quinta-feira, 28 de maio de 2015

CHEGAR AO CRISTO CONSCIENTEMENTE

Por anos a humanidade está fazendo esforços titânicos em atingir a libertação por meio da Verdade Libertadora (Evangelho de João), proferida por Jesus, o Cristo, há cerca de 2.000 anos. Mas desde o século IV, quando o Poder político, militar e econômico foi dado àqueles que difundiam a mensagem de Cristo - que tem a mesma essência da Bhagavad Gita e do Tao Te Ching, os livros Sacros do Oriente - a Verdade Cósmica ficou encoberta pelo Poder Sedutor.

Após 16 séculos adentramos no terceiro milênio.

Revoluções científicas.
Revoluções políticas.
Revoluções industriais.
Revoluções tecnológicas.
Revoluções mercadológicas...

Evoluímos sempre por meio da dor.
E poucos seres souberam compreender o significado dessa dor e sua causa.

"Eu e o Pai somos um. O Pai está em mim e eu estou no Pai. 
Mas o Pai é maior do que eu." 
(Jesus de Nazaré)

O Profeta de Nazaré. Verdades paradoxais somente
compreendidas após uma experiência mística.
Isso é concepção monista do mundo. Deus está em tudo e em todos. Mas Ele é mais do que a soma de todos nós. Nós seres humanos somos potencialmente crísticos por natureza. Basta nos conscientizarmos disso por meio de uma vivência intensa e sincera.

Não me arrependo de nada que sofri. 
Pois meu sofrer me levou ao meu conhecer.
E meu conhecer me entregou ao meu saber.

Me arrependo do pouco que fiz.
Mas sempre podemos fazer.
Mas antes de fazer devemos Ser.
E para Ser devemos compreender.

Em quase 30 anos nunca me interessei pelos Além, pelo Infinito, pelo Eterno, pelo imponderável.
Aos 26 anos lia e ouvia sobre o Cristo, mas pouco me comovia.

De lá para cá, muita coisa aconteceu.
Mas jamais me converti a uma igreja,
Nem realizei um curso,
Nem estudei o que desconhecia...

Apenas ardi e pensei e chorei e sangrei.
E uma mensagem veio em forma de papel.
Pietro Ubaldi e Huberto Rohden.

Com eles cheguei a Gandhi, Pascal, Einstein e Tolstoi.
E depois a outros e mais outros.

Leitura assimilada, refletida, sentida e vivida.

A maestria das palavras à serviço do espírito.

Ubaldi e Rohden realizaram a melhor degradação Conceito -> Palavra que jamais vi.
Degradação porque quando descrevemos uma experiência mística em vocábulos humanos, sempre degradamos a mensagem do Alto.

Elevaram tanto a palavra, quanto a teoria, quanto a poesia ao patamar máximo, chegando mais perto do Espírito.

Sua vivência espiritual integral é sublime.
Tão fantástica que foi capaz de imprimir uma potência ímpar a cada relato, palavra e explicação.

E com isso li o Evangelho e inicio o Novo Testamento.
Mais tarde lerei a Baghavad Gita e o Tao Te Ching.

E agora, em 4 anos, vendo grandes épicos da década de 50 e 60 como Ben-Hur e o Rei dos Reis, choro inexplicavelmente ao ver a representação do Nazareno, que tanto sabia da Vida que não necessitou escrever ou passar uma teoria ou receita.

Choro mas adoro, porque tudo que é Belo causa um misto de assombro e fascinação.

É um choro mais feliz do que as horrorosas gargalhadas infelizes que expeli ao longo dos anos passados.

Imensa era minha ignorância feliz ontem !
Enorme é a consciência de minha ignorância infeliz hoje !

Mas como me sinto tão melhor tendo diante de um deserto aparentemente invencível?
Por que me sinto repleto de paz na minha solidão de parcos recursos?
Por que me desprendi de tantas coisas?
Não foi isso que a sociedade me ensinou...

Mas talvez esses ensinamentos tenham sido sinceramente inconscientes.
Ensinamentos sem orientação.
Ensinamentos que não eram ensinamentos...

Oh futuro incerto !
Oh possibilidades loucas !
Oh vontade vulcânica !
Oh jornada solitária !

Mas eis que encontro alguém que procura ser Alguém - como eu.
E minha jornada solitária passa a ser uma jornada Solitária potente.

Porque ambos estamos orientados para o Infinito de mãos dadas.
Nos alimentamos do Mais e trocamos experiências e idéias no nosso finito.

É uma escalada sem fim.

E eis que começo a me aproximar do Cristo interno conscientemente. Busco o que falaram que deve ser buscado sem imposição, mas sim permeado de convicção. E com isso as palavras são internalizadas e as experiências são buscadas.

Querer o dever é sublime.

E devo buscar isso em todas esferas da vida.
É o imperativo categórico de Kant.

Há muito a sentir.
Há muito a viver.
Há muito a descobrir.
Há muito a fazer.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

A POTÊNCIA DO SENTIMENTO SINCERO

Muitas confusões se tem feito a respeito da palavra "sentimento". Associamos ela indistintamente a dois tipos de atitudes e ações que podem se assemelhar em seus efeitos mas com essência profundamente diversa.

Para a grande maioria de nós, o ser humano possui duas zonas distintas no campo da consciência: o consciente e o inconsciente. Enquanto a primeira (para o biótipo padrão atual) é intelectiva-analítica, capaz de entender o mundo físico e até alguns fenômenos humanos, a segunda não é sistematizável à mente, e portanto reside num terreno reservado aos automatismos ou mistérios. O que quero dizer com isso? Quero dizer o seguinte: existem dois tipos de inconsciente - daí as duas classificações: os instintos e a intuição.

Pietro Ubaldi. Revelação através de uma
vida. O acontecimento mais fascinante.
Toda experiência e explicações.
Deixo claro desde já que o super-consciente, o consciente e o sub-consciente são relativos ao grau evolutivo de cada ser. Por exemplo, o que para São Francisco de Assis é natural, e portanto instintivo, como tratar bem todas criaturas e não ambicionar nenhum bem terreno além do mínimo necessário para manter o corpo e a atuação neste mundo, para a imensa maioria de nós é extremamente doloroso de ser feito. O poverello de Assis era (é) bom, e com isso seu fazer bem é consequência natural (instintivo). Algumas pessoas se esforçam arduamente para fazerem o bem, porque sabem que é o certo. Mas como se esbaldar na comida ou bebida ou sexo ou ruídos; ou cuidar excessivamente do corpo; ou buscar bens além da medida; ou ganhar erudição e títulos egoisticamente é tão mais agradável e natural para a imensa maioria de nós, nossas tentativas ascensionais logo são frustradas e voltamos às atividades que nos parecem mais naturais.

O místico, o gênio, o santo e o profeta são naturalmente trabalhadores e compreensivos.

O ser semi-consciente em busca do mais se esforça continuamente para ser melhor.

O ser inconsciente goza dos prazeres profanos e foge da profundidade oceânica da Realidade.

Sofrer por seguir o imperativo categórico de uma voz interior é o primeiro passo para atingirmos a felicidade consciente.

O gênio está dentro de cada ser humano. Resta apenas entrarmos em contato com a potência que jaz subjacente.

Em suma, o que é instintivo, automático, rápido, perfeitamente executado, sublimemente desejado e gloriosamente construtivo para o ser de ordem superior, para o grosso da humanidade presente é pesaroso, difícil, sofrível, lento, intermitente, forçado. Eis o porquê do desejo de recompensa ao fazermos uma ação boa. Mesmo que esse desejo seja discreto e pouco manifestado - ou melhor, manifestado elegantemente, de forma a conseguirmos uma recompensa sem aparentarmos essa ânsia ardente - ele existe e persiste.

Estamos diante do drama milenar: Atingimos o máximo ou haverá muito mais?
Percebam: a depender de qual concepção da Vida for adotada (visão estática / visão dinâmica), suas atitudes e posturas desembocarão em desejos e planos e métodos e objetivos condizentes com ela. Enquanto a primeira (estática) nos leva à acomodação vertical e manifestação horizontal intensa, a segunda (dinâmica) se preocupa menos com a fluidez agradável da pista do plano horizontal particular e lança grandes energias, idéias e emoções para quebrar o teto rígido delimitador da realidade ensinada e imposta. Duas concepções...Uma é cômoda, outra é dolorosa. A escolha parece óbvia - mas não é.

Sofrer externamente hoje para triunfar internamente amanhã, ou 
Gozar intensamente hoje para amargar internamente amanhã?

Amigo e amiga, vou-lhes contar um segredo que vocês no íntimo já sabem: tudo que sou hoje de bom e construtivo, devo às dores e silêncios profundos da minha vida. Minha escrita (creio); minha vontade de estudar e ler sobre diversos assuntos; meu gosto pela música e cinema; minha energia e criatividade em questionar, contornar, ver, rever, parar, sentir, refletir; meus parcos conhecimentos extracurriculares e etc. Tudo isso devo a muitas aparentes perdições e infelicidades, que formaram uma voltagem interna intensa, que optei por armazenar, para tentar compreendê-la. Anos de incubação silenciosa para gerar eclosões espontâneas. Uma enxurrada de pensamentos, idéias, vontade e energia ordenados. Ações que eu via como irrealizáveis, difíceis - e às vezes impossíveis - eram executadas pelo meu ser rapidamente, sem pensar ou planejar. Aprendizagem por maturação longa. Eis o milagre que cada ser humano pode operar.

O núcleo de mudança: sentimento sincero. Ele não é instinto. Sua lógica é supra-lógica, e portanto sem sentido para a grande maioria. Indefinível para a mente puramente analítica, científica, culta. Um mistério para o estudo. Uma realidade maravilhosa para o vivenciador.

"O Amor é o zênite da Razão." segundo Albert Schweitzer.

Quem sente a dor da rejeição através do outro; quem sente a necessidade de superar sua natureza; quem sente que o frio, a fome, a dor momentânea e o fracasso relativo são breves e insignificantes perante a dor do afastamento metafísico que permeia as nossas (pseudo)relações; este ser inicia a grande escalada pessoal que culminará na superação do plano atual e conquista de um novo plano. Ascensões humanas.

Na ardente busca pela Verdade nos dispomos a ler, estudar, fazer, ouvir, chorar, amar e sofrer. Sofrer conscientemente para depuração espiritual, e assim sofrer cada vez menos, nos transformando em criaturas cada vez mais invulneráveis às circunstâncias do mundo.

Isso é o Poder da Grande Verdade vencendo a verdade do pequeno poder.

Englobando a dor inevitável num oceano de consciência cósmica.

Transformando a dor horrenda em atitudes sábias. Atingir sua Essência.

O verdadeiro Amor é suprema sapiência.
Ele alimenta o Estudo, o Trabalho e a Pesquisa.

Ou seja, ele é Fonte Universal Inesgotável da compreensão do mundo (estudo), da transformação do mesmo (trabalho), e do ato de vislumbrar e desbravar novos mundos (pesquisa).

O verdadeiro Trabalhador é estudante e pesquisador.
Porque para transformar deve compreender e vislumbrar a fim de orientar sua ação.

O verdadeiro Estudante é trabalhador e pesquisador.
Porque para compreender deve aplicar a teoria e sentir o além a fim de estimular sua assimilação.

O verdadeiro Pesquisador é estudante e trabalhador.
Porque para captar do além deve considerar as conquistas e traduzi-las para superações coletivas.

Estudo, Trabalho e Pesquisa cooperando organicamente no Ser Integral, cujo Amor místico realiza a união metafísica que transborda em ações construtivas permeadas de ética.

Um mundo sem sentimentos é um mundo robótico e "perfeito".
Um mundo estático com muita produtividade sem criação.
Com muitas "soluções" e poucas introspecções.

Não...prefiro os defeitos humanos que se chocam e transformam.
Prefiro a desordem humana de hoje para alcançar a ordem cósmica de amanhã.
Quero sentir para sofrer.
Quero sofrer para refletir.
Quero refletir para me incomodar.
Quero me incomodar para apreender.
Quero apreender para aumentar minha voltagem.
Quero sofrer e chorar e (quem sabe um dia) sangrar.
Para me realizar ao máximo.
E com isso mostrar caminhos verticais neste mundo que só vê soluções horizontais. Pseudo-soluções...

Da síntese chega-se à análise elegantemente, solidamente e triunfalmente. 
Mas antes deve-se sofrer conscientemente...

Da análise chega-se à síntese dolorosamente, frouxamente e desastrosamente.
Mas antes deve-se sofrer inconscientemente...

As duas são importantes, e ambos caminhos levam ao mesmo fim: síntese E análise.
Mas um parece ser mais eficaz...

No entanto, num mundo que prima pela produção de zeros que levam a crises, a maior insensatez e irresponsabilidade e loucura é: largar o consumismo, parar para refletir e parar de desejar.

E com isso perde-se o medo louco que impera na alma da imensa maioria.

Quem nada teme e nada deseja é imune às circunstâncias externas.

Os prazeres do mundo não desviarão o Ser Iluminado do seu caminho.
As ameaças do mundo não frearão o Ser Iluminado em sua jornada.

É a potência do sentimento sincero.

Nada mais, nada menos...

Compreenda-o quem o puder !



sábado, 23 de maio de 2015

O DIVINO: EIXO COMUM DOS SABERES HUMANOS

A tradicional segmentação entre as diversas áreas do saber no Ensino Básico é recomendável a título de organização pedagógica e clarificação (aos alunos) do objeto de estudo de cada ramo do saber. Tanto que nossa legislação estabelece uma divisão obrigatória - e coerente.

De acordo com o Artigo 26, parágrafo n1, da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996,

"§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil."

Entende-se por "conhecimento do mundo físico" todas as teorias, experiências, livros, artigos, etc referentes ao universo infra-hominal - aquilo que conhecemos por natureza - e suas relações com a vida individual e social, além de sua própria trajetória, possibilidades e tendências. Aí incluem-se, de modo geral, a física, a química e a biologia, com ramificações em outras áreas específicas. E "realidade social e política" refere-se a todo saber e experiência relativo ao universo hominal, incluindo sua evolução ao longo do tempo, a distribuição espacial, as relações homem-homem e homem-natureza, entre outras. Aí temos de forma geral a História e a Geografia, com suas ramificações em diversos campos.

Por língua mãe (o português, no nosso caso) é óbvia sua importância. Quanto à matemática, trata-se de uma linguagem universal com alta permeabilidade em diversos ramos do saber, sendo ao longo da história humana muito comum nas ciências naturais, na economia e em alguns estudos de linguagem; e atualmente cada vez mais aplicada para descrever fenômenos sociais, psicológicos e de outra natureza - sua aplicação depende muito da criatividade humana em captar o abstrato no concreto.

De qualquer forma, essa segmentação não é exclusiva, mas sim inclusiva. O que isso significa em termos concretos? Primeiro, que a divisão em quatro grandes ramos na escola primária não nega o surgimento de áreas mais específicas, cujos princípios partam dessa base comum. Como exemplo temos a sociologia e a antropologia nas Ciências Humanas; e a astrofísica e bioquímica nas Ciências Naturais.

Tudo isso eu falei apenas para ressaltar que, à medida que um ser em busca do esclarecimento integral* assimila campo, adentra em outros e relaciona alguns ou muitos destes e daqueles, mais clara é sua visão de interconexão entre estes campos. Além disso, se sua busca for sincera, tornará-se visível (e fascinante!) o inexorável transformismo que rege cada um desses campos. Aquilo que era uma orquestra desordenada e em conflito se torna uma sinfonia rumo ao infinito, sempre com mais novidades - e cada vez mais simples de assimilar e vivenciar.

Logo, para aquele em busca da sabedoria, a departamentalização dos saberes, a divisão das esferas da vida e a dissociação entre ensino e prática são contraproducentes em termos individuais e coletivos.

Esclarecimento sem afastamento.
Libertação sem esforço externo.
Para ser lido, refletido, sentido e vivido.
Nada menos, nada mais.
É possível ser um especialista muito bem sucedido e ter-se uma visão global do mundo. Uma visão global não apenas de sua área, mas de tudo que rege a Vida. Porque não se trata de saber tudo sobre tudo, nos mínimos detalhes, e sim: 1) perceber o fio condutor (essência) comum que rege todos fenômenos; 2) conhecer e vivenciar um eixo diretor cuja força de atração ordena e estimula para uma finalidade inconcebível (a princípio) e irresistível (sempre, apesar de tudo); 3) permear toda sua atividade especialista com essa vivência cósmica que diz "Unidade na diversidade", de modo a sempre criar eficientemente e conscientemente. Nada mais, nada menos.

Com isso fica clara a infantilidade da divisão mental entre áreas do saber. Há uns que se julgam mais do que outros porque sua profissão "paga mais"; ou porque ela dá mais "oportunidades"; ou porque ela é "mais importante"; ou simplesmente porque ela é o "mais importante" (notem a diferença: "é mais", "é a mais"). E assim só contribuem para o atraso do progresso humano. Essa forma mental desemboca em outras divisões: igrejas, partidos, etnias, raças, nacionalidades, etc. Tem-se tudo armado para o atrito máximo. Dissipação de calor. Em português: muito trabalho, muito esforço para pouco resultado efetivo. E quando digo "resultado efetivo" não me refiro a matéria animada ou não, a plásticos ou a títulos. Me refiro a uma transformação do SER que colime (inconscientemente) em atitudes tão eficazes e duradouras quanto imperceptíveis. Isso é o que chamo de "resultado efetivo". Porque com ele os outros (necessários) resultados virão: casa, comida, bens, amigos, amigas, dinheiro, oportunidades,...Na medida do necessário.

O conhecimento torna a pessoa preconceituosa afirma Pietro Ubaldi frequentemente em sua Obra. Isso significa que a intelectualidade pode ser útil ou não. Se orientada e posicionada em seu devido lugar, ela é uma ferramenta poderosa; se não, torna-se um carro desgovernado que atropela e sufoca vidas elegantemente, com modas, medidas e teorias aparentemente fantásticas. Atitudes que desconsideram o longo prazo, ignoram o imponderável e não fecham o circuito.

Desconsiderar o longo prazo até hoje fez parte da natureza humana (subconsciente, instinto). No entanto, não precisa - nem será - sempre assim. Porque o acúmulo de erros em forma de dor, aliado à não solução destes pela implementação de diversas alternativas frouxas (que vemos ao montes por aí), num dado momento cansará o ser oprimido e o levará a ganhar audácia e determinação para superar seu plano evolutivo. Elegantemente em sua substância - não apenas "elegantemente" na forma, que é idêntico a nada resolver...

A ciência do século XX já provou que os 92 elementos da
natureza são lucigênitos. Ou seja, todos átomos provêm da luz.
Com isso as palavras da Sua Voz de "A Grande Sìntese" é
validada, revelando que a intuição está à frente do intelecto.
Compreenda-o quem o puder.
Ignorar o imponderável é não ter apreendido a história humana. Nossa espécie descobriu tantas leis físicas que não são visíveis (ex: gravidade) e até aponta para a descoberta de alguma essência além (mais profundo) que influencia no campo mental, nas atitudes. Considerar o mais, o intangível, o inconcebível, é cada vez mais solucionador e estimulante. Abstrair (ir além das coisas do mundo) sempre fez parte das viagens mentais dos grandes gênios da arte e da ciência. O pensar e analisar pode ter sido condição em muitos casos, mas jamais causa da gênese das grandes idéias, descobertas e inventos. 

Pensar é condição para sensibilizar.
Sensibilizar abre os canais finitos para o Infinito.
Quando parte do Infinito é captado pelo finito pensante, tem-se aí o que chamamos de "criação".

Talvez estejamos num ponto em que a compreensão dos grandes Profetas e Místicos se torna mais lógica. Muitas vidas, ao findarem, se conscientizam dum Todo. Anseiam mas não sabem explicar. As leis férreas de nosso plano impedem muitos intuitivos de se manifestarem e propagarem seus conceitos. Impedem (discretamente) o discurso silencioso, consciente e "louco", taxando-o de fútil e/ou perigoso. E com isso bilhões partem pro gozo que desemboca em dores, e depois clama por mais gozo, e assim indefinidamente, numa espiral de perdição sem reflexão.

Eu digo que é importante permear o mundo material de espiritualidade. No entanto, invoco um conceito físico para clarear que devemos deixar o "extremo" do espiritual se manifestar para que um dia tenhamos um equilíbrio virtuoso.

A polaridade é boa para a diferenciação das coisas. Fica cada vez mais evidente o que é o que.

Uma "apolaridade"* é uma neutralidade estática que dá a falsa sensação de paz. Essa "paz" é ilusória e vai se tornando mórbida com a evolução interna do Ser.

A polaridade é um posicionamento que dá a oportunidade de um conflito construtivo de idéias para promover o progresso humano. Mas em sua fase inicial é dolorosa. Dolorosa porque recorre-se ao conflito: a) físico-militar (1a aproximação); b) econômico-verbal (2a aprox.); c) econômico-psicológico (3a aprox.), e só após milênios de dores inicia-se a um choque de idéias que nem mais se pode chamar de conflito - que seria a 4a aproximação: intuitivo-intelectual.

Físico-militar.
Econômico-verbal.
Econômico-psicológico.
Intuitivo-intelectual.

A violência se sublima até se tornar convivência.

Milhões de anos passamos no primeiro.
Milhares no segundo.
Estamos no terceiro, julgando-o o "modo definitivo", e usando o Mais (nosso Eu-espiritual) para servir aos interesses do menos (nosso Ego físico-mental-emocional).
Quando chegaremos ao quarto? Espero que em breve.

Eis que a insistência na outra realidade - até mais do que o necessário - se torna essencial. Estamos marcando passo no pólo matéria (-) sem incluirmos o pólo espírito (+). Com isso uma Lei interna começa a se manifestar de modo a um dia atingirmos um equilíbrio espírito-matéria (+-). Passamos para um plano mais elevado - conceitualmente - em que o embate de polaridades se darão de modo mais sublimado (suave). E assim haverá menos atrito e mais progresso. Progresso integral e orientado. Verdadeiro progresso. Evolução.

Não se trata de fazer uma "salada de idéias", e sim de transcender a realidade para atingir uma realidade mais elevada. Trabalhar interiormente para ganhar consciencialmente. E todo o resto virá de acréscimo.

A própria ciência é dogmática ao estabelecer postulados (o axiomas) e se desenvolver metodicamente a partir daí. Nesse ponto Religião e Ciência possuem uma essência comum. E com isso fica evidente o monismo que rege todos fenômenos da Vida.

Só avançaremos efetivamente superando o atual plano biológico. 

A evolução se dá pela dor. Uma dor cada vez mais sublimada.

Mas para que essa dor seja cada vez menos dor, devemos continuar o caminho.

Sintonizar com o Infinito para criar no finito.


*apolaridade: ausência de polaridade (neologismo meu)


quarta-feira, 20 de maio de 2015

SOFRER ULTRA-CONSCIENTEMENTE PARA GERAR MAIS LIBERDADE

A eficácia do método de avaliação ou seleção espelha o grau de evolução atingido por uma coletividade. Se o indivíduo for biologicamente (genética, natureza) e psiquicamente (vontade, visão) apto, terá sucesso em obter muitas aprovações e ser selecionado nos processos mais árduos, sejam entrevistas, concursos ou provas. Caso contrário, faltando um ou ambos destes, a dificuldade crescerá, e muita energia e tempo será gasto em algo que não merece tamanha dedicação - mas o instinto de sobrevivência é forte.

Eu me lembro das infindáveis noites e dias de estudo quando cursava faculdade. Sozinho ou com colegas. Várias eram as preocupações com conseguir o necessário (leia-se, as notas). Pouco era o interesse em saber o porquê de tudo aquilo. Mas isso era e é natural, já que desde nossa entrada neste mundo somos impelidos a agir conforme determinados padrões. E não adianta: por mais diversos que sejam em sua multiplicidade de formas, esses padrões continuam limitando os seres, reduzindo as possibilidades (de transcender a si mesmos) e maquiando as deformidades (amplificadas pela inércia produtivista-mercantilista).

Quem deseja saber o porquê de agirmos naturalmente de um jeito ou de outro? E quem se interessa em saber se algumas coisas sempre serão pensadas, concebidas e vivenciadas do mesmo jeito? Ou dentre um leque de opções. Opções não formuladas por nós, mas já apresentadas prontas, pré-formatadas. Às vezes aparentemente construídas individualmente, mas ao mesmo tempo tendo seu caminhar confinado em moldes invisíveis e influentes (a coletividade, a tradição, o conservadorismo, o medo). Seu desenvolvimento orientado segundo forças externas (sociedade). E assim julgamos ter gerado uma explicação verdadeiramente original. Mas isso não se deu efetivamente.

O sistema de ensino atual não está preparado para o novo tipo de ser - em gestação em cada um de nós. É um sistema voltado para atender exclusivamente necessidades mercadológicas, com foco no lucro e produção, para atender ao "sonho" de bilhões: o consumo.

Quando a ética é ignorada pela ciência, o ser se torna uma mera ferramenta das forças da natureza física e metafísica. 


Bhagavad Gita. A Sublime Canção. O livro
sacro da Índia. Ele, junto com o Evangelho
e o Tao Te Ching, constituem os livros
sacros da humanidade. Se compreendidos
pelo espírito, tornam o  Ser imortal.
A escolha é sua...
Cientes ou não, nos acostumamos a tomar decisões e inteligir mecanicamente, orientados por uma lógica intelectiva cada vez mais arcaica. Uma lógica muito aquém da lógica intuitiva-futurista. Nossos casamentos, nossos projetos de compras, de viagens, de formarmos nossa prole, de conseguirmos todos os títulos e honras, tudo eles constituem - em grande parte - um grito de desespero profundo em forma de uma felicidade horrorosa. Pode parecer uma afirmação radical ou insensata ou sem o mínimo de polidez. Mas convenhamos: todos temas profundos envolvem discursos fortes, dolorosos e aparentemente loucos. Basta lermos os quatro Evangelhos para constatarmos isso.

Recheamos nossas relações de formas com o intuito de enganarmos a nós mesmos - e com isso enganamos o outro e os outros. E vice-versa. Acreditamos que temos de satisfazer o outro em a, b e c; enquanto demandamos da outra parte por x, y e z. Fazemos isso discretamente, implicitamente. Mas explicitamente jamais declaramos tal realidade ou conversamos sobre ela. Por que? Por ser ela aparentemente parte de nossa natureza. Não visualizamos o porvir. Julgamos que são instintos que agem inexoravelmente, mecanicamente, e portanto são insuperáveis.

A grande maioria dos biótipos desta humanidade (presente) crê em uma realidade fixa, imutável, insuperável. E com isso perde-se a possibilidade de visualizar e sentir o transformismo histórico que permeia todas esferas da atividade humana. E como efeito subsequente nos é impossível realizarmos interiormente antecipações biológicas de eventos e fenômenos futuros. Nossa inércia espiritual, materialmente vibrante, trava nosso processo orgânico espiritual - materialmente estático. Isso se aplica a todas esferas humanas, desde a afetiva até aos grandes conglomerados.

Nos associamos a uma instituição porque acreditamos que a mesma está alinhada com nossos valores. Às vezes somos obrigados a fazer isso por necessidades. Mas quanto maior nosso conhecimento da Verdade universal, menores as nossas necessidades e - consequentemente - mais livre nos tornamos. Inicia-se aí um processo de desprendimento sem precedentes. Para seres cuja dilatação de consciência se dá a passos maiores do que a média, a tendência é uma ruptura natural, mesmo com instituições essenciais para a subsistência orgânica a longo prazo. Essa ruptura se dá por parte da (pequena) verdade do (ilusório) poder - que "vence" a Verdade do "pequeno" poder.

O livro sacro da China. Escrito
num jato por um sábio chinês,
cujo saber era tanto que todos
ensinamentos foram transcritos
como um relâmpago.
Podemos viver sem pertencermos a diversos tipos de grupos. Na verdade, para aqueles realmente conscientes, com uma concepção monista do universo, é possível não pertencer a grupo algum e se realizar plenamente. No entanto, o mundo (inconscientemente) ciente disso arquiteta (instintivamente) uma série de mecanismos que torna essa jornada árdua e sangrenta a partir do ponto em que o ser realmente começa a se realizar e influenciar os seres adjacentes. Isso é constatável para quem já sentiu a Essência do Todo na multiplicidade dos fenômenos superficiais que regem a natureza e a sociedade.

Trata-se de medo por ignorância.

O mundo, por ser (ainda) incapaz de sentir e visualizar o porvir; por ser (ainda) incapaz perceber as associações e formas de vida realmente benéficas; por ser incapaz (ainda) de não sentir a interconexão de que tanto fala; esse mundo vê como ameaça aqueles dispostos a transcenderem a sua realidade, e com isso começarem a influenciar o meio. Por não admitir o trinômio fluídico direcionado instinto-intelecto-intuição, adota o binômio estático desorientado instinto-intelecto. Com essa atitude as possibilidades ficam restritas. Por maior que seja o conhecimento analítico-sistematizador, com sua formidável capacidade de calcular, projetar, discursar, armazenar e resolver, ele sempre estará preso às leis férreas do plano em que nasceu. Somente com a derrota do Ego (físico, intelectual, emocional) pelo Eu (espiritual, intuitivo) poderá se dar o próximo passo.

Repito: não se trata de negar ou aniquilar o menos (velho), e sim colocá-lo à serviço do mais (novo).

Lúcifer (intelecto) seguindo Lógos (intuição).

O ser cuja máxima concepção seja dualista é limitado frente ao ser monista. Aquele vê Deus versus diabo. Este vê Deus no diabo e o diabo em Deus - apesar de Deus ser muito mais do que o diabo.

Isso soa como heresia aos ouvidos surdos dos profanos, mas tem perfeita lógica quando assimilados pelos ouvidos sãos dos iniciados espiritualmente.

Mas parece que a humanidade ainda vagueia num imenso oceano. Navega sem rumo. Deseja algo a mais, mas não se esforça para consegui-lo. Julga que qualquer ruptura é violência. E toda violência é mal definitivo. E com isso cria um medo desmensurado à violência. Medo tão agudo que está disposto a praticar atos supra-violentos em prol do fim da violência. Atos que podem ser concretizados em ações aparentemente pacíficas aos olhos do profano, mas que atestam ignorância aos olhos do místico ou do intuitivo. São normas e movimentos serpentinos que oprimem vozes ignoradas e ofuscam luzes sinceras. Mas cada vez mais vozes são não ignoráveis; e cada vez mais luzes são inofuscáveis. Porque elas trazem verdade, sinceridade e vontade. Com essa tríade cultivada amorosamente alguns seres ensaiam movimentos que se traduzem em chamas concretas (intelecto, discursos, textos, etc). Sem necessariamente seguirem uma receita de bolo, vão buscando e buscando e buscando. E com isso aprendem e apreendem nas diversas esferas que o mundo conhece e (portanto) reconhece. Vivem aparentemente ao léu, mas seus feitos geram um misto de assombro e admiração. Porque chegam a um ponto diferente. Elevam os conceitos. Dilatam consciências. Tudo por processo natural. Livre convicção.

Sublime e completo. Unifica e
esclarece. Poesia científica. Fé filosófica.
Fala sobre Tudo e nada, dependendo de
quem o interpreta - que nada mais faz do
que interpretar a si mesmo.
Quem verdadeiramente se conscientizou da realidade suprema sabe que do mundo só se pode esperar o necessário para subsistência. Nada mais, nada menos. Carne humana, títulos, bens móveis ou imóveis, equipamentos, informação incessante e centrifugismos distantes estão muito aquém do Além sentido em momentos tranquilos e plenos- momentos solitários e belos.

Como Rohden bem disse:

Nada pode o mundo esperar do homem que algo espera do mundo.
Tudo pode o mundo esperar do homem que nada espera do mundo.

Ainda é exigido grande sacrifício dos conscientes. A cegueira coletiva dos dirigentes das massas inibe o necessário impulso substancial a ser efetivado. Pietro Ubaldi percebeu isso e perseverou. Porque nada mais desejava a não ser realizar ao máximo seu Ser. E legou à humanidade uma Obra que dificilmente será superada nos próximos séculos, e jamais será ofuscada por malabarismos unicamente intelectuais. Eis a potência supra-humana de seus 24 volumes. Volumes captados do Alto. Não escritos pelo homem Ubaldi, mas sentidos, assimilados e transcritos magistralmente por sua divina essência crística.

Pietro Ubaldi era (e é) grande por sua sensibilidade psíquica-nervosa. Sua intuição, que atingiu as fronteiras do misticismo, brindou a humanidade desorientada com um livro Norteador (A Grande Síntese). Sua linguagem encanta e interessa. Suas conexões fascinam e estimulam. Sua vontade supera - o mundo.

Quanto mais o filme da vida de desenrola, mais clara é essa Realidade.

É infinitamente rico quem é infinitamente consciente.

Jesus, o Cristo, foi o Ser mais rico que jamais pisou nesse mundo, apesar de não ter uma pedra sobre a qual pudesse pousar sua cabeça. Porque ele conhecia a Verdade libertadora.

Coloquemos nossa ciência e técnicas e energia e tempo à serviço da Realidade suprema.

Para evitar mais sofrimento - desnecessário.

Compreenda-o quem o puder.

sábado, 16 de maio de 2015

CHEGAR À SÍNTESE A PARTIR DA ANÁLISE

É regra geral haver pouca consideração com os santos, os místicos e os profetas. Consideração no sentido de percebê-los como biótipos muito à frente de sua época, cujas atitudes perante o tangível e o intangível será regra comum para uma humanidade futura - muito muito futura. Consideração no sentido de não haver tentativas sinceras e profundas em compreendê-los e contextualizar as suas ações, estabelecendo relações entre casos que observamos - e às vezes nós mesmos - e esses expoentes.

A dificuldade em assimilarmos os ensinamentos - via exemplo - das grandes almas intuitivas reside em nossa mentalidade intelectiva-sensitiva. Ela obstrui ou ignora o porvir. Ela ignora o futuro dentro de nós, em gestação a cada momento. Uma gestação que se dá naturalmente, inconscientemente (em nosso estágio atual), e portanto imperceptivelmente, resultando daí uma desconsideração por grandes idéias e ideais. Para aqueles que pendem mais para o sensitivo (animal), predominam os instintos, e todo intelecto serve (disfarçadamente) para encobrir segundas intenções; no outro caso, o intelecto predomina sobre o instinto, controlando-o e se dedicando a atividades de maior prazo. Mas poucos são aqueles que conseguem transcender a zona de consciência intelectiva-analítica, passando para a zona intuitivo-sintética

O conhecimento tende a nos tornar preconceituosos, afirma Ubaldi. Eu percebi isso à medida que subia degraus na pirâmide instrutiva: ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, especialização, mestrado,...E também à medida que ia adquirindo outros saberes de outros campos. Línguas, Matemática, Ciências Naturais, Ciências Humanas. Daí parte tudo, no ensino primário, e vai se seccionando e se aprofundando. A partir de um ponto especializa-se num campo específico sem se preocupar com a manutenção dos conhecimentos passados. Nem sequer nos damos ao trabalho (Trabalho...) de relacioná-los com nossa vida pessoal e profissional. 

Não digo com isso que a especialização em si seja um mal, mas que o modo como ela é lecionada (ou vomitada, em muitos casos) nos obriga a adotarmos uma "atitude" de máquinas ágeis em busca de boas notas ou suficientes, além de nos deixar cronologicamente e energicamente saturados. E assim viramos seres desinteressados à real diversidade e à orientação máxima, taxando aquela de prejuízo e a última de vazia. E o resultado está na vida que cada um leva, com suas "soluções práticas", que apenas nos afastam dos problemas - cada vez mais evidentes. Problemas que um dia deverão ser enfrentados frente à frente. E...conselho de amigo: quanto antes nos despertarmos para isso, melhor.

Mas voltando à questão. Quando falo em transcender não me refiro a negar o passado, suprimindo-o e/ou condenando-o. Trata-se de perceber que a Vida possui algo a mais, muito mais poderoso, que deve guiar os nossos instintos e o nosso intelecto. Porque todos sabem muito bem: depois de muito brincarmos com uma coisa, extraindo dela por muitos anos (ou décadas, ou séculos, ou milênios) todas possibilidades, nos cansamos e ansiamos por mais, mesmo sem saber exatamente o que. Isso vale para objetos, para atitudes e para sistemas (físicos, sociais ou conceptuais). A sensibilidade permite sentir o porvir, e com isso adquirimos a crença, que persistentemente adotada se transformará em fidelidade, ou fé. Aí estaremos sintonizados com o Infinito, e direcionaremos todos nossos canais (bens, corpo, pensamentos e emoções) para a Fonte Universal (Divindade), por meio do nosso Espírito individual, indiviso e consciente

Einstein dizia: "Penso 99 vezes e nada me vêm à mente. Deixo de pensar e eis que encontro a solução." Isso é intuição. Isso é conexão com o Mais. Pensar pode ser (e é, na maioria dos casos) pré-requisito para uma grande idéia, mas ela vem através do relaxamento completo. Da reflexão profunda, meditativa. 

Para muitos, pensar é condição, e intuir é causa de grandes idéias.

Apenas os profetas antigos (Isaías, Moisés, Malaquias,...) e alguns místicos e santos célebres foram capazes de intuitivamente chegar às grandes verdades sem nenhuma instrução formal terrena. Jesus, o Cristo, talvez seja o exemplo máximo. Um Ser que desde a mais tenra infância transpirava sabedoria de outro mundo, em harmonia com a natureza e os homens. E em comunhão com Deus. Tamanha era sua sabedoria que esta suplantava seu intelecto. 

Ser bom, ser sinceramente bom, é a "suprema inteligência". 
Ser Alguém é algo tão divino que não sabemos classificar seres de tal porte, reservando a admiração ou temor (dependendo da vida que levamos e ansiamos...).

No entanto, apesar de tudo, podemos ver alguns seres com muita habilidade nos afazeres do mundo, atingindo o ápice em termos intelectivos, e ao mesmo tempo orientados para o progresso. São professores, pesquisadores, transeuntes e até homens de negócio*, com um senso de transformismo e orientação. Mesmo que não demonstrem explicitamente isso, agem conduzidos por um monismo profundo, sendo implicitamente crísticos sem se declararem como tal. Esses seres podem falar com autoridade e força, mas jamais seu alvo é um outro ser, seja infra-hominal ou hominal. E não desrespeitam o Mais (o divino), por sentirem uma profunda Realidade e uma vasta Verdade. Seu alvo é o combate à forma mental engessada que predomina. Eles relacionam, escutam, divulgam, englobam, explicitam, criam, trabalham e estudam incessantemente, apesar das negações e calúnias, seja da mídia, seja da sociedade, seja de qualquer órgão do Poder. Porque quem busca a Verdade não pode compactuar com o Poder além de um certo grau.

Cristo não compactuou absolutamente com o Poder, pois a sua Verdade era máxima. E por isso teve de morrer. O mundo não suportou tamanha luz encarnada, e se sentiu dividido. Mas foi esse evento marcante e impactante o impulso inicial de uma transformação sem precedentes na humanidade terrena. Compreenda-o quem o puder...

Mostrar as divisões e mazelas através de boas atitudes e ensinamentos não é ser divisor. Apesar de muitos divisores taxarem os precursores de novas eras como entes malignos. 

Quem divide é quem esconde e ignora a Realidade mais profunda.

É aquele que ignora o mendigo, a pobreza, a falta de perspectiva de muitos, a doença, a guerra e seus inúmeros defeitos. 

Quem ignora a si mesmo é divisor.

O problema de nosso mundo é o seguinte: ainda não estamos preparados para lidar com a auto-crítica. Não vamos muito fundo na auto-análise por ser dolorosa e trabalhosa. 

Dolorosa e trabalhosa...

Por não sabermos lidar com a nossa substância divina, e também por ver essa mesma atitude nos outros, decidimos adotar consciente ou inconscientemente um contrato social que diz: "não se fala em A, B, F, U, I, X, e T, mas de C, J e Y pode-se falar à vontade" Mas a questão é que justamente os temas proibidos (polêmicos) são aqueles que devem ser trabalhados. Percebam isso.

Não adianta fugir para baladas ou bares, ou mesmo se afogar no estudo incessante e desorientado de teorias e equações e textos; nem sequer buscar as academiais ou o reconhecimento social; ou o sexo intenso, as drogas e as bebidas; ou os restaurantes e viagens luxuosas; ou as casas suntuosas (palácios!) e veículos sofisticados. Não, isso não lhe trará nenhuma solução. Apenas ilusão...

Frustração do autor, por não ter isso? Não sei...Já tive oportunidade de ter algumas dessas coisas e permaneci como um inerme. Sentia alguma coisa de vazia em tudo isso. É claro que todos temos vícios e defeitos, mesmo que em graus diferenciados. Mas reconheço o muito que tenho de fazer apesar do muito já superado.

Não forço ninguém a lidar com sua substância. A pessoa deve estar preparada para isso. Só cito exemplos que podem acelerar o processo de transformação. Pense, repense, reflita e constate. Ao longo de um longo tempo. Posso garantir que seu tempo não será perdido.

Estude sim. Adquira bens e cuide do físico, da saúde. Mas apenas na medida certa (você irá descobri-la).

Podemos chegar à consciência intuitiva indiretamente. Basta crer em algo a mais enquanto desenvolvemos o conhecimento do mundo que nos rodeia. Crer antecede o saber.

Desenvolver o intelecto de um modo sábio, tornando-o ferramenta de algo maior. Uma nova dimensão nos espera.

* Ricardo Semler, empresário muito à frente de nosso tempo.  http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_Semler






segunda-feira, 11 de maio de 2015

RETIDÃO E SINCERIDADE

A noção de unidade na diversidade traz uma paz interior tão grande e poderosa que é capaz de anular muitas das dependências que temos do mundo externo, seja ele material, físico, emocional ou mental. 

Hoje compreendo uma grande verdade: para ser bom em algo devemos amar esse algo. Vivê-lo, senti-lo. Intensamente. Calorosamente. E para sermos alguém devemos buscar o nosso centro indiviso, imutável e eterno. O centro radiante obscurecido pelas ilusões da mente e prazeres do sentidos. 

O Amor - na sua mais alta acepção - é o "estudo" mais eficaz da humanidade. Vivido, ele traz compreensão das circunstâncias da vida. 

Explica o que antes era inexplicável. 
Move o que era imovível pela força ou intelecto. 
É a força do espírito capaz de vencer o espírito da força
É o Grande poder da Verdade, que vence a pequena verdade do Poder.

É Nada para quem não o viveu. É Tudo para quem o vive - e viverá sempre.

É um "nada" singelo que se manifesta sinceramente como um pequeno promissor.
O pequeno promissor se propaga por mares e desertos, crescendo por si mesmo.

Ele é o combustível espiritual capaz de acender todas as chamas da longa estrada que temos pela frente. Os pedregulhos e abismos passam a ser vistos; a jornada passa a ter mais sentido; e as dores passam a ser sofrimentos necessários para elevação espiritual, mental e corporal. 

Intuição aflorada, intelecto eficiente, saúde inabalável.

Quem ama vive na retidão da certeza.
Quem ama o fenômeno que investiga não se abala com as "derrotas" no meio do caminho. Porque a única derrota é desistir por não ouvir a consciência...

Chorar por arrependimento e sinceramente traz respostas
à longo prazo. Um desejo ardente por compreensão.
Um pedido de orientação. 
Amar o fenômeno é viver o fenômeno. É perceber a analogia (não identidade!) entre tudo e todos, ontem, hoje e amanhã. É sentir a gênese de algo inédito, metafisicamente maior do que todas as grandes obras do passado. É perceber a singeleza de cada gesto, ato e expressão. É se integrar a algo tão importante que é taxado pelo mundo de irreal e ilusório. É perceber que esse "ilusório" governa os acontecimentos deste e de todos os mundos. Silenciosamente. Poeticamente...

Ser reto e sincero é consequência de conscientização profunda aliada à persistência anormal (supranormal). É resultado de um acúmulo de choques passados sem sentido que foram convertidos em correntes intensas e intermitentes plenificadas de sentido e lógica. É algo tão poderoso, demandando visões tão vastas e sensibilidade tão profunda, que as palavras humanas reduzem drasticamente essa razão-de-ser.

A sinceridade retilínea é o caminho menos desgastante e mais sofrível. Menos desgastante por não exigir artimanhas e complicações - pois a vida já é tremendamente complicada. E mais sofrível por ser criminalizada pelo mundo - muito propagada pela boca e pouco vivenciada pelo espírito. Ela desperta com o despertar da consciência. O Ser passa a ver uma realidade tão oculta quanto presente - simultaneamente. 

Oculta no passado ausente de percepção. 
Presente pelo despertar banhado de iluminação.

A sinceridade retilínea é um caminho de altas tensões metafísicas e ínfimas interações sociais. É uma jornada longa e solitária - ou quase...

Felizes daqueles que encontram seres fervorosamente ansiosos por ascensões!
E humildes em seus planos terrestres.

Retidão...Ela orienta o desorientado, energiza o desgastado  e reforma as ruínas corporais, mentais e da alma. O Ser se desprende completamente do mundo por um tempo. Nem por medo, nem por ódio, nem por senso de superioridade. "Apenas" por ter encontrado o Algo e o Alguém que todos buscam inconscientemente, de várias formas, por várias vias...

Muitos se desgastam com o intuito de acumular coisas e depois exibi-las - sejam objetos ou sujeitos-objetos.

Outros se esgotam para adquirir coisa X em troca de coisa Y - e repetem incessantemente o ciclo, sem saber o porquê...

Outros ainda, crentes de terem atingido o zênite evolutivo, se trancam e estudam para ganhar o que chamam de "sabedoria". Provam tudo sem nada saber...

Evolução por ciclos é uma Lei universal. Quando um se esgota por completo inicia-se o próximo. Naturalmente. Inexoravelmente.

O Novo Ser está em gestação neste mundo cada dia mais velho.
Um mundo saturado de métodos antigos.
Um mundo sofrível e sofrido.
Um mundo sustentando pela vagabundagem de seres "exemplares" e "eficientes"...
Seres que produzem um mar de zeros sem nunca terem parado para refletir...

Pascal: Santo e Gênio. Tudo que a
humanidade precisa.  
Enquanto isso alguns param de vez em quando e mergulham num poço profundamente assombroso. Tão profundo quanto misterioso. Tão misterioso quanto promissor. Tão promissor quanto inexplicável...Um desafio ao intelecto e aos sentidos. Seres fiéis a algo muito maior do que sua existência visível. Seres taxados de egoístas por quem exerce o mais maquiado dos egoísmos - sem o saber. Seres tão intensos e sinceros em seu trabalho, estudo, diálogos e exercícios, que assustam o meio circunjacente.

Esse seres deixam de produzir os zeros que o mundo tanto louva e respira. Mas além disso essa atmosfera respirada começa a envenenar essas criaturas estranhas. E elas tem duas opções: ou manifestar isso e sofrer a consequência ou se calarem e continuarem tragando o veneno. Vai depender do grau de desprendimento do aquém e da visão do além...

Alguns, após esse mergulho no poço, voltam à tona e erguem um imponente UM. Ele é infinitamente maior do que todos os zeros. Porque sua unidade supera a soma e multiplicação de todos seus irmãos. É mais belo do que os símbolos circulares que sempre voltam ao mesmo ponto. Ele aponta para algo. É reto e unitário. 

O triunfo da Vida é quando o 1 se integra aos zeros, valorizando o que era vazio: 1.000.000

O 1 é o mundo dos Valores internos.
O 0 é o mundo dos Fatos externos

Ambos são importantes, mas o nosso mundo só vê os zeros e se saturou deles, julgando possuir valores. Triste ilusão...

A Ciência pode auxiliar, mas jamais realizar o passo definitivo.
A Filosofia e a Religião, em sua essência uma só, orientam o intelecto.

A Ciência cuida do prático, do presente, do sistematizável. Ela constrói e facilita.
A Filosofia prepara o futuro, questiona, eleva. Ela dá fluidez.
A Religião orienta, tranquiliza e aponta. Ela revela a finalidade.
A Poesia inspira, encanta e embeleza. Ela alegra a caminhada espinhosa.

Quando essas irmãs cessarem sua desarmonia interna e sua competição externa o mundo marchará gloriosamente rumo ao progresso.

Progresso integral.
De forma reta e sincera.

Como deve ser.

Como será...

OBS: o jogo dos zeros e do um é originalmente de Huberto Rohden. A idéia veio de sua pessoa.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

VOLTAGEM PARA AMPERAGEM

Da elétrica sabe-se que voltagem é potencial não realizado, ao passo que amperagem é atualidade não potencializada. A amperagem é uma variável de fluxo: é atuação, é sentida (choque), é manifestação, é efeito. A voltagem é uma variável de esforço:  é passividade, é pré-requisito (para o choque), é imanifesta, é causa.

Mas a passividade da voltagem é só aparente. Só designamos sua natureza com essa palavra porque não sentimos nem observamos sua realidade - isso é tarefa da corrente elétrica, que só existe devido à diferença de potencial elétrico, cuja causa é a voltagem.

Os maiores efeitos tem por trás as maiores causas. No entanto, só percebemos o que vêm à tona. Isso vale para o mundo físico e metafísico. Para o mundo material, orgânico e psíquico. Fenômenos com dinâmicas variadas, mas cuja essência é idêntica. Uma essência simples e complexa simultaneamente. Simples por não requerer nenhum eruditismo do mundo para ser assimilada. Complexa por ser capaz de fechar todos os grandes dilemas da humanidade sofrente, sem recorrer a uma só teoria ou livro ou máquina ou poder.

Simples e complexa...

No mundo a maioria das pessoas opta inconscientemente por possuir alta amperagem - e consequentemente baixa voltagem. São pessoas que realizam muitas acrobacias materiais e físicas. E também sentimentais e mentais. Estas, apesar de mais elaboradas e vastas, não vão muito além daquelas. As últimas são do campo intelectivo. As primeiras do campo sensitivo. Mas nem os sentidos nem o intelecto irão resolver os problemas mais agudos enfrentados por uma humanidade cada vez mais desorientada em seu íntimo. Tão desorientada que faz de tudo para escapar do grande auto-debate que levará ao auto-conhecimento.

Novidades, aquisições materiais, cursos, festas, viagens, eventos, aventuras amorosas, esportivas, acadêmicas,...a lista não tem fim. Nem as justificativas. No entanto, após ciclos horizontais de fecharem, observa-se pessoas em condições semelhantes àquela anterior - em sua essência. Ou até pior, mas com a ilusão de ter melhorado.

Quem tem medo de altas tensões espirituais...
Quem foge da metafísica e nega o misticismo...
Este domina o dominável mas...
Jamais tornará o Indominável dominável.
É explicável: a amperagem flui. Ou seja, é constante movimento. Passa e vai. Ou seja, não é retida. O "indivíduo amperagem" serve de canal para as facticidades cotidianas - suas e de outros. Facticidades que nada lhe acrescentam por não lhe fornecerem orientação. Somente após uma série de aventuras horizontais (trabalhos que movimentam a economia, aquisição de muitos bens, registros em cartório, aventuras sexuais, reconhecimentos sociais) muitos - nem todos - se dão conta de que existe "algo" faltando. Um Algo tão imperceptível, tão sutil, tão imaterial, que nos escapa aos sentidos e ao intelecto. Não somos capazes de percebê-lo (sentidos) ou concebê-lo (intelecto).

Muitos, após servirem de canal para "fontes" horizontais, se dão conta de que no final das contas muitos esforços foram desperdiçados em coisas que não trouxeram felicidade. A sensação de vazio é imponente. O "fim" inexorável se aproxima e urge ao ser afirmar que sua vida valeu a pena. E, caso a consciência consiga emergir mais forte, admitirá e lamentará, sem no entanto perceber que a jornada é infinitamente longa e há muito mais...Raros seres serão capazes de perceber, nos últimos anos, o Real significado da existência. A razão-de-ser de cada ser humano. Mais raros são aqueles que conseguem ver e sentir a Realidade universal ainda no vigor da idade. Esses sofrem, choram e sangram. Sua alma arde em pleno sucesso ou total fracasso social. Porque nada disso lhes interessa. A felicidade vem de dentro, não de fora. Ela vem da criação de valores, e não da descoberta de fatos ou aquisição de matéria morta ou carne viva. Esses são "indivíduos voltagem".

Ser voltagem não é abdicar dos fluxos 'ampéricos', e sim represar grande quantidade de experiências (boas e, principalmente, ruins) para convertê-las em amperagem abundante e eficaz. Lidar com uma alta tensão interna, uma voltagem muito além do suportável pela média humana, é desafio titânico que desgasta o corpo e a mente. O indivíduo se esgota, mas sente um imperativo categórico*. Ele se disciplina (auto-disciplina) constantemente. Sofre inicialmente, se alivia após a descarga. E não se contenta com o que fez antes. Procura ser melhor, mais claro, mais envolvente, mais simples,...

É incansável em seu Trabalho. 
E intocável em seus Princípios. 

Continua marcha. Independentemente das opiniões, das tendências, dos prazeres que se apresentam e do reconhecimento social. Ele faz isso por amor ao seu SER. E esse amor-próprio não gera exclusivismo (egoísmo), e sim inclusivismo (amor). É um mergulho em si cuja consequência é a solução dos últimos problemas da existência. E por lógica, como tudo se relaciona e Deus é imanente em cada criatura, resolve-se o problema do entorno.

Suportar altas tensões espirituais requer fé. Isto é, fidelidade com a Fonte Universal. A pessoa precisa estar sintonizada com o Infinito e o Eterno, se esquecendo de todas as coisas do mundo profano, sejam elas ocupações, preocupações ou aquisições. E após essa viagem ao pico do Everest chega-se à síntese dos problemas. A intuição leva o ser próximo à luz cósmica, que lhe rasga o ego físico-mental.

Destrói-se o destruível.
Eleva-se o indestrutível.

E quando o indestrutível (sujeito) volta ao mundo, ele é capaz de dar o devido valor aos milhares de destrutíveis (objetos). E assim uma enorme voltagem é direcionada sabiamente, gerando amperagem abundante que se ramifica por vidas e vales antes áridos. 

Ascensão -> Tensão crescente -> Tensão máxima -> Retorno -> Liberação de correntes

A alta voltagem gera um misto de temor e fascinação.
Assim são todas as grandes coisas na vida...

A Arte do Ser está em saber equilibrar essa polaridade.
Deve saber lidar com as questões mais polêmicas, dolorosas, insolúveis sem temor ou desânimo.

Deve tentar sem recorrer aos métodos do mundo.

Deve mergulhar em sua essência, cheia de Realidade.
Mas o mergulho deve ser fundo, sem medo de se afogar.

O momento mais tenso na travessia de um mar ou deserto é quando nos encontramos no meio do caminho.

Nos arrependemos por ter "perdido" nosso tempo numa jornada tão longa, dolorosa e ineficaz. Mas o que há lá atrás é tão pobre, tão vazio e tão desesperador - apesar de sorrisos e conforto e movimento - que nos recusamos a voltar, mesmo que venhamos a perecer dolorosamente no vasto deserto que leva a um mundo (realidade) desconhecido...

Ao mesmo tempo, parar é sofrer. E sofrer é morrer...
Urge continuar a jornada. Não se pode estagnar.

Verdades tão inexplicáveis devem ser buscadas até as últimas consequências - por conta própria. 

É por serem inexplicáveis que são certas.
É por serem inexplicáveis e ao mesmo tempo atraentes que fazem tudo valer a pena.

Aqueles que riem por fora espiam por dentro.
Aqueles que negam o mais e se contentam com o menos anseiam pelo mais. Mas que sejam outros a buscar esse mais.

No entanto, o mais se busca sozinho.

E a verdadeira libertação é interior.


* http://pt.wikipedia.org/wiki/Imperativo_categ%C3%B3rico










sexta-feira, 1 de maio de 2015

O TRABALHO REAL

trabalho 
tra.ba.lho 
sm (baixo-lat tripaliu1 Ato ou efeito de trabalhar. 2 Exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa; ocupação em alguma obra ou ministério. 3 Esforço, labutação, lida, luta. 4 Aplicação da atividade humana a qualquer exercício de caráter físico ou intelectual. Psicol Tipo de ação pelo qual o homem atua, de acordo com certas normas sociais, sobre uma matéria, a fim de transformá-la....


Quando se fala em "trabalho" o que vêm à sua mente? Para alguns, escritórios cheio de gente. Para outros, um homem construindo uma casa ou prédio ou ponte com o sol a pino. Para outro uma pessoa examinando outra. Para outro um artista se apresentando. Para outro uma moça atendendo um cliente na caixa do mercado. Para outro um militar invadindo um país em "defesa da democracia". Para outro um vendedor fazendo sua propaganda pelas ruas. E por aí vai. Cada um irá associar a palavra trabalho a algo relacionado à sua história (memória), a seus valores (conceptual-espiritual), seu meio (ambiente físico) e sua constituição genética (orgânica). O conceito de trabalho é, portanto, relativo a uma pessoa e grupo; e é temporário - já que a mentalidade muda, a ciência e tecnologia possibilitam novas rotinas e a próprias relações sociais e noções de riqueza mudam com o tempo (ou devo dizer, experiências).

Cristo: Trabalho pleno que gerou crucificação. O mundo hoje
se auto-crucifica por não estar compreendendo-o plenamente.
Não pecamos por matá-lo. Pecamos por atrasarmos nossa
ascensão...
Mas o cerne da questão é o seguinte: existe um consenso geral entre as pessoas em admitir que "trabalho" é aquela atividade dentro da lei (humana) cujos resultados é a remuneração. Ou seja, você exerce uma atividade legal - em termos jurídicos - e tem ao final do mês (ou da tarefa) um soldo que lhe permita meios de subsistência física. Parece interessante e justo. Mas quero mergulhar um pouco mais à fundo, me aproximando do universo cotidiano das pessoas.

Dizem que com o estudo conseguimos um bom trabalho. Ou melhor: quanto mais estudamos, melhor o trabalho que conseguiremos, e portanto melhor será nosso salário e consequentemente a condição de vida que poderemos ter e dar para nossa prole.

Mas - primeiro - o que é um "bom trabalho"?

Essa opinião converge harmonicamente quando se trata do consenso coletivo passivamente construído, que se encontra no subconsciente do grosso da humanidade. Isto é, um "bom trabalho" é aquele que pague bem e distraia a mente. Quanto mais soldo, melhor. Quanto mais distração, mais leve será o correr das horas.

Por quê queremos algo que pague bem e distraia a mente?

Bom, talvez porque nesse mundo presente, cuja forma mental predominante sustenta (consciente ou inconscientemente) um sistema que clame por quantidades visíveis, - sem no entanto exigir orientação das atividades produtivas, e sem perceber relações profundas (metafísicas) de causa e efeito - o dinheiro seja essencial para a subsistência e dignidade de qualquer ser humano. Mas ele ($) é essencial por sua própria natureza OU nós o transformamos numa entidade de suma importância? 

Vejamos.

1) Se dinheiro fosse essencial por natureza o sonho de bilhões de seres seria ganhar muito dinheiro e viver dele, e só dele: gozaríamos horrores ao ver números altos em nossas contas, faríamos castelos de moedas e barras de ouro; sentaríamos numa montanha de cédulas e seríamos felizes por causa disso. Sem dúvida, não nego que existem criaturas cujos sonhos se aproximem desse "ideal" - e talvez graças a essas criaturas tantos que se esforcem tanto tenham quase nada, enquanto poucos que fazem muitos nadas fiquem com excessos montanhosos.

2) Logo, conclui-se que nós, a humanidade, elevamos as finanças a um patamar que partiu do necessário até fins do século XVIII, subiu para o majestoso, no século XIX, e culminou no divino no final do século XX e início do XXI. É claro: sempre tivemos ganância, em menor ou maior grau, nos escravizando pela matéria. E a Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna não apresentaram as mesmas possibilidades (boas e ruins) do nosso presente Contemporâneo. No entanto, é nos últimos decênios que vimos a consolidação de um modo de pensar que - se não explicitamente - implicitamente nos conduz a um culto desmensurado do dinheiro. De meio passou a ser fim.

A tecnificação da Ciência vem se tornando cada vez mais visível. A ciência está sendo vista como uma mera base para aplicações tecnológicas [1]. E a tecnologia por sua vez é cada vez mais subordinada a interesses econômicos desorientados. Mesmo que apoiados pela "maioria", trata-se de uma massa inconsciente e presa à "realidade". Uma "realidade" estática e portanto ideal (ou "ideal" e portanto estática), cabendo aos descontentes cessarem suas divagações filosóficas e aderirem docilmente às "leis da vida". Mas as crises vem e vão, e as soluções são impostas continuamente. Sempre a mesma abordagem - em sua essência. Corte de "gastos" para recuperação.

Pietro Ubaldi. Intuição e misticismo que
explicou 
o Monismo de forma poética, científica e filosófica.
Uma vida tão formidável quanto sua Obra.
Parece que os líderes do mundo não sabem diferenciar "investimento" de gasto".

É bom relembrar (grifos meus):

Gastos, sob a ótica contábil são sacrifícios financeiros (1) com os quais uma organização, uma pessoa ou um governo, têm que arcar a fim de atingir seus objetivos, sendo considerados esses ditos objetivos, a obtenção direta de um produto ou serviço qualquer (como uma matéria prima ou um serviço terceirizado dentro da organização), ou utilizados na obtenção de outros bens ou serviços a serem respectivamente fornecidos ou prestados (como, respectivamente, um processo sobre um conjunto de matérias primas visando obter determinado produto para venda ou um processo próprio terceirizado de uma etapa de produção).

Em economiainvestimento significa a aplicação de capital em meios de produção (2), visando ao aumento da capacidade produtiva (3) (instalações, máquinas, transporte, infraestrutura) ou seja, em bens de capital. O investimento produtivo se realiza quando a taxa de lucro sobre o capital supera ou é pelo menos igual à taxa de juros ou quando os lucros sejam maiores ou iguais ao capital investido.

Fonte: Wikipedia

A abordagem é econômico-tecnológica porque a esfera tecno-industrial apoderou-se dessa terminologia, associando qualquer "gasto" e "investimento" a algo que diga respeito a setores restritos. Porém uma pessoa de bom senso sabe que isso é meia verdade. Isto é, ela se aplica a outras esferas da vida.

Observemos por exemplo (1). "Sacrifício" (em "sacrifícios financeiros") remete a um desperdício necessário resultante de um processo. Em Termodinâmica isso seria traduzido por "calor". Isto é, todo processo termodinâmico que gere trabalho mecânico, para se efetivar, terá um desperdício de energia em forma de calor. Dessa forma, "sacrifício" seria o que precisa ser jogado fora (seja dinheiro ou energia ou matéria ou pensamento ou emoções) para o "espaço" para que um processo útil se efetue.

Sacrifício financeiro é uma modalidade de sacrifício. Como nosso sistema atual associa energia, conhecimento e bem-estar com dinheiro, esse termo ganhou um significado global, inquestionável.

De qualquer forma gasto é associado a sacrifício. Ele é consequência (inevitável) do que chamamos "investimento". Sendo inevitável, o máximo que podemos fazer é minimizá-lo, ou seja, torná-lo o menor possível em relação ao que foi investido.

Analisemos a sentença (2) do texto. Investimento é "aplicação de capital em meios de produção". O que se entende por "capital"? O que se entende por "meios de produção"?

Capital é todo recurso que possa ser aplicado para o progresso. Ele pode ser financeiro, de conhecimento, material ou energético. Progresso é, em seu mais amplo aspecto, evolução.

Meios de produção são todos recursos disponíveis no momento (conhecimento, dinheiro, matéria e energia) capazes de transformar. Transformar o que? Transformar seres (Educação, Cultura, Arte, Religião, Filosofia), matéria (Tecnologia de veículos, peças, materiais,...), energias (Tecnologia nuclear, química, eólica, hidrelétrica, solar,...), sociedades (Política, Economia). Uma transformação verdadeira e sustentável é aquela que respeita o ambiente natural (Ciências Naturais), fazendo uso consciente do mesmo, e agredindo-o apenas a curto prazo e na medida do grau consciencial do coletivo humano.

Noam Chomsky. Linguista e estudioso. Trabalha pelo
esclarecimento com muita paciência e fé. Fé é fidelidade.
Fidelidade a princípios imutáveis e universais. Logo,
orientado.
A partir da análise feita, percebe-se que quando chefes de estado, mídia (manipuladora em sua maioria) - e até mesmo alguns setores "de bem" da sociedade - falam em cortes de gastos e agem, estão em completa contradição consigo mesmos. É de ilogismo puro encarar Educação, Saúde, Cultura, Habitação, Segurança e Alimentação como gasto. Seria o mesmo que dizer que o povo deveria ser grato por ter esse mínimo (que no fundo nem merece). Pois são justamente essas áreas que são cortadas.

Por que?

Porque para resolvermos os problemas imediatos dessas crises, é muito mais fácil para o detentor de poder fazer o que sempre se fez e o que a média mental instintivamente apóia. Salva-se o sistema à custa do ser humano. Mas eis que crises se repetem, com a "solução" da anterior sendo a causa da próxima. Assumem facetas cada vez mais vastas e afetam vidas agudamente. E sempre as mesmas soluções. Eis a (i)lógica do neoliberalismo...

Bom fechado esse parênteses devo começar a fechar o próximo.

O dinheiro tem valor porque a ele damos valor. Se essa mentalidade impera de nada adianta criarmos novos sistemas. Não se trata de destruir o dinheiro, e sim colocá-lo à serviço do SER.

O processo revolucionário-evolutivo que se apresenta diante de nós é o seguinte:

1) Conscientizar-se da Realidade (autoconhecimento);
2) Viver de acordo com ela (autorrealização);
3) Demonstrar aos próximos (em contatos E afinidade) a Realidade, aceitando questionamentos e sugestões;
4) Persistir indefinidamente em 3), tornando isso um trabalho fora do "trabalho" - e se possível dentro do mesmo. Se 1) e 2) forem concretizados, e 3) seguido com cautela, a tendência será uma lenta e gradual mudança da mentalidade (forma mental);
5) Movimentação coletiva altamente consciente (e portanto invencível), que instaurará um debate político do mais alto nível, sendo guiado por um monismo universal e imparcial.
6) Corrosão acelerada do sistema presente, isto é, de todos seus mecanismos arcaicos e unilaterais, sem a necessidade do uso de força física.

Utopia? Não. Já vimos isso ocorrer num país (Índia), onde um povo de 400 milhões agiram em estreita unidade, praticando a desobediência civil, inspirados por um Ser que transcendeu todas as fronteiras e métodos do mundo: Gandhi. Um Mahatma, ou Grande Alma.

Conscientização -> Vivência -> Demonstração -> Persistência -> Movimentação coletiva -> Objetivo

Eis o caminho que se apresenta inconscientemente diante de uma humanidade no ápice de sua intelectualidade, sedenta por mais (intuição, síntese, unificação, monismo....).

Continuando o fechamento de parênteses...

Sabendo que o dinheiro não é essencial por sua natureza, além de sabermos como iniciar um processo de mudança, resta descobrir como nos tornarmos menos dependentes das circunstâncias externas. Mas isso também já sabemos: trata-se do autoconhecimento, proferido por todas culturas e grandes sábios da humanidade, desde a China e a Índia até a Grécia, a Palestina e as Américas.

Gandhi: primeiro místico-político
do mundo. Provou que é possível
vencer a ignorância com a força
do espírito - e não com o espírito
da força (do mercado ou das armas)
Quem conhece a mais profunda realidade (A Realidade. o Infinito, o Absoluto, Deus) se sente solto das facticidades materiais, dando cada vez menos valor àquilo que o mundo de hoje louva, consciente ou inconscientemente. Sua vida é Eficiência Universal, que se contrapõe a uma "eficiência material", ou pseudo-eficiência, que visa criar mais quantidades e ao mesmo temo tornar essas quantidades mais eficientes.

A Eficiência Universal percebe o que é e simplesmente adota uma atitude plena.
A eficiência relativa coloca remendos em criações efetivamente desnecessárias.

A Eficiência Universal trabalha o universo interior.
A eficiência relativa trabalha (e re-trabalha) o universo exterior.

A Eficiência Universal é Reta e Sincera, por isso sofre neste mundo.
A eficiência relativa é serpentina e esperta, por isso parece a solução neste mundo.

A Eficiência Universal é simples ao ver e ordenar as complexidades
A eficiência relativa é complexa ao não ver e bagunçar as simplicidades.

A Eficiência Universal é atingida no longo prazo mas traz soluções magníficas.
A eficiência relativa é atingida prontamente mas mantém a o ser preso ao plano que pertence.

O fato de termos de fazer um complicado e sagaz balanço entre o que realmente gostamos e o que paga é um claro sinal de que nossa sociedade está doente e precisa imediatamente de uma solução Universal.

O mundo é como é, mas pode ser mudado - temos conhecimentos e sábios e histórico.
O mundo é como é, mas deve ser mudado - as pessoas choram, sofrem, sangram e clamam por isso, de vários modos.
O mundo é como é, e se podemos e devemos, mas não realizarmos, pagaremos com um sofrimento que tende a ser intenso e longo.

Poder, dever, fazer...

Sem Dor não há Salvação.

O caminho doloroso "inútil" evitado hoje à todo custo, gerará a dor-mor inevitável de amanhã.
Muito pior, com cada vez menos alternativas de ascensão...

Quando o Trabalho coincidir com trabalho remunerado.

Quando "trabalho" preso ao tempo e ao espaço virar Trabalho orientado pela consciência, poderemos dizer que trabalho remunerado é Trabalho.

Pois hoje, na grande maioria do mundo, trabalho remunerado é um ínfimo do Trabalho.
Não tem a ver com escolaridade ou erudição ou geração de "riquezas".
Tem a ver com orientação e efeitos intangíveis. 
Tem a ver com solidez à longo prazo.
Tem a ver com Amor.
Tem a ver com Intensidade e Espontaneidade.

Milhões querem esse trabalho, inconscientemente.
Milhares o querem, conscientemente.

Poucos lutam para esclarecer,
Muitos vagabundeiam para encobrir.

Muitos que lutam são "loucos" e "vagabundos".
Muitos que vagabundeiam são "exemplares".

Mundo emborcado, vida emborcada.

Estamos diante do drama milenar do Cristo e do Anti-Cristo...


Referências
[1] Recomendo o livro "O Espírito de Porto Alegre", com artigos de diversos especialistas do mundo sobre temas relacionados à biologia (transgênicos, patentes, agrotóxicos,...), à governo (democratização), mídia (democratização dos meios de comunicação, propaganda) e outros assuntos de interesse global.