideal é estagnação corrosiva.
Real seguindo Ideal é evolução construtiva.

Como eu dizia, a vida possui ciclos de 4 fases. São quartos necessários para o afloramento da consciência individual. Cada conclusão levará a um novo tipo de atuação - geralmente com alterações imperceptíveis.

A minha vida é igual a de todos - em sua essência. A sua vida é igual à minha - pelas mesmas razões. Nas multiplicidades nos diferenciamos. Mas devemos ver que o que realmente importa é saber partir do íntimo. Do profundo ao superficial conseguiremos guiar nossas vidas. Visando o longo prazo construímos solidamente. Orientação é uma palavra-chave. Devemos nos orientar na vida para que não sejamos presas das aparências coletivas. Isso não significa que a coletividade não tenha grandes verdades. Significa apenas que geralmente o menos interessante (e importante) das coletividades vem à tona. O cuidado é máximo.

Comecei esse blog sem saber o porquê dele. Nada planejei, nada ambicionei - continuo assim. Deixei a minha natureza se manifestar (o melhor dela!). O tempo passou e as idéias foram se desenvolvendo. Uma gerou outra. Destruições de conceitos antigos, refinamentos de outros e algumas gerações. É sobretudo o registro de experiências profundas.

O primeiro quarto de século de minha existência foi uma preparação para o que estava por vir. Até 2010 eu pouco (ou nada) sabia claramente sobre a finalidade da vida. Mas todos elementos já estavam presentes em meu Ser. Foram adquiridos inconscientemente. Falo de forma abstrata porque descer nas especificidades tende a descaracterizar a essência das coisas, desviando a atenção do que interessa e levando a cisões e julgamentos. 

Vida é busca ardente e sincera. É inquietação constante.
É superação da lógica atual para a gênese de super-lógicas.
O Ideal guia o Real.
Ao me formar comecei a trilhar um trajeto cuja finalidade desconhecia (e ainda não sei). Ao mesmo tempo, fazia tudo com a melhor intenção possível. E sofri com isso. Mas - não sei o porquê - perseverei. E o tempo passou, e os golpes vieram. 1 ano. 2 anos, 3 anos...Foi uma época intercalada por tensões e quedas. Eu não sabia, mas a cada tensionamento interior eu me voltava pra mim, absorvendo tudo sem recorrer aos artificialismos do mundo. Idem para as quedas. E com isso eu ia vivendo o dia-a-dia.

Depois de um tempo começaram a surgir alguns resultados surpreendentes. Fatos que eu julgava irrealizáveis tomavam forma. E eu agradecia a tudo e todos menos eu mesmo. Aquilo não tinha uma explicação dentro dos parâmetros da razão. Isso se deu em algumas esferas da vida. Era uma transformação que parecia ter surgido do nada. Só agora me dou conta de que ela estava esperando as condições e circunstâncias propícias para se manifestar. A mudança era eu. Era a vida. Era a vontade. Era a teimosia chata se transformando em perseverança intensa.

O último grande impacto veio há pouco mais de um ano.

Era algo tão esperado quanto inesperado.
Esperado da parte de meu espírito multimilenar.
Inesperado da parte de minha pessoa superficial histórica.

Isso gerou uma explosão de alívio e desespero simultâneo.
Eu não sabia o que fazer com aquilo. Era uma tensão demasiadamente grande para mim.

O tempo passou e comecei a interiorizar o impacto sofrido.
Diálogos, pensamentos, reflexões, discursos, textos, estudos,...

A vida continuou e o trabalho se intensificou.
Saíra do inferno para me ver num vazio eterno? Errara pra variar...

Mas...quem foi responsável? O Ego Luciférico ou o Logos Espiritual? Ambos agiram com intensidade. Ninguém sabia. O mundo não via nada. Mas eu sentia tudo. Tudo. Intensamente...

Esse é o dilema de todo ser humano que anseia pela ascensão.

E 2 meses passaram...

O primeiro e mais importante acontecimento elevou a minha vida afetiva às alturas.
Era felicidade num aspecto e tristeza noutro.
Não há opostos sem equilíbrio.

Restava rever as escrituras: quem conduz quem? Quem é elemento essencial, a ser valorizado e cultivado e vivido para estimular o elemento secundário? Eu sabia a resposta: era o afeto. O Logos. A intuição.

Os meses passaram...
Me resolvi parcialmente e sosseguei temporariamente.
Mas o problema material persistia.

Surge um sinal. Poucas chances, muita vontade - o que custa tentar?
Me lancei com todas as forças nos estudos, sem pensar no futuro nem no passado. Era tudo presente e vida. Era intensidade máxima causada por concentração no espaço-tempo. Era a Consciência e a Fé guiando a mente.

Fiz o que podia e os meses passavam. Prestes a completar um ano de golpe mortífero tomei conhecimento de seres fantásticos que vivem vidas fantásticas. Um Sábio chamado Eduardo Marinho que sentiu e viveu o espírito de Francisco de Assis. E a partir daí me dei conta de que só há um caminho para a Salvação: a libertação individual das coisas do mundo.

Um ano. Quarta-feira. Novembro.
Volto da aula e leio um email. Era a Salvação. O Destino. A consequência de uma trajetória sofrida mas sincera. Ambiciosa mas orientada. Ambiciosa para a elevação interior. Orientada para a atuação futura.

Percebi que forças mais sutis, incrivelmente poderosas, foram responsáveis pelo ocorrido. Me senti em dívida com o Alto. E consequentemente com a humanidade.

Tudo na vida tem função. Nada está num lugar sem finalidade. E eis que um novo ciclo começa. Com incertezas e durezas pela frente. Mas também com possibilidade ímpar de superações. Trata-se de uma jornada que não finaliza quando nos convencemos de um fim. Viver é luta constante. É ascensão. É criação. É despertamento.

De onde vem os milagres? 
Eles não vem, são causados.

Como nascem os anjos?
Com dor intensa. 

Qual a finalidade da vida?
Evoluir, evoluir, evoluir,...


Blog do Eduardo Marinho - Observar e absorver

Recomendo muito.
Um cara que vive o Evangelho !

http://observareabsorver.blogspot.com.br/


Espirito de luz. Fala simples. Fala tudo.
Vive o que fala. Sente o que pensa. 


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Ar-Água-Alimento-Abrigo-Afeto

Tenho visto diversos vídeos de Eduardo Marinho nos últimos dias. E me admiro cada vez mais ao ouvir um indivíduo com tão alto grau de consciência e capacidade ímpar em lidar com a realidade material. Isso é raro. Raro nesse grau. Nessa intensidade.

Arte de Eduardo Marinho.
Excesso causa carência - carência revela excessos.
Excesso é nojento, embora não pareça.
Carência é triste, embora revele a verdade.
Muitas pessoas estão despertando para o que está ocorrendo no mundo. Eu tenho reparado nisso através de observações profundas em todos momentos do cotidiano: nas aulas, nas ruas, nas pessoas, nos mercados, nas feiras, nas redes sociais, nas mídias, nas artes, na ciência, na religião. Existe algo nascendo com ímpeto e força. E não podemos encerrar essa gênese numa classe social, num nível intelectual, numa raça, numa igreja, numa área de pesquisa ou num local. É simultâneo e se manifesta de várias formas. No entanto percebe-se, em profundidade, um fio condutor em comum, que é forte como titânio quando é enfrentado pela razão do mundo; e suave como uma pétala de rosa ao lidar com questões (aparentemente) insolúveis.

O futuro se materializa em função do desespero do indivíduo. Ele começa a tomar forma à medida que o indivíduo esgota todas as possibilidades apresentadas e reconhecidas pelo mundo (passado e atualidade). O futuro é algo que se cria quando você reconhece os benéficos do passado e ao mesmo tempo rejeita aquilo que está erodindo e não serve mais. Em todas esferas da vida. Teorias, invenções, sistemas, relações. Modos de conceber o mundo que serviram numa dada época mas devem ser abandonados - por mais doloroso que seja. Quebrar paradigmas - tendo ou não estudo, sendo rico ou pobre, homem ou mulher, jovem ou idoso, negro ou índio, branco ou amarelo. É uma destruição da forma velha e inútil para que a substância construa novas formas.

Somente nos transformamos quando nos desprendemos da vida. Melhor dizendo: apenas quando nos desprendemos do que esse mundo vê como vida.
AR

A Vida não morre, pois ela é substância. 
As existências nascem e morrem, pois elas são formas.

Vida é um princípio que anima a matéria.
Existência é uma experiência na matéria.

Mas...voltando ao tópico. Num dos vídeos Eduardo apresenta os 5 A's que todo ser humano REALMENTE precisa para viver. Eu fiz uma alteração de modo a tornar a idéia mais completa, trocando o agasalho pelo afeto: Ar, Água, Alimento, Abrigo e Afeto. De fato, tudo é redutível a isso. Se estivermos conscientes disso - independente da nossa riqueza material - podemos começar a libertar nossa mente dos pesos do mundo e preenchê-la com as potências da sabedoria.

Através de experimentações interiores chegamos a perceber a potência dessa verdade. Tudo que utilizamos nessa existência - ou deveríamos utilizar - são redutíveis a esses cinco aspectos fundamentais. Vejamos como isso se dá de fato. O ar, elemento primário, indispensável à vida humana, contínuo e frequente em sua circulação, elemento basilar para a execução de qualquer atividade, permite as atividades mais elementares. É a base sem a qual nada é possível. A água, cujas moléculas são maioria em nosso corpo físico (70%), é fundamental à vida, pois contém dois dos quatro elementos fundamentais à vida orgânica: Hidrogênio, Carbono, Nitrogênio e Oxigênio (H,C,N,O). Dois ou três dias sem a circulação dela extingue a atividade dos sistemas e órgãos e suas células. Mas vejamos mais a fundo as relações do ar e da água com o mundo exterior ao corpo.

ÁGUA
Ar com elementos tóxicos significa circulação frequente de elementos nocivos ao funcionamento corporal. São milhares de litros por dia. Por outro lado, água mal tratada contamina o organismo. O processo é lento e discreto, de forma a enganar os sentidos e até mesmo o raciocínio. Nos acostumamos com elementos e situações estranhas que, introduzidos lentamente, discretamente, e às vezes assumindo formas elegantes e sedutoras, se infiltram no corpo e passam a fazer parte dele, dominando processos biológicos, podendo estes interferir no processamento cerebral-mental, porta de conexão entre mundo material e mundo espiritual.

A luz é outra necessidade fundamental. Ela nada mais é do que a sublimação da matéria ao grau máximo. Não se lista ela justamente pela sua característica universal. Ela é não-enquadrável em si mesma. Helioterapia é tomar quantidades de radiação solar para ativar algumas vitaminas (moléculas com função vital específica). Ela deve ser diária e em horários adequados. Quem vive encerrado diariamente dificilmente tem essa oportunidade. O paradoxo é que nossa sociedade industrial fixa essa regra como necessidade suprema de sobrevivência material, obrigatória, induzindo-nos à repetição e consumo desnecessários, estrangulando-nos aos poucos. Estranha lógica! Dá se pseudo-vida à custa da vida de fato. E isso justamente por termos nos afastado lentamente do contato com a natureza. Nos seduzimos pela ciência, que se plasmou em tecnologia e anima nossos desejos e projetos de vida. Nos encantamos pelo pensamento racional, uma explosão mental despertada na Renascença (séc. XVI) e desenvolvida por meios de ciclos tão ascendentes quando destrutivos - porque não guiados pela intuição espiritual, sintética e orientadora. Com isso veio o espasmo da Ciência material (Pascal, Galileu, Newton), Iluminismo (ordenação do saber), Gênios artísticos (Beethoven, Tchaikovsky, Mahler, Rachmaninoff,...), Revolução Francesa (política / sociedade), Revolução Industrial (economia / tecnologia) e desenvolvimentos lógicos de bases plantadas no século XIX. As consequências se estendem e desenvolvem em ciclos mais refinados e insustentáveis, porque não pautados pela intuição...

ALIMENTO
O alimento é uma combinação orgânica que fornece elementos elementares, carregando em doses adequadas outros elementos essenciais ao bom funcionamento dos sentidos e órgãos e processamento. Ele influencia no físico e no mental. Sua carência quantitativa ou qualitativa se manifesta como deficiência. Essa pode assumir duas formas, conforme se caminha para um exagero ou outro (ausência). Nesse quesito o que devemos saber é o seguinte: precisamos do suficiente com a qualidade necessária. Os prazeres alimentares podem induzir a vícios crescentes, nos desprendendo da base da vida e consequentemente nos fazendo dispender mais tempo e energia para adquirir recursos para a compra de coisas desnecessárias.

Com a expansão da ganância alimentar invadimos outras esferas da vida individual: as posses. Nos alimentamos de bens além da nossa capacidade de usá-los para proveito próprio ou adjacente (auxílio fraterno), consumindo bens num ritmo frenético e com atributos desnecessários. Pior: tornando necessidade o luxo, sendo este mera desculpa para satisfação de instintos.

Só se deve adquirir algo se for feito uso benéfico e eficiente. Para si e para o entorno. Desde o curto até o longo prazo. Para avaliar isso é preciso ter desenvolvido a faculdade de discernimento. Ela não se adquire na escola ou universidade, e sim na vida, com a sensibilização psíquico-nervosa. Não se trata de impor um pensamento, e sim apenas apontar em linhas gerais qual é a finalidade da vida. Entrar com exemplos práticos pode ser contraproducente, uma vez que certos leitores podem inflar seu ego e se sentirem atacados em seu modo de vida particular, que julgam ser correto e de seu direito. Mas nem sequer o autor se julga com esse direito, se questionando constantemente, revendo seus conceitos e se expondo a vivência intensa de realidades necessárias. 


ABRIGO
Uma idéia incapaz de sobreviver a sistemáticas investidas violentas não é digna de sobreviver.

Digo mais: quanto mais sublime a idéia, mais ela tende a fortalecer-se com os ataques. De repente percebemos que muitos questionam ou atacam não para destruí-la, e sim testá-la até ao nível de alicerce. E se resiste e cresce, se tornando mais bela e forte, demonstra-se o poder construtivo da dor, seja ele praticada por agentes inconscientes ou pela Lei de Deus. Estamos diante de fenômeno sublime que encanta espíritos sensibilizados de forma intensa. E mesmo àqueles presos à razão ou aos instintos não podem deixar de ficar paralisados ao sentir em si mesmos uma corda vibrando. Eles não compreendem mas se assombram com esse desconhecido. A sensação é ímpar e envolvente. Ela domina sem exercer uma gota de energia. Ela encanta e convence pelo simples fato de SER sinceridade máxima. Partindo-se de um conceito extremamente simples bem conduzido chega-se à compreensão dos mais complexos fenômenos sociais, políticos, econômicos, psicológicos, morais, científicos, afetivos, científicos. 

Subindo na pirâmide chegamos ao abrigo. Este nada mais é uma extensão do alimento. É a necessidade de conservação, segurança do indivíduo e da família. É a vestimenta, é o colchão financeiro para os tempos de penúria. É a proteção das intempéries ambientais. É a privacidade, em que as idéias e opiniões e afetos podem se manifestar sem temor de represálias (teoricamente). É o Lar, direito de todo ser humano. Lugar onde se exerce a individualidade de forma mais intensa, para que a atuação social seja cada vez mais efetiva e coordenada. Para que a aceitação seja maior. Espaço que deve ser usado para reflexão. É a propriedade necessária. Não deve ser mais sofisticada a ponto e que essa sofisticação prejudique alguém - direta ou indiretamente. Novamente vemos o discernimento como elemento balizador da evolução interior que dita as necessidades exteriores.

AFETO
No topo da pirâmide temos o afeto, base da unificação. É aí a gênese das famílias, uniões não apenas para perpetuar a espécie, mas para desenvolver as capacidades intuitivas latentes e satisfazer os instintos. Geralmente sentimos a necessidade dessa última, mas no íntimo temos vago sentimento de que existe um algo-a-mais que nos leva a escolher uma pessoa e um grupo. É aí que reside a chave para a evolução. A intensidade da experiência afetiva permitirá o desenvolvimento virtuoso e orientado de toda inteligência analítica, a razão. Ele alimenta-a por trás, sem aparecer. É a força sutil do espírito que nos impulsiona a aprender o antes chato, o hoje interessante, e o amanhã fascinante.

Com isso construímos a pirâmide das necessidades fundamentais descritas pelo Eduardo. Pirâmide que é síntese das necessidades e finalidades da vida. Em todas existências, em quaisquer circunstâncias.

Pautar a Vida por essa hierarquia nos levará a eliminar inutilidades e construir nossa personalidade ao longo das diversas existências. Mas isso requer atitude constante e convicta, sem se importar com circunstâncias temporárias e aparentes.

Eu creio que podemos sair desse labirinto.

Mas precisamos de VONTADE.

Vontade de EVOLUIR...

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Link recomendado:    https://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A FELICIDADE TRANQUILIZA - A INFELICIDADE INFERNIZA

Existe uma evidência muito clara que indica se uma pessoa está ou não contente com o que está fazendo, seja no trabalho, seja nos estudos, seja no convívio social. Basta olharmos se essa pessoa está preocupada com o que está acontecendo ao seu redor. E se, além disso, sente um ímpeto ardente de vigiar e controlar pessoas.

Preocupação indica carência interna, que pode ser traduzida como alguma vontade do ego humano não satisfeita. Pessoas assim abundam. Somos todos sujeitos a imaginar o que os outros estão fazendo, como estão fazendo e por que fazem. Especialmente nos empregos ou locais onde seja explícita a relação hierárquica de subordinação. Queremos exercer controle externo porque não somos suficientemente preenchidos internamente - por falta de contato com o Deus imanente que reside em nós. Essa realidade (presente) são causa de grande parte dos males da humanidade - se não todos.

Transformismo.
Desde minha adolescência comecei a me tornar quieto e retraído. Tinha dificuldades de expressar minhas ideias e sentimentos. No entanto, ao longo dos anos percebi que - aliado a essa característica - minha mente e espírito estavam em trabalho incessante, constatando cada detalhe (a princípio), e formando sínteses (a seguir) dessa miríade de fatos, eventos e opiniões. Isso me deu uma relativa tranquilidade, pois me convenci de que todos esses anos "parados" foram de fato uma espécie de preparação para uma série de ideias e atitudes que eu iria adotar. E me certifiquei também de que o mundo acadêmico, racional, científico, seriam incapazes de fazer essa elaboração de substância. Anos de maturação interior. Incubação que antecede uma eclosão.

A vida começou a ficar mais clara. De repente ia me dando conta de que ao fim de cada período "inútil" eu conquistava alguma qualidade capaz de libertar minha mente de algum fantasma que o imaginário coletivo inconsciente inculca na mente de todos nós quando descemos a este mundo. Isso a universidade não ensina, apesar de apontar caminhos - se a pessoa possuir uma sensibilidade capaz de ler nas entrelinhas.

Essa sensibilidade foi aflorando à medida que os golpes do mundo iam sendo aplicados. Eu, ao invés de seguir os caminhos normais, conhecidos, já trilhados - para acabar com a dor - optei por abraçar as decepções e indignações. Alta tensão a ser trabalhada para virar corrente bem orientada. E com isso as ideias e os conceitos começaram a brotar. Finalmente eu estava superando o mundo. Não pela razão, e sim pela intuição - muito mais poderosa. 


Evolução, evolução, evolução.
Só se foca no mais (desconhecido). Afirmar o mais desconhecido
para superarmos o menos conhecido - e cada vez mais triste.
Com essa capacidade de observação e filtragem, adotei uma atitude da seletividade. Pois queria desenvolver tudo que estava se formando na minha mente e espírito. E logo me dei conta de que o único modo de continuar o caminho era me tornando o caminho, porque estava adentrando em terreno novo para o mundo. Terreno ainda não sistematizado, quantificado, reconhecido. Essa loucura me deu uma força que jamais teria obtido seguindo os métodos do mundo, e desde então nunca deixei de seguir esse ímpeto interior.

Eis que (voltando ao tema) começo a perceber uma verdade fundamental, mas pouquíssimo compreendida pelas pessoas: quem realmente trabalha não deseja controlar o outro. E como consequência existe menor vontade de compensação - seja via consumo ou controle de alguém.

Reparem no seguinte: a pessoa "normal" (i.e, adaptada ao mundo) passa 8, 9, 10 horas no escritório ou oficina e adquire bens e serviços para si. A maioria desses bens e serviços não são realmente necessários para que ela viva bem, mas no entanto essa pessoa deseja ardentemente adquiri-los porque ela "merece". O que isso significa? Vocês já pararam para refletir sobre o significado disso?

Se alguém "merece" algo é porque ela sofreu algo. 

Ou melhor, ela tem direito a algo. E quem reclama direito é porque tem uma necessidade fundamental não satisfeita. No caso dessa necessidade ser inacessível (muito profunda, como tempo livre, convívio familiar, ter uma ocupação que lhe agrade, afetos, entre outras) ela preenche o vazio com o consumo de bens e serviços com frequência e intensidade muito além do necessário; e/ou com a imposição de sua posição social ou autoridade sobre outra pessoa - sem motivo.

Obs: Por "reclamar direito" entenda-se: "descontar frustração nos outros maquiadamente ou no consumo conspícuo". Não se trata de combater os direitos constitucionais conquistados com sangue e suor ao longo de séculos de lutas.

E quando compreendemos isso a vida fica muito interessante. Pessoas que desejam controlar ou impor algo a outra são de fato pessoas com problemas internos. E por mais que escondam e sejam astutas em maquiar sua realidade miserável, percebe-se essa pobreza simplesmente pelas atitudes da mesma.

Basta observar atentamente. Se alguém está realmente entretido com o que faz, não importa se todos à volta estão fazendo outra coisa ou estão ausentes ou estão batendo papo (desde que não atrapalhando o sujeito). Essa pessoa está vivendo o fenômeno e nada mais lhe interessa. Se encontra imersa num mundo paralelo e já está recebendo o que deseja durante o próprio ato de criação ou execução. Essa pessoa não irá depois querer ver se o outro fez o tanto que ele fez, ou se os outros não estão dando duro o suficiente. Ela simplesmente se divertiu.

Eduardo Marinho: biótipo do futuro. Nasceu no céu social,
mas não encontrou sentido na vida. Desceu ao inferno
social e encontrou sentido para a vida. 
Infelizmente momentos assim são raros. Porque as condições são desfavoráveis. Temos ambientes e jornadas (de trabalho) que inviabilizam o bem-estar interior, as relações, o convívio, e mesmo o desenvolvimento das faculdades das pessoas. Temos rotinas que nos foram impostas sem que tivéssemos a oportunidade de questioná-las; não podemos conceber outras formas de vida. Nossas mentes foram condicionadas a abraçar uma mentalidade racional - uma forma mental que foi se intensificando até culminar no capitalismo em sua forma neoliberal. Uma mentalidade que se julga o ápice da evolução. Uma mentalidade que se separou do Universo completamente nas últimas décadas. A Natureza e o Além. Nos divorciamos mentalmente do infra-humano e do supra-humano, nos declarando deuses. Essa razão luciférica sozinha não irá nos levar adiante nessa longa jornada evolutiva.

Essa realidade é constatável em todo mundo. Nos ambientes de trabalho (alienado) e de consumo (conspícuo), que abundam e são duas faces da mesma moeda, isso é muito mais evidente. Porque esses meios são propícios para a manifestação dos instintos sob vestes de "contribuição social" e "gozo". Mas a grande verdade é que essa "contribuição social" se revela uma grande farsa, pois a vida de quem segue o modelo vigente se revela cada vez mais vazia de significado, e em grande medida prejudica indiretamente o bem-estar de outros. Prejudica de forma muito sutil (observem o mundo à fundo) comunidades, famílias, ecossistemas e cultura. Rejeita o mais afirmando o menos como o mais. Ignora-se o porvir por ignorância. Ignorância que gera medo. Por outro lado, esse "gozo" nada mais é do que degradação interior por falta de vontade de superação. É uma necessidade de compensação por todas misérias sofridas interiormente. Misérias que não se manifestam porque mal vistas pelo grosso da sociedade. Misérias não-tratadas porque nem ouvidas - muito menos compreendidas. Misérias que culminam nas compras sem sentido, nas atividades vazias e na agressão de minorias. Misérias que realimentam um trabalho que não merece tal nome. Um "trabalho" feito repetidamente, que é meio para fugir de problemas afetivos e também evitar cair no que a mentalidade hodierna crê ser o fim de tudo: exclusão.

A humanidade como corpo coletivo está cavando a própria cova. Está gerando a própria ruína ao colaborar com seu ego luciférico. Um ego que sustenta um sistema que não mais é capaz de atender as necessidades do Ser do Terceiro Milênio. No entanto alguns indivíduos se destacam das massas financeiras, intelectuais ou populares [1]. Indivíduos que podem vir de qualquer meio e pertencer a qualquer classe ou etnia. Indivíduos que podem ou não ter formação específica. É aí que residem as setas que apontam para cima. Precisamos sair do labirinto da horizontalidade racional para ascender a um plano de intuição. Para isso precisamos nos mover na verticalidade mística interior que temos, e assim começar a agir efetivamente para libertar nosso Ser e todos Seres desse plano em erosão.

Temos o Dever de nos libertarmos de uma forma mental.
Temos o Dever de nos conscientizar da Realidade.
Temos o Dever de sair do lugar-comum.

Somos profundos e belos, mas não manifestamos essas belezas profundas.
Queremos ter muitas coisas vazias, mas não percebemos essa auto-intoxicação.
E quando temos, queremos mais e mais e mais...
E nosso SER diminui e diminui e diminui...
Essa é nossa miséria.
Foi assim, é assim...
Mas não precisa ser sempre assim.

A miséria material só existe porque a maioria dos que tem poder e influência são espiritualmente pobres.

Pensem nisso, reflitam sobre isso, sintam tudo isso, vivam isso.
Na carne, na mente, no espírito...

Sem Dor não há Salvação.


Notas
[1] Noam Chomsky, Scott Santens, Ricardo Sempler, Amit Goswami, Domenico De Masi, Vincent de Gaulejac, Huberto Rohden, Leonardo Boff, Pietro Ubaldi, Vladimir Safatle, Leandro Karnal, Márcia Tiburi, Eduardo Marinho, Carlos Novaes.