sábado, 15 de julho de 2017

Os Miseráveis: Queda e Salvação

Aqueles que nasceram neste século estão sentindo, inconscientemente, o que a Sétima Arte tem de menos nobre - uso a palavra no melhor sentido do temo. Ao menos no campo das grandes produções, outrora pautadas por diretrizes mais elevadas, preocupadas em transmitir aspectos profundos da vida, revelando obras literárias monumentais, ideias e pensamentos transformadores, sentimentos indescritíveis, em forma de película. Imagens e sons. Música, gestos e atitudes. Harmonicamente ordenados, caoticamente criados. Com um fim: despertar o Ser.

Quem é Jean Valjean?
Quem é o (inspetor) Javert? 

Reduzir tais nomes a personagens fictícios, individualizados, com objetivos fixos, predeterminados, é diminuir uma das obras mais sublimes da literatura mundial. Atesta uma pobreza de observação. Uma ausência de sentimento. Uma nulificação da abstração que se encarna em palavras, personagens, atitudes e destinos complexos - que no entanto possuem diretrizes simples e cristalinas. 

Jean Valjean. Nome simples, do povo. Conjunto sonoro, harmônico. Vida sofrida, vida perdida...à princípio. Nisso é o que acredita Javert, inspetor com ideia já formada das pessoas, das instituições, do mundo...Para este homem (tipo biológico) tudo já está predeterminado. A natureza (humana ou não) não muda. É inalterável. E - cima de tudo - deve ser controlada e castigada conforme normas rígidas e (aparentemente) eficazes.


Os Miseráveis. Todos nós, aqui,
neste mundo, no estágio atual.
Mas em busca da Superação.
Valjean...produto do mundo com seus métodos intransigentes. Seu paradigma engessante. Sua saciedade infindável. Valjean...alma fantástica encoberta por ilusões que o meio lhe imprimiu. Incessantemente, intensamente, insensivelmente. E assim ele, afogado por 19 anos de trabalho duro, desumano, desgastante, endurece sua alma e nulifica sua fé ao ponto de quase morrer por descrença no homem...19 anos de misérias insuportáveis por haver quebrado um vidro e pego um pão. 19 anos de sofrimento por haver matado...sua fome.

Eis que um bispo cruza seu caminho. Dois seres, duas atuações. Um age conforme a vida lhe ensinou. Outro age conforme a inspiração lhe revelou. O resultado, inesperado, inextrincável, se sente nos olhares entre as duas lógicas: uma insistente na superação, outra agonizante na perdição - mas prestes a despertar para um mundo mais vasto! É a transformação da substância em um homem, tido como um inerme (em suas capacidades) e uma ameaça (às instituições) perante os conceitos da sociedade e do poder. Estava nosso protagonista suficientemente dilacerado exteriormente, inesgotavelmente macerado interiormente, a tal ponto de somente crer numa atuação sincera, profunda e íntima num momento inesperado. Assim se dá a mecânica dos milagres. Palavras ou teorias rebuscadas em nada lhe serviriam. Nem mesmo uma atitude pensada, calculada. Era necessário uma atitude sincera e consciente. O bispo lhe deu isso. E nunca mais Valjean - o eternamente condenado - foi o mesmo. Exceto para o inspetor Javert, encarnação perfeita do braço mais brutal do poder deste mundo: a polícia.

Durante 2 horas de projeção - rápidas como um relâmpago - acompanhamos a saga de um homem orientado e outro obcecado. O primeiro encontrou o ideal de atuação, seguindo a lei Divina. O outro se perdeu no excesso das leis humanas. E assim inicia-se uma perseguição de décadas. Sem fim previsto. Sem finalidade convincente...


Victor Hugo. Viu o telefinalismo.
E passou seu sentimento através de
uma narrativa monumental, com
personagens vivos, fora de série.
Cada cena, cada gesto, cada olhar, são reveladores. E alguns destes, inspiradores! A música capta o sentimento da alma do eterno condenado pelo mundo. Do eterno ser que sofre e ama. Chora e constrói. Um eterno batalhador pela libertação de vícios. Pela redenção. Ampara os que sofrem. Contesta os que geram sofrimento gratuito. E assim constrói sua personalidade, pouca a pouco, com suor e sangue e cansaço - mas cada vez mais convicto.

Javert é um ser que colocou toda sua crença no mundo, com todos seus métodos, leis e lógicas. Tem um conceito de ordem, é verdade. De harmonia. De sociedade ideal. Infelizmente, conceito restrito no tempo, excludente das multiplicidades desejosas de ascenderem, nem que apenas um pouco. Conceito ignorante dos efeitos de longo prazo, que se propagam como ondas com o passar dos tempos, e explodem como eventos dolorosos, sem explicação, para o mundo. Mundo tão "poderoso" e "inteligente"...O contato incessante com o outro, o "delinquente", vai sendo registrado pelo consciente do inspetor, que ignora o drama da superação. Não captou que Valjean,o homem que ele tanto busca e deseja punir, morreu após se encontrar com aquele bispo humilde...

O desenrolar dos anos tece uma obra que se torna épica. Uma obra do universo interior, com suas superações e dores, em meio a um trabalho incessante pela Salvação. A experiência interior mística intensa e eletrizante transborda na atuação ética e nos projetos edificantes. Isso é o que sentimos diante da jornada de Jean Valjean. Uma jornada bela...intensa...sincera....infinita...

Billie August consegui traduzir uma monumental obra da literatura para película. Deu vida às palavras, dando mais um passo orientado na encarnação do conceito mais elevado: o da Ascensão. E assim se aproximando (e nos aproximando) um pouco mais do infinito e do eterno, além de nossas dimensões, de nosso conceito, de nossa vivência cotidiana...E assim nos aproximamos da única e verdadeira meta: Deus.






terça-feira, 4 de julho de 2017

Duas Somas

A soma de duas quantidades dará como resultado um número predeterminado, pautado por uma férrea lógica. Isso vale para o mundo racional-analítico. Um mundo em que o método para decifrar a realidade consiste no processo de destacar as partes e/ou decompô-las em unidades compreensíveis ao intelecto. O interesse são os elementos. Neste mundo a soma é determinística. Não pode ser nada além dela mesma. Inexistem possibilidades de potencializar essa soma - ou diminui-la. É um mundo no qual a realidade deve ser adaptada ao intelecto humano - estar na sua medida. Portanto, um mundo sem conexões nem propósitos representados. 

Por outro lado, a soma de duas qualidades é indefinida à princípio. Elas possivelmente não irão dar um resultado predeterminado, e sim uma outra qualidade, que pode ser superior ou inferior. Qualidade que pode se refletir no número, claro. Porque podemos mensurar algo não-mensurável - d à princípio. Isso vale para o mundo real, pautado pela complexidade. Nele o interesse são as interconexões e - acima de tudo - o propósito. Os elementos ainda são considerados, trabalhados e valorizados. Recebem um tratamento decente, eu diria. Mas deixam de ser o eixo diretor, no qual todos conceitos, metodologias, dados, representações e melhorias orbitam. Passa-se de um mundo restrito, de resultados certos, sem alternativas, a um mundo de múltiplas possibilidades. repleto de liberdade. Liberdade bem usada se guiada pela criatividade ascensional. 

No mundo real o que domina é a qualidade.
A ciência de sistemas busca compreender
a complexidade que gera inúmeras possibilidades
sem criar nada concretamente. Eis que começamos
a perceber que o abstrato dá resultados mais
concretos do que este por si só.
Essa trindade (elementos-interconexões-propósito), que é a espinha-dorsal do pensamento sistêmico, é profundamente filosófica, apontando para o sagrado - se sentirmos do que realmente se trata. 

No volume O Sistema - Gênese e Estrutura do Universo, Ubaldi relaciona esses três atributos de sistemas aos três tipos biológicos humanos: o homem fera, o homem astuto, e o super-homem. Os dois primeiros são involuídos em relação ao último, que é evoluído em relação ao segundo; e este em relação ao primeiro. Podemos afirmar que o grau de consciência do 1º tipo é baixo, levando ao egoísmo individual violento; a do 2º tipo está na média dos nossos tempos, medido pela sua inteligência e astúcia; e a do 3º tipo é unitária, levando-o a com compreender a finalidade da vida.

Assim, podemos considerar o Universo de três modos diferentes- conforme nosso grau de consciência. Segundo Ubaldi:

"O pensamento humano pode considerar o universo de três modos diferentes:

1) Como desordenado – constituído de elementos separados, desconexos e incoerentes, que se ignoram mutuamente e não se constituem nem funcionam organicamente como uma unidade. Essa é a concepção do involuído e exprime o seu tipo, desconhecedor das profundas realidades da vida, instintivamente separatista, isolado de tudo, na concha de seu egoísmo.

2) Como ordenado – onde os fenômenos são concebidos como ligados por leis naturais, que os regulam. Esta ideia vê, assim, princípios diretivos e, portanto, uma ordem no universo, que é, pois, concebido como uma rede de relações, onde cada elemento está concatenado aos outros em seu funcionamento. Os fenômenos são coligados por derivação causal, unidos em um transformismo lógico que completa a causa no efeito. Essa concepção corresponde a um estado mais evoluído do indivíduo, que expressa o seu tipo biológico, alcança-do pela observação e raciocínio.

3) Como unitário – concepção de um universo redutível a uma causa única central e absoluta, uma realidade fundamental, origem de tudo. Aparece, assim, o conceito de uma realidade espiritual interior dirigindo a forma exterior, que constitui apenas a sua expressão ou manifestação. Não se trata somente de uma ordem, mas da centralidade dessa ordem. Revela-se, então, o conceito de organicidade do universo, em que todos os elementos componentes estão coligados em uma mesma funcionalidade orgânica. O universo é concebido, neste caso, como uma unidade coletiva, onde todas as individuações ocupam, cada uma, a devida posição, executando funções adequadas, todas coordenadas por uma lei, constituída pelo pensamento e pela vontade de Deus, que a dirige com um poder central, como senhor de tudo. O universo aparece, então, como um sistema. Essa concepção corresponde a um estado ainda mais evoluído do indivíduo, exprimindo o seu tipo, que chegou por intuição à visão de Deus e do Sistema. Aqui não se compreende apenas o conceito de ordem, como no caso precedente, mas também o conceito da centralidade dessa ordem, pelo que tudo existe em função da causa primeira, sempre o centro de tudo: Deus. Esta é a concepção do evoluído, cujo olhar espiritualizado chegou a ver além das aparências da forma. É um estado de vidência cósmica, atingido pelo espírito maduro, ao qual se revela a íntima e recôndita realidade das coisas em toda a sua magnificência."

(grifos meus)

Ou seja, podemos conceber o Universo (nossas vidas individuais e coletivas, da família a humanidade) como desordenado, ordenado ou unitário. E conforme essa concepção iremos ter uma atitude e agir em função delas, gerando o nosso destino, que tão mais valorizado (pelo Alto) será quanto mais consciente estivermos do Todo.

Fica muito clara a relação entre toda ciência de sistemas e a Obra de Pietro Ubaldi. Basta fazer uma leitura espiritual, íntima, dos conceitos. Levando em consideração os sentimentos preenchidos de boas intenções - as melhores!

O propósito forja as interconexões.
As interconexões alimentam os elementos.
Os elementos atingem o objetivo.
A complexidade é produto do livre-arbítrio. Podemos senti-lo presente em todos níveis de existência, mesmo no mundo atômico, com seu férreo determinismo. Apesar de fraquíssimo, o mundo mineral tem seu grau de consciência - a seu modo - que é baixíssimo. Á medida que subimos, passando para as formas orgânicas (vida) e desta refinamos, chegando às células nervosas e órgãos elaborados, como nosso cérebro e sistema nervoso (psiquismo), atinge-se um grau muito maior de liberdade. Aí o livre-arbítrio é mais evidente. Mas o processo continua num ritmo não-linear, em planos mais elevados. 

Nossa constituição física já chegou ao seu auge, não restando mais nada a refinar no plano material. Cabe agora o desenvolvimento das faculdades psíquicas, que abrirão as portas para o universo do espírito, cuja liberdade é infinitamente maior do que a nossa mente racional pode conceber.

Vejamos mais sobre esse 3º modo de conceber:

"Este terceiro aspecto nos mostra um universo que, embora ainda seja em parte desorganizado atualmente, está reorganizando-se; um universo que, embora em alguns pontos e momentos ainda seja hoje caótico, vive um processo de reordenação (evolução). No campo humano, esse trabalho é executado pelo homem, pelo espírito do homem, como centelha divina saída do primeiro e único motor, a única que pode ser encarregada de dar vida, movimento e desenvolvimento à matéria, por si mesma inerte e incapaz de tudo." [P. Ubaldi]

Existe uma hierarquia de comando. O princípio mais consciente, mais livre, comanda aqueles imediatamente abaixo dele, menos conscientes, mais escravos de seu estado. Isso se revela de modo magistral na vida. Mesmo numa escala de tempo que ultrapasse os limites de nossa paciência, quando percebemos que quem de fato forja o seu destino por vezes é o mais menosprezado e tido como o mais abstrato, começamos a despertar para a realidade: o abstrato age em silêncio potente e constrói (inexplicavelmente para nós) as mais altas formas de vida, organização, sistemas, ideias, por vezes em explosões vindas após uma longa incubação. Eis que o mais concreto é de fato aquilo que a mentalidade hodierna tem por abstrato - e vice-versa. A diferença está nas dimensões: o consciente supera a prisão do espaço-tempo realizando trabalhos de ascensão homéricos para subir. Ama, busca compreender, se transforma e - se possível - relata da forma mais poética e científica possível, atraindo aqueles que mais tem sede de ascensão. 

Para quem atingiu maior consciência, sua liberdade engloba melhor as circunstâncias do mundo - da qual o grosso da humanidade é refém. Somos guiados pelos de cima, que possuem liberdade para fazer valer o determinismo da Salvação, conduzindo-nos sem sabermos. Assim exercemos nossa liberdade: dentro de um determinismo maior. E assim vamos nos reordenando, milênios após milênios, até atingirmos o infinito e o eterno, rasgando a constituição ilusória do espaço-tempo e proclamando a liberdade plena, em que o espírito pode subir cada vez mais - e melhor.

É glorioso...



quarta-feira, 28 de junho de 2017

O Fim de UM Mundo (mundinho presente) NÃO É o Fim DO Mundo (mundo futuro)

Às vezes posso estar passando a ideia de que nos próximos anos nosso planeta vai ser exterminado devido à nossas atitudes coletivas grotescas - que ainda imperam. Não. O Fim de um Mundo não é o mesmo que o Fim do Mundo. 

O que está se destruindo é a mentalidade intelectiva que despertou plenamente para atuar incessantemente, em torno do século XV, no Renascimento. Essa mentalidade que despontou e começou a atuar, trazendo as mais diversas transformações, que se relacionam entre si no tempo, criando circunstâncias para outras surgirem, permitiu um desenvolvimento ímpar nos mais diversos campos. A partir daí surge o conceito de Estado moderno, de Mercados; as Ciências físicas avançam, gerando teorias no campo da gravitação, da cinemática, da transmissão de calor, dos gases, dos fluídos, dos equilíbrios dos corpos, da química, da evolução orgânica, da genética, da sociologia, da psique humana, e por aí adiante. Surge uma nova doutrina (Espiritismo), que pela primeira vez atesta a existência da vida pós-morte - a continuidade da existência. Uma primeira aproximação entre Ciência e Religião se dá. O Universo intangível do Espírito começa a ser aproximado do Universo tangível da Ciência. Fenômenos "sobrenaturais" são avaliados à luz da razão, ganhando mais respeito de certas pessoas e grupos. 

Paralelamente, a História traz as Revoluções políticas (Revolução Francesa e Russa) e econômicas (Revolução Industrial). Conceitos novos são introduzidos e proclamados - mas não praticados! Começa-se a concepção de novas formas de viver. Bertrand Russell, Paul Lafargue, William Wilberforce, Carl Jung, Victor Hugo, H.G. Wells, Benedito Spinoza, Blaise Pascal...são diversos, em todos os campos, que trouxeram à mesa uma nova perspectiva da vida. Como conceber "trabalho", "emprego", "tempo livre", "cristianismo", "monismo", "telefinalismo", "justiça social", "amor",..com histórias universais, atitudes arrebatadoras, gestos poderosos, obras formidáveis, melodias inesquecíveis, discursos eloquentes. 

O século XX trouxe à luz o que tínhamos de pior - e melhor! Duas guerras demolidoras. Desmoronamento de impérios, formas de vida; tecnologias inovadoras; salto quântico da ciência; experiências políticas inéditas; massificação de serviços essenciais como saúde, educação e segurança; composição de uma lei que reconhece direitos mínimos (ONU); a ascensão da Sétima Arte (Cinema); o Estado do Bem-Estar e sua dissolução - ao invés de reformulação -, por motivos polêmicos; a ascensão do financismo; a informatização crescente da sociedade; nossa dependência; os cultos se plasmando em outros, de forma variada (culto ao consumo, ao corpo, à saúde total, à ascensão social, à fama, às aparências,...); tudo isso e muito mais. Pela primeira vez adquire-e a capacidade de destruir a espécie (era atômica) e afetar profundamente os ecossistemas (crise ambiental). E com isso mexe-se com tudo.

Vários apocalipses houveram em nossa História de ego luciférico desperto. A destruição de Jerusalém em 70 d.C. As Cruzadas. Os Holocaustos - muitos dos quais causados pelas potências imperialistas, que plantaram o terreno para que isso ocorresse. Hoje a população da Síria está vivendo verdadeira destruição. 400 mil mortos e mais de 5 milhões de refugiados. Essa situação se cria a a partir da interferência de agentes distantes. 

O Estado Islâmico (ISIS) não surge do nada. Não surge porque muçulmano é do mal; árabe é assim. Ele começa a surgir a partir da invasão do Iraque pelos EUA e seus seguidores (ingleses e cia), que desestabilizaram a região, alterando a geopolítica local, causando mortes e instabilidades. Colocando um governo "democrático", que nada mais é do que um parlamento fantoche que cumpre diretrizes de governos dominados pela lógica financeira e petrolíferas. Uma democracia de fachada, submissa aos interesses do capital - não do povo, da cultura, da natureza. Eis o motivo das invasões e guerras: domínio, seja ele militar, econômico ou ideológico.


E então? O que está ocorrendo no mundo? Um processo de transformação de proporções e consequências nunca vividas pelos habitantes desta orbe (Terra). Vários ciclos estão sendo finalizados nesse período. Ciclos de sistema político falido (democracia parlamentar representativa), de sistema econômico falimentar (capitalismo financeiro), de ideias caducas (consumo é meta final, sociabilização à todo custo, corpo sempre em forma), de relação com as entidades evolutivamente abaixo (atmosfera, oceano, águas, solo, minerais, vegetais, animais) e acima (conceitos elevados, santos, místicos, gênios, heróis, anjos) de nosso consciente. Dentro de nossa própria psique, essa relação entre consciente-subconsciente e consciente-superconsciente começa a ficar mais evidente, mais transparente, e com isso gerando reações de incômodo. Vê-se qual é o único caminho. O caminho a ser enfrentado corajosamente, com criatividade ímpar. Com otimismo propulsor e orientado e pessimismo estabilizante e integrador. 

Precisamos superar o modo de conceber a vida, as relações. Criar novas relações mentais em nossas mentes. Praticar isso, num grau mínimo, em nosso cotidiano. Recusar o que não mais sentimos ter valor, em nosso íntimo, sem medo de sermos mal vistos. Buscarmos as ferramentas do mundo (estudo , retórica, atitudes, escrita, criação de cursos, formas de falar, de escolher produtos, serviços, amigos, maridos e esposas) para sustentarmos esse ímpeto de ascensão que brota vulcanizante, sem aviso, de nossos poros espirituais. 

Quero deixar isso claro. Porque a destruição da forma só é vista de forma pessimista por aqueles que de fato não creem em algo que vá além dessa forma. Quem sabe que a consciência é indestrutível não se deixa levar pelo desespero. 

Até as ideias podem caducar, mas jamais o ideal. Ele é o motor propulsor que reside em nosso interior. Resquícios do Sistema no Anti-Sistema. 

Rumo à Transformação planetária !

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O Advogado de Deus

É preciso ter coragem. Coragem consciente. Coragem insistente. Coragem que se transforma, se refazendo de várias formas a cada conquista e - sobretudo - derrota. Refazer não é se desviar, e sim reformular, baseado na memória crescente das experiências. Memória que se combina com outras, e acaba exigindo sempre uma nova interpretação - e consequentemente novos meios de ação. Por isso eu percebi: a História é viva, porque os eventos e movimentos passados sempre se modificam com o passar do tempo. À medida que se incrementa tempo, com seus períodos de estabilidade e revoluções, ao grande livro da História, passa-se a ter uma visão mais profunda do mesmo acontecimento passado (o que aquilo significou? como foi de fato? porque as pessoas foram levadas a fazer aquilo? como foi possível?...).

Existem diversas coisas a serem defendidas neste mundo. Mas acima de todas, há UMA ENTIDADE que sustenta todas c: Deus

Por simples lógica, Deus não precisa de defesa. Pois Ele está acima de tudo - do Bem e do Mal. No entanto, em nosso universo físico, produto da Queda [1], nos encontramos numa situação de transformação ininterrupta. Um vir-a-ser que destrói e reconstrói usando as forças da vida, que animam as criaturas em busca da perfeição perdida - ainda que relativa. Nesse Universo reina a dualidade, característica do Anti-Sistema (AS) [2]. E isso faz com que haja a necessidade de, mesmo que exista um Ser mais conectado ao Sistema (S) do que ao AS, esse Ser deva atuar usando elementos do AS - incluindo parte de sua lógica - para conseguir inserir elementos do S de forma progressiva e efetiva nas mentes e corações - daqueles que buscam sinceramente mas não sabem nem o como nem o porquê de realizar essa busca. Busca dolorosa. Busca ingrata. Busca solitária. Busca infinita dentro de um mundo finito...

"Pietro Ubaldi era (é) o Advogado de Deus." 
Frase dita por minha esposa - que está lendo o volume "O Sistema". 

De fato, uma excelente colocação! Primeiro porque ele se formou em Direito pela Universidade de Roma. Era portanto seu métier. Segundo porque toda sua Vida - que de tão sincera e intensa acabou sendo derramada em sua Obra - foi uma defesa ininterrupta, criativa, ousada e infindável do conceito de Deus e todas suas consequências, penetrando na arena da Ciência, da Arte, da Filosofia e da Religião; da Política e da Economia; das Famílias e dos Indivíduos; destes e seus Destinos; da Sociedade e seu Destino coletivo; do Livre-arbítrio e do Determinismo; do Átomo ao Anjo. 

O Advogado de Deus - usando um
finito para elevar-se ao infinito.
Em Ubaldi, Vida e Obra se fundem numa Unidade harmônica e compacta, sintetizando a luta infindável pela ascensão num mundo que impede qualquer tentativa de superação. É impressionantemente assustador - para quem se prende firme a este mundo e goza nele. E assustadoramente impressionante -  para quem anseia por algo a mais, apesar de viver aqui. Mas a sensação é a mesma, quer você se regozije, quer você sofra aqui: impressionar-assustar.

É preciso que se entenda do que se trata - sem o qual será difícil seguir em frente com certo interesse. Não poderei fazer isso sem usar fragmentos de minha própria vida como referência, de forma a mostrar o quão impactante está sendo essa nova visão. Visão mais vasta e poderosa do que qualquer outra. 

O Obra é regida por um transformismo profundo, que encanta por aquele que já sofreu bastante e cuja alma já atingiu suficiente grau de maturação evolutiva, estando com os poros intangíveis abertos para receber certos tipos de vibrações intangíveis. 

"É horrível repetir-se, permanecendo estagnado em determinado campo. Somente quem se renova, vive. A constante especialização no particular poderá ser materialmente útil, mas é paralisia do espírito." [3]

É exatamente o que eu venho percebendo ao longo da vida. A questão é: até que pontos essa especialização no particular pode ser materialmente útil? Sabemos que mesmo no reino da matéria existem limitações - e que superá-las no momento adequado é sinal de bom-senso, ou mesmo salvação, a depender do ponto em que nos encontremos. 

"Por isso, no presente trabalho, o protagonista, mesmo não sendo sempre vitorioso, apresenta-nos o modelo ideal de um homem que busca, num trágico esforço, elevar-se, em clara oposição ao tipo normal, que, possuindo qualidades bem diversas, está ligado estaticamente à Terra e deseja ele próprio, somente por força do número, tornar-se o modelo da vida." [3]

(grifos meus)

É de fato uma luta entre o número que faz barulho e até prova superficialmente, e o ponto que se silencia na superfície mas escava profundamente. Essa é a Grande Batalha entre o ideal encarnado e o mundo. 

A própria concepção de Estado, transmitida por pela "Voz", dá uma ideia de quão longe estamos de chegar a um estado orgânico:

"O novo Estado tem que possuir o monopólio da força, pois, embora ela seja uma necessidade de vossa vida involuída, a privação do seu emprego por parte do indivíduo já constituirá um progresso, porquanto o seu desuso enfraquecerá os instintos antissociais. Esse Estado, que não pode ser agnóstico, deve ter resolvido os maiores problemas do conhecimento, pois precisa ter uma concepção ampla da vida, para fazer o indivíduo compreendê-la e colocá-la em prática; deve saber compreender o homem, seus instintos e seu destino, penetrando o mistério de sua personalidade, a fim de poder colocá-lo em seu lugar e obter dele o máximo rendimento. No princípio, o centro realizará um mero enquadramento de massas, porém no futuro ocorrerá a fusão de almas. Nesse Estado, Deus é imprescindível, assim como o conhecimento de sua ordem divina, cujo funcionamento a ciência deve demonstrar, para que, nessa ordem, o Estado encontre suas bases racionais. Concepção imensa de uma fé social e científica, da qual participarão em paz todas as religiões. Este é o Estado da nova civilização do Terceiro Milênio."     
A Grande Sìntese - Cap. 98

(grifos meus)

O que ocorre é muito sutil. O Estado, corpo supra-humano nascido há menos de 8 séculos - está em evolução e muito longe de atingir sua forma ideal, que permita a evolução coletiva, combinando produção orientada e distribuição moderada. É aí que reside a arte de auxiliar o ser humano em sua jornada, nem tolhendo suas potencialidades criativas, nem garantindo liberdades degenerativas. O Estado do futuro - séculos e milênios à frente... - será um corpo que garanta aos indivíduos meios para manifestarem e desenvolverem suas potencialidades latentes, à seu ritmo, do melhor modo, com estímulos proporcionais às suas capacidades. 

Qual a função das classes sociais nesse caminhar que culminará nesse destino?

"A tarefa das classes não é eliminar uma à outra, mas sim compartilhar os frutos da mesma civilização, encaminhando-se para a compreensão recíproca. A tarefa da classe dirigente não é dominar, mas sim educar a plebe tumultuada – velho instrumento de vinganças, chamariz dos astutos e muitas vezes vítima das repressões, mas sempre massa ignara, amorfa e cega – para transformá-la num povo que saiba como conquistar uma consciência coletiva mais elevada."

Sobre o cálculo de responsabilidades, mais conceitos fuzilantes:

"A vida contém e pode produzir valores eternos. Sua finalidade é enriquecer-se deles cada vez mais. A vida tem um objetivo, e vós, depois de haverdes aprendido a produzir e entesourar nas formas caducas da Terra, tereis de aprender então a produzir e entesourar na substância, na eternidade. Para educar, é indispensável repetir, a fim de que certos conceitos superiores sejam assimilados e gravados no íntimo turbilhão do psiquismo."

Eis a necessidade da constante repetição. Sob formas variadas. Em tempos diversos. Por forças diversas, que mesmo agindo em escalas, camadas e domínios diferentes, obedecem à Lei de Deus.

Não temos gravados em nossa alma uma síntese da vida suficientemente forte para guiar-nos nesse mar de dualismos infernais que nos seduzem, perturbam e desgastam cotidianamente. Esse dualismo que dentro de nós está e deve ser combatido primeiramente nesse campo, minimamente, antes do início de qualquer trabalho externo - também necessário, mas consequência do Trabalho-Mor. 

Quando li o capítulo final (Despedida), pela 1ª vez, me desmontei na minha pequenez. De fato...eu nem ninguém que escreve, que pensa, que faz,...ninguém realmente atinge o vértice das concepções se fica no plano do mundo. Poderá fazer coisas impressionantes e admiráveis. Mas nada incrível, que faça chorar e abale o espírito, incendiando cada momento de sua vida. Cada aspecto. De qualquer um.

Quando cheguei ao fim eu concluí com a mais férrea certeza de minha vida:

"não foi uma entidade deste mundo que emitiu esses conceitos...essas palavras..."

Um advogado muito singular, que para cumprir sua função deve estar sintonizado com o infinito, e passar a ideal para palavras e conceitos assimiláveis pela nossa restrita mentalidade hodierna.

E mesmo assim serão necessários milênios e milênios para absorvermos tudo, em sua integridade.

Milênios e milênios...


Referências:
[1] Queda e Salvação
[2] O Sistema: Gênese e Estrutura do Universo
[3] História de um Homem

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Reta Final

Temos ainda 3 aulas. 3 dias. 3 momentos. 3 oportunidades. 14, 21 e 28 de junho - data de apresentação do Trabalho Final. Após isso o curso terá cumprido sua função.

Duas alunas vieram ontem - mais meu colega ouvinte. Mas sentia-se que a sala era sondada pelos alunos dos cursos técnicos. Com certeza trata-se de curiosidade superficial. A fascinação pelas coisas deslocadas do horário normal - pelos eventos quase desertos, pelas coisas diferentes, feitas de maneira diferente, com objetivos diversos; feitas livremente, num espaço onde indivíduos se juntam por livre adesão - é muito grande. Mexe com o imaginário.

Nesta aula finalmente chegamos aos Pontos de Alavancagem. Baseado em todos conceitos e ideias apresentadas nas últimas aulas, iniciamos uma escalada ascensional dessa pirâmide, que parte das atitudes e ações de superfície, - mais triviais - subindo gradativamente, pouco a pouco, exemplo por exemplo, história por história, até chegarmos ao vértice virtuoso e voraz que vivifica a vida e varre a vileza como o vento. Ascensão conceitual.

À medida que se sobe na pirâmide as coisas se tornam mais interessantes. As ações e posturas são mais efetivas, significando que a mudança de algo no sistema - ou nele próprio - será mais poderosa, se propagando ao longo do tempo, e se difundindo, reproduzindo e elaborando nas mentes e corações dos seres.

A hierarquia de alavancagem de Meadows, do menos efetivo ao mais poderoso, é:

1. Números
2. Reservas
3. Estrutura de Estoques e Fluxos
4. Atrasos
5. Realimentação Negativa
6. Realimentação Positiva
7. Fluxos de Informação
8. Regras
9. Objetivos
10. Auto-Organização
11. Paradigmas
12. Transcendendo Paradigmas

É importante destacar que ações se superfície, com efeito imediato, - mas fraco e insustentável - não são completamente descartáveis. A questão é não basearmos todas nossas atitudes nelas, o que nos leva a cair num ciclo vicioso estagnante e sem sentido. Eis como a mente humana funciona, em larga medida.

Outro ponto a destacar é o seguinte: podemos fazer alterações a nível mais profundo (ex: mudança de regras) e no entanto com isso causar uma piora no rendimento geral do sistema - um exemplo disso é o que está ocorrendo em nosso país nos últimos meses. Alteração profunda de vários parágrafos e seções da Constituição de 1988 envolvendo Direitos Trabalhistas, A Previdência Social, os "gastos" (investimentos) em Saúde e Educação, a Terceirização - entre outras "reformas" de caráter escuso.

Por esses dois motivos é preciso tomar cuidado ao observarmos e compreendermos como, por quê, quando e de que modo podemos (e devemos) alterar sistemas.

Enquanto passava pelos pontos, fui puxando exemplos que me vinham à cabeça. Tive a oportunidade de comentar o momento político atual, e os paradigmas ao qual a corrente de pensamento que muitos economistas seguem - estes geralmente são convidados pelos grandes meios de comunicação para darem suas opiniões acerca da economia, pois são "sérios"..Passei novamente pela importância das reservas, explicando que ela foi uma das causas mais importantes (talvez a mais) para o surgimento das civilizações. Citei algumas referências - filmes que assisti, documentários, cafés filosóficos,... - para enriquecer e fazer as pessoas buscarem algo a mais.

O próximo passo é continuar essa subida. Na aula que vem chegaremos ao vértice (item 12), que irei exemplificar através da exibição de uma formidável cena de um grande filme - que mostra a transformação...o despertar...de um dos maiores revolucionários de nosso mundo: Francisco de Assis.



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dia 10

O curso vibra. Introduzi novos conceitos. Repassei sobre outros, trazendo-os à tona novamente. É tudo cumulativo, interdependente, simultâneo. Como fazer isso num mundo sequencial? Retomando e relembrando. Exemplificando e explicitando. 

Mostrei o que é evento, comportamento e estrutura. Revelei como os grandes meios de comunicação estão presos - ou melhor, prendem seu público, as pessoas - à lógica do raciocínio evento-evento. São as notícias que mostram eventos descontextualizados no tempo e no espaço, sem relação com outros fenômenos. São entrevistas direcionadas e de duração determinada (por quem?). São distorções de discursos retos e profundos, amplificações de miudezas, omissão de importâncias substanciais. Eis a mídia dominante, que se autointitula de "opinião pública" - maior piada ainda está prestes a ser lançada...

Antes disso mostrei as três características principais de Sistemas Complexos: resiliência, auto-organização e hierarquia. Vejamos pormenorizadamente do que se trata.

Resiliência:


Por mais adversas que sejam as condições, formas de
vida resiliente conseguem se perpetuar. Ou se
recuperar após um certo tipo de devastação.
É o ato de um sistema, uma vez perturbado por um agente externo, - seja físico, orgânico ou psíquico individual ou coletivo - ser capaz de retomar ao seu estado precedente, original, sem alterações profundas. É continuar sua trajetória sem desvios permanentes devido a esse impacto. 

Nas ciências físicas, temos os materiais, cujo comportamento sobre tração, compressão, flexão, torção, fadiga, fluência, entre outros tipos de cargas, podem ser variados, a depender de sua natureza. Se aplicamos uma força numa barra, dobrando-a, e essa, após deixarmos ela livre, voltar ao estado original, dizemos que ela possui uma resiliência dada pela sua capacidade de voltar ao estado original - ou algo próximo - mantendo sua estrutura interna intacta. Daí se vê que resiliência se relaciona com elasticidade. 

No mundo biológico podemos ver o mesmo fenômeno de forma mais elaborada. A vida apresenta seu grau de resiliência conforme é capaz de resistir a agentes invasores (vírus) e sabe conviver com certos organismos (bactérias, por exemplo), sem causar desvios gerais nos seus mecanismos de funcionamento. A lógica permanece intacta, o organismo permanece são em geral. 

No campo psíquico observamos o mesmo fenômeno. Uma pessoa é dita resiliente quando consegue retomar seu estado de humor ou força ou ânimo após sofrer um certo abalo, desde o mais miúdo (escorregar num dia de chuva, ouvir um xingamento no trânsito) até o mais impactante (perda de um parente, uma doença, uma demissão, uma separação). Quanto melhor suportar algo de maior intensidade, maior sua resiliência. 

Auto-organização:


O floco de neve constróis sua estrutura a partir de uma
lógica simples de auto-organização, por vezes baseada
em um algoritmo natural - e automático, portanto -
simples. 
É a capacidade que os sistemas possuem de se ordenarem de modo diverso ao qual vinha sendo reproduzido, criando um ambiente de maior heterogeneidade e - consequentemente, imprevisibilidade. Com isso as possibilidades começam a aumentar. A depender do tipo de variedade e incerteza, poderíamos calcular com certo grau de exatidão, qual o aumento das possibilidades. 

Com esse aumentam cria-se um campo em que podem surgir (não há garantia) novas estruturas que, se consolidando, irão apresentar comportamentos característicos, que se manifestam em eventos. 

A liberdade e experimentação, até um certo grau, são condições indispensáveis para se ter um ambiente que leve a essas novas estruturas. Vemos isso em larga quantidade na natureza, que já atingiu seu estado de perfeição há milhões de anos. Resta a nós, humanos, em jornada evolutiva, desenvolvermos essa capacidade. Nossas organizações refletem o que somos em sociedade e em família. E como indivíduos: negando a transformação. De que? De atitudes, de comportamentos, de regime alimentar, de visão de mundo, entre outras. Para melhor, claro. Transformar significa progredir para se aproximar de uma meta, tornando seu relativo mais resiliente devido à sua capacidade de ter se auto-organizado de forma inteligente. E após essa evolução substancial, deve-se reordenar a hierarquia do sistema.

Hierarquia:
Todo sistema se organiza em hierarquia. A humanidade,
com seu corpo social na infância (ainda), procura seguir
esse princípio. As demolições e reconstruções só revelam
que nossos sistemas hierárquicos estão longe de serem
justos - e portanto serem capazes de gerar paz e evolução
a todos sujeitos que compõem ele.

É a estrutura do Universo (e além). É como as coisas funcionam de modo eficiente. Está presente em tudo, desde os átomos até as galáxias. Desde os seres unicelulares até o ser humano. Desde as ideias mais simples até às teorias mais complexas. Desde as vilas mais primitivas até as megalópoles mais movimentadas e globalizadas.

A hierarquia surge com a especialização. Como a tendência do ser humano é se especializar cada vez mais, de acordo com suas qualidades intrínsecas, deve-se ordenar essas variedade enorme num sistema hierárquico que faça todos trabalharem da melhor forma possível em prol de um Todo. Que Todo? Eis a grande questão, que vos deixarei no vosso colo para que posteriormente possamos trabalhar isso mais à fundo. 

Outro tema retomado - de forma mais exemplificada - foi lineridade e não-linearidade. Basicamente um é o complemento do outro. Mas existem alguns pontos para que possamos deixar mais claro tudo.

As Jornadas de Junho (de 2013) são exemplo de um
fenômeno social, não-linear, cujos desdobramentos
não somos capazes de prever, por mais base
de dados que tenhamos em mãos, por mais instrução que
 tenhamos acumulado, por mais inteligente que sejamos.
Primeiro:
Levando em consideração de que todos fenômenos que ocorrem, se observados em sua integridade, - ou seja, com todas hipóteses desconsideradas - não apresentam um comportamento previsível, isto é, linear, chegamos à conclusão de que a linearidade é uma abstração da mente humana que visa sobretudo simplificar o universo fenomênico circunjacente de tal modo a viabilizar a compreensão de tudo que nos cerca exteriormente. E que possamos assim começar a construir, sistematicamente e minimamente orientados tecnologias e teorias e culturas, para ganharmos domínio sobre as intempéries.

Segundo:
Á medida que descemos de níveis, - passando das supremas ascensões humanas, campo em que o psiquismo leva o corpo físico à exaustão para construir em planos mais elevados, imateriais, em que o espírito anseia viver de forma contínua, para o nível biológico, com sua forma vida vegetal e animal a nível basicamente instintivo, descendo ao campo das ciências fisio-químicas, onde reina os elementos atmosféricos, oceânicos, geológicos e forças e fluxos de diversas espécies (gravitacionais, de contato, magnéticas, elétricas, térmicas, hidráulicas, etc) - vamos tornando as aproximações lineares mais fiéis à realidade não-linear. Vejam que essa descida é igualmente não-linear, ou seja, inexiste uma proporcionalidade à medida que estudamos fenômenos cada vez mais determinísticos. Com isso se explica o porquê de todo nosso arcabouço lógico e matemático, com sua simbologia e métodos, serem muito eficazes para descrever certos fenômenos - mas pobres para definir outros.

Mesmo a nível físico, percebe-se que a não-linearidade permeia os estudos. A única alternativa que resta é decompormos certo fenômeno a intervalos de tempo suficientemente curtos e/ou desacoplar-ignorar fenômenos (hipóteses), para viabilizar simulações.

Posteriormente pretendo descer cada vez mais nesse campo, desenvolvendo demonstrações analíticas que comprovem efetivamente essa visão.

Outro tema foram as fronteiras inexistentes:
Além disso, observando à fundo, iremos nos dar conta de que natura non facit saltus ("A Natureza não dá saltos", Leibnitz), uma afirmativa imponente que foi obtida empiricamente, através de observações infindáveis em todos campos das ciências físicas e biológicas. Ou seja, tudo que existe em nosso mundo real, seja tangível ou intangível, possui uma natureza de continuidade. Inexistem alterações que sejam instantâneas. De tal forma que a mente humana não é capaz de estabelecer fronteiras claras e definitivas entre fenômenos, áreas do saber, sexos, correntes filosóficas, sistemas políticos, noções de público e privado, etc. 

Chegamos a tangenciar camadas limites, que nada mais é do que a restrição imposta por um determinado agente, essencial para que um process ocorra, devido à sua carência. Isso é sentido quando observamos uma reação química de combustão (por exemplo), na qual a carência de combustível (diversos tipos de hidrocarbonetos) ou comburente (oxigênio) em relação ao seu elemento reativo irá restringir o quanto de energia será obtido como produto.

Isso também se vê nas receitas. Para fazer pão italiano é necessária uma quantidade x de farinha de trigo, y de fermento biológico, u de água morna e w de sal. Se temos carência de um destes elementos (x-n, y-n, u-n, w-n, com n<0), não teremos uma receita ideal. Eis que um único elemento faltante ou fora de equilíbrio com o conjunto prejudica o produto final de uma combinação. Seja ela uma receita, uma plantação, uma reação química, uma instituição, um movimento social, uma religião, uma escola, etc.

Resta na próxima aula comentar sobre Racionalidade Limitada e Atrasos Ubíquos.

A partir daí iniciar-se-á o aspecto mais místico-unitário do curso, culminando na  exibição de um dos grandes filmes do século XX, que retratou a gênese de um santo chamado Francisco.

Desmoronamento

Estamos prestes a adentrar numa ditadura neoliberal plena, oficializada, de proporções inimagináveis.

O futuro de todas pessoas está em grande e grave risco.

Não dá para confiar nos grandes meios de comunicação. O Jornal da Cultura já sofre manipulação há 2 ou 3 anos - demissão de Vladimir Safatle e Carlos Novaes revela isso. Roda Viva igualmente - que virou um apêndice das forças neoliberais para divulgar o que lhes interessa.



Globo e Veja, e Estadão (entre outros) nem se fala...manipulação das mais maquiadas, que se escondem no intelectualismo barato para justificar tudo que levara o país a uma convulsão. São décadas de manipulação descarada, apoiada em teorias que se revelam ultrapassadas, em ideais invertidos e distorcidos, em discursos simplórios e superficiais - que infelizmente captam o imaginário de muitos, deixando-os quietos perante as barbaridades cometidas pelos bancos, pelos mega-empresários, pelos que vêem o lucro como meta suprema da vida. Esses são de fato os demônios que personificam o plano do diabo. Diabo é esse instinto nefasto a ser eliminado em cada um de nós. Esse senso de distração - tão alimentado pelas redes sociais e meios de comunicação convencionais. Diabo é a desigualdade além da conta...

Uma diferença de renda de 4:1 seria mais do que saudável para o desenvolvimento e democracia.
Democracia e Capitalismo são excludentes a partir de certo ponto. Nós passamos desse ponto há algumas décadas. Alguém há de perceber isso a fundo...

Por que tamanha teimosia em adiar o enterro do que já está morto (capitalismo-neoliberalismo)???

Será que ainda estamos dispostos a regurgitar o que foi nos enfiado na cabeça? Aqueles discursos simplórios de que qualquer alternativa ao modo convencional de pensar e "sentir" é "do mal"? Experiências que não devem ser repetidas - de outra forma. Será que iremos acordar a tempo? Não sei...


O neoliberalismo faliu e há forças que desejam que essa falência seja repassada para a sociedade produtiva e os ecossistemas. Mas mesmo assim um abalo profundo virá antes que possamos nos dar conta - neste século ainda...

Vivemos em desequilíbrio com todos níveis de existência. Queremos nos garantir até o colapso global e simultâneo, porque estamos no aconchego das mínimas garantias - por enquanto. Mas não se iludam: as reformas irão corroer, cedo ou tarde, nós e nossas famílias. E junto, nossos planos de vida e de felicidade.

Quem consente com o mal se torna devedor.
Quem combate o mal, mesmo se destruindo em prol da consciência, se eleva.
Que caminho iremos seguir?

Queda e Salvação.

P.S.: assistam aos vídeos antes que sejam retirados (inexplicavelmente) deste espaço.